Review Galaxy Watch 3 | Relógio inteligente com aparência clássica

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 21 de Dezembro de 2021 às 15h10
Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

A Samsung voltou a apostar no design tradicional ao lançar o Galaxy Watch 3. Diferente dos dois modelos Active que o antecederam, o dispositivo de terceira geração volta a oferecer coroa giratória física e aparência clássica de relógios.

O último vestível a sair com o sistema operacional Tizen antes da adoção do Wear OS tem bastante funções interessantes. O smartwatch pode ser uma boa alternativa para seu sucessor, o Galaxy Watch 4, por ter preço mais baixo, mas não fica devendo em quase nada às opções de quarta geração.

Eu testei o Galaxy Watch 3 e destaco a seguir a minha experiência com o relógio da Samsung e o que muda dele para o seu sucessor, lançado em 2021.

Veja o preço do Galaxy Watch 3

Prós

  • Tela visível em qualquer ambiente
  • Material resistente e à prova d’água
  • Leitura de nível de oxigênio e pressão sanguínea
  • Bom sistema para monitorar atividades físicas

Contras

  • Duração da bateria decepciona
  • Loja de apps limitada
  • Preço alto

Design e Construção

Assim como um relógio tradicional, o Galaxy Watch 3 tem caixa redonda com botões no lado direito. Não é possível inverter a tela para que eles fiquem mais acessíveis ao usar no braço direito, como acontece com os smartwatches da Apple.

  • Caixa de 41 mm: 42,5 x 41,0 x 11,3 mm; 48,2 g;
  • Caixa de 45 mm: 46,2 x 45 x 11,1 mm; até 53,8 g.

São dois tamanhos de caixa, uma de 41 mm e outra de 45 mm. Elas são construídas em um corpo de aço, com opção de acabamento em titânio para a maior. A pulseira é de couro legítimo envelhecido e tem encaixe padrão, podendo ser substituída por modelos vendidos em relojoarias.

A aparência em si é bem de um relógio tradicional, e dependendo do mostrador que você escolher, dá para passar esta impressão a qualquer observador. Mesmo assim, o Galaxy Watch 3 tem tela sensível ao toque, que facilita a interação para além dos botões e coroa giratória.

Galaxy Watch 3 tem visual de relógio tradicional, incluindo a pulseira de couro envelhecido (Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech)

Para completar, o dispositivo possui certificação militar e IP68. Ele suporta até 5 ATM de pressão, e é considerado próprio para nadar.

O smartwatch pode ser encontrado nas cores bronze, prata ou preto. A disponibilidade de cores pode variar conforme o tamanho da caixa e conectividade (LTE ou Bluetooth).

Tela

Apesar de cada caixa ter um tamanho diferente em polegadas, a Samsung mantém a mesma resolução nos dois modelos. Ou seja, o menor tem densidade de pixels um pouco melhor que a versão maior.

  • Caixa de 41 mm: 1,2 polegada, 360 x 360 pixels;
  • Caixa de 45 mm: 1,4 polegada, 360 x 360 pixels.

O display é Super AMOLED com sensibilidade ao toque e tem proteção Gorilla Glass DX. Não que precise muito, já que a coroa giratória cria uma espécie de muro em volta do visor, com uma saliência de alguns milímetros.

Detalhe da coroa giratória e botão do Watch 3, da Samsung (Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech)

A qualidade da tela é um dos pontos fortes do smartwatch, que tem brilho bem intenso para usar em ambientes externos, mesmo sob a luz do sol. Ao contrário de celulares, o relógio tem uma função para baixar o brilho em locais mais escuros, e assim evitar machucar seus olhos.

O único ponto que eu tenho a reclamar na tela do Galaxy Watch 3 é o tamanho dos botões. Não chegam a ser pequenos e difíceis de alcançar, mas eu também não tenho mãos tão grandes. O modelo de 41 mm, que foi o que eu testei, pode ser desconfortável para quem tem dedos que atingem áreas maiores do visor.

Configuração e Desempenho

Relógio inteligente não precisa de muito poder de processamento, já que suas funções mais importantes dependem muito mais de bons sensores do que de cálculos de algoritmos e afins. O Galaxy Watch 3 não foge disso, o que não significa que seja lento nem nada.

O funcionamento do smartwatch é muito bom. Não percebi nenhum engasgo, até porque não há muitos processos para se “atropelarem” em um relógio inteligente.

Ele vai no máximo desempenhar três funções simultâneas: tocar música, buscar notificações e monitorar algum dado da sua saúde. Não dá para ir muito além disso.

Assim, o processador de dois núcleos com velocidade máxima de 1,15 GHz dá conta do recado. O aparelho ainda tem 1 GB de memória RAM e 8 GB de armazenamento interno, dos quais pouco mais da metade está livre para instalar apps e salvar músicas e dados.

Acompanhamento Físico

Os relógios inteligentes têm foco em atividades físicas e monitoramento de saúde. São dispositivos para quem pretende levar uma vida mais equilibrada, independente de já ter um estilo de vida voltado à prática de exercícios ou se a ideia é deixar de lado o sedentarismo.

Durante os meus testes, percebi que a ideia é justamente tentar nos manter minimamente ativos. O dia todo ele emite notificações para você se levantar ou fazer um pouco de exercício. Algo necessário para quem passa o dia quase inteiro à frente de um computador, trabalhando.

Relógio da Samgung monitora diversos tipos de exercícios (Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech)

O Galaxy Watch 3 é capaz de monitorar diversos tipos de atividades físicas, sendo que algumas ele inicia automaticamente, enquanto outras é necessário que você dê início pela tela.

Além de corrida, caminhada, ciclismo, natação e vários outros exercícios, ele também conta os seus passos e cria gráficos para você saber se está se movimentando bastante.

O monitoramento é relativamente preciso, mas em alguns casos podem faltar dados dependendo do seu nível de seriedade com o treino.

Monitoramento de saúde

Mais do que uma espécie de 'personal trainer', o Galaxy Watch 3 também faz monitoramento de diversas funções vitais.

O dispositivo mede pressão arterial, possui eletrocardiograma e faz leitura dos batimentos cardíacos pelo pulso, nível de oxigênio no sangue e também analisa a qualidade do seu sono, nível de estresse e o ciclo menstrual.

A maior parte desse monitoramento é feito de maneira automática, com medições feitas ao longo do dia que você pode consultar pelo app Samsung Health.

Pode ser necessário ajustar permissões ou configurar o monitoramento em alguns casos, portanto é bom dar uma boa mexida no relógio quando você coloca no pulso pela primeira vez.

Galaxy Watch 3 tem ECG e mede a pulsação (Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech)

Já no caso do ECG e da pressão arterial, é necessário instalar um app extra, o Samsung Health Monitor (isso mesmo, é um app à parte do Samsung Health).

Ambas funções necessitaram aprovação de órgãos competentes para funcionar no Brasil, que foram concedidas aos smartwatches da fabricante sul-coreana.

O eletrocardiograma é bem simples e você pode fazer sempre que quiser checar se há algum sinal de fibrilação atrial. Ele não detecta ataques cardíacos e deve ser usado apenas para monitorar se há alguma necessidade de uma consulta médica.

Já a pressão arterial é mais complicada. Você precisa de um monitor de pressão arterial com braçadeira para calibrar o relógio, procedimento que pode ser necessário repetir com alguma frequência.

Infelizmente eu não pude testar esta função durante o período em que estive com o relógio, portanto não consigo dizer como é o nível de precisão.

Conectividade

Existem dois modelos de conectividade para cada caixa do Galaxy Watch 3: LTE e Bluetooth. É assim que a Samsung diferencia o modelo que tem suporte às redes móveis do que não oferece este tipo de conexão.

O Bluetooth é 5.0, e também existe a opção de conectar o relógio por Wi-Fi, disponível apenas na frequência de 2,4 GHz. Eu recomendo ativar a rede sem fio para evitar perder notificações caso se distancie demais do celular.

Bateria e Carregamento

De acordo com a Samsung, o Galaxy Watch 3 de 41 mm tem quase dois dias de duração de bateria em uso padrão, enquanto o uso baixo pode estender a até 120 horas (cinco dias). O modelo de 45 mm tem mais carga e dura um pouco mais, mas não foge tanto desse período.

De acordo com os meus testes, não é muito difícil extrair esses quase dois dias, mas em um uso misto entre padrão e baixo. Ou seja, a simples prática de exercícios físicos, checagem frequente de notificações e reproduzir músicas pelo relógio pode baixar bastante a estimativa, podendo não chegar a um dia inteiro longe da tomada.

Pulseira de couro envelhecido pode ser trocada por qualquer pulseira de relógio tradicional (Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech)

O esperado é que a duração fosse melhor que a de um Apple Watch, mas pela minha experiência, não chega a isso. Pode ser que você consiga mais tempo sem precisar recarregar o relógio da Maçã.

Eu recomendo, caso você esteja em dúvida entre os dois, a ignorar a parte de bateria. Foque em recursos, capacidade de monitoramento e o que você realmente precisa no smartwatch para optar pelo da Samsung ou pelo da Apple.

O tempo de recarga também não é bom. Com o carregador magnético que vem junto com o Galaxy Watch, você precisa de mais de duas horas para fazer a recarga completa, de 0% até 100%.

Concorrentes Diretos

Existem muitos smartwaches no mercado, mas infelizmente poucos realmente completos são lançados no Brasil. Neste sentido, Samsung e Apple nadam de braçada por aqui, sendo que a Maçã é a que tem um público mais fiel.

Galaxy Watch Active 2

E aí você tem como principais opções ao Watch 3 os seus sucessores ou antecessor. O Galaxy Watch Active 2 fica devendo um pouco por ter sensores mais antigos, mas é bem mais em conta, podendo ser encontrado por menos de R$ 1.000 atualmente.

Galaxy Watch 4

Já os Galaxy Watch 4 dão duas opções, além de dois tamanhos diferentes de caixa para cada um. Tem o Watch 4, que é um sucessor mais direto do Active 2, sem a coroa física e custa por volta de R$ 1.600. O Watch 4 Classic tem coroa giratória física e já salta para cerca de R$ 2.000.

Apple Watch Series 6

Você tem várias opções na Apple, mas só vai encontrar funções semelhantes ao Galaxy Watch 3 nos mais completos. O Watch Series 6 tem preço mais em conta, ficando em torno de R$ 2.800, enquanto o series 7 salta para mais de R$ 3.000 (dependendo de modelo e tamanho).

Garmin VivoActive 4

Mas há algumas alternativas interessantes ao Galaxy Watch 3 que não passam por essas duas marcas. Uma delas é o Garmin VivoActive 4, cuja bateria dura até uma semana, mas traz sistema mais restrito e só está disponível por importação. Vai sair por volta de R$ 2.000.

Huawei WatchHuawei Watch GT 2

A última opção que não fica devendo tanto é o Huawei Watch GT 2, disponível no Brasil por cerca de R$ 1.000, mas tem um problema grave: integração com celulares Android e iOS fica complicada, por conta do embargo dos EUA.

Samsung Galaxy Watch 3: vale a pena?

O Galaxy Watch 3 foi um retorno da Samsung ao visual tradicional de relógios em sua linha de smartwatches. O dispositivo também acabou por marcar o fim do sistema operacional Tizen em vestíveis, substituído pelo Wear OS em seus sucessores.

No fim das contas, é um relógio que talvez não precisasse ter chegado às prateleiras. Ele traz pouca coisa diferente do que o Watch Active 2 oferece, e é uma espécie de ensaio para a quarta geração, que tem um modelo para atividades e um clássico.

Relógio da Samsung tem o design como um de seus maiores pontos fortes (Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech)

Mas, se você quer um bom smartwatch com aparência de relógio clássico a preço mais razoável, o Galaxy Watch 3 é uma boa opção. Não fica devendo muito ao Galaxy Watch 4 Classic, exceto pelo sistema operacional com mais aplicações de terceiros disponíveis.

O preço atual, que pode variar entre R$ 1.100 a R$ 1.200 até perto dos R$ 2.000, dependendo da conectividade e tamanho da caixa, vale a pena. Mas se você quer algo mais completo e mais opções de personalização, talvez seja melhor investir na quarta geração.