Review Galaxy Fit 2 | uma boa pulseira para quem já tem celular Samsung

Por Bruno Bertonzin | Editado por Léo Müller | 03 de Janeiro de 2022 às 17h26
Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

No segundo semestre de 2020, a Samsung lançou sua nova pulseira inteligente, a Galaxy Fit 2. O dispositivo chegou ao mercado brasileiro em setembro com a proposta de oferecer controles mais simples sobre dados de saúde para quem não quer usar um relógio, que geralmente é bem maior.

Com um design que se assemelha bastante à Mi Band — seu principal concorrente — o gadget oferece respostas rápidas sobre o estado do usuário, como taxa de batimento cardíaco e nível de estresse, além de monitorar exercícios físicos.

Mas será que ela se sai bem no que propõe? Vale a pena encarar a resposta da Samsung para a Mi Band ou o vestível da Xiaomi ainda é a melhor opção para quem busca uma smartband? Confira este review e conheça mais sobre a pulseira.

Prós

  • Bateria de longa duração
  • Monitoramento de sono com mais controles
  • Design leve
  • Vários recursos nativos para acompanhar dados de saúde

Contras

  • Design do encaixe na pulseira
  • Quantidade de aplicativos necessários para uso
  • Preço

Design e Construção

A galaxy fit 2 possui um corpo em plástico finalizado com uma tela AMOLED, que oferece uma boa qualidade de imagem e cores mais vívidas — um importante avanço em relação à geração passada, que tinha um painel monocromático.

Por falar nisso, a smartband conta com um display de 1,1 polegada com resolução de 126 x 294 pixels. Isso é o suficiente para exibir todos os dados na pulseira — como as horas, resultados de acompanhamentos físicos, de saúde e sono — com boa definição.

Na parte de baixo, ela conta com sensores para registrar as informações do usuário e um conector para carregamento — este último em uma posição boa para não precisar remover a pulseira durante a carga. Há ainda um relevo em cada lateral para prender o carregador.

Por falar na pulseira, ela é feita em silicone e disponibilizada em duas cores: preta e vermelha. Essa última é a que recebi para análise, e seu tom é mais puxado para um vermelho-alaranjado.

Galaxy Fit 2 tem pulseira que dificulta na hora de colocar ou tirar o acessório do pulso (Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech)

Uma coisa que eu definitivamente não gostei é o design dela. Ela até tem uma presilha com níveis para se adaptar a vários tamanhos de pulso, mas a forma como a pulseira é “fechada” no braço dificulta na hora de colocar ou remover o acessório.

A pulseira também é padronizada para o dispositivo e isso dificulta para quem gosta de personalizar ao máximo seus acessórios. Dessa forma, o usuário fica limitado às duas opções oferecidas pela Samsung.

Por fim, não temos nenhum botão físico na Galaxy Fit 2, havendo apenas uma tecla touch para funções. Com ela, é possível acender a tela do dispositivo, voltar opções dentro de menus ou ir para a tela principal da smartband.

"O design da pulseira peca bastante na praticidade. O fato de ter duas “etapas” para prendê-lo no pulso dificulta um pouco na hora de colocar ou remover o acessório do braço."

— Bruno Bertonzin

Configuração e Desempenho

A Galaxy Fit 2 possui um excelente desempenho no que diz respeito à performance e navegação no sistema. A pulseira conta com uma combinação de 2 MB de memória RAM e armazenamento de 32 MB.

Apesar de esses números serem “pequenos”, é essencial para o bom funcionamento do gadget. Como ele não armazena fotos e músicas, não é necessário tanto espaço para arquivos.

Os 2 MB de memória RAM também são o suficiente para o funcionamento do relógio. Graças a eles, temos uma navegação suave e sem engasgos entre os aplicativos instalados no relógio. Cada medição é feita de forma bem rápida, e o usuário não terá problemas com isso. De modo geral, ele é bem eficiente no que se propõe.

Galaxy Fit 2 tem uma boa fluidez durante a navegação (Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech)

O dispositivo também oferece controle para o brilho da tela, que permite visualizar as informações importantes no display mesmo em locais bem iluminados ou com luz solar forte.

Para a hora de dormir, o dispositivo conta com recursos para impedir que a tela acenda com o movimento do pulso, para diminuir o brilho ao máximo e para bloquear a vibração do dispositivo.

Outras funções interessantes presentes no relógio é um modo para localizar o celular pareado, caso não o encontre dentro de casa, um leitor de notificações com respostas pré-programadas e personalizáveis e um controle de mídia, que permite trocar as faixas, pausar ou retomar a reprodução de uma música ou gerenciar o volume de canções tocadas no celular.

Acompanhamento Físico

A Galaxy Fit 2 conta com diversos modos de acompanhamento físico. Isso inclui desde as opções mais tradicionais, como caminhada e corrida, até mesmo natação — graças a sua certificação de resistência à água com certificação de até 5 ATM.

Ao todo, são 95 modalidades de exercícios físicos que podem ser gerenciados e favoritados dentro do aplicativo Galaxy Health. No entanto, a pulseira permite armazenar apenas 10 delas em sua memória interna.

Dessa forma, é possível escolher bem entre as quase cem opções, que incluem ainda mesmo algumas não tão convencionais, como bambolê, arco e flecha, balé ou caminhada na neve.

Em relação ao monitoramento de atividades, testei a pulseira com algumas caminhadas e me surpreendi com o resultado. Apesar de não ter GPS incluso, a pulseira registra a distância percorrida, além de frequência cardíaca e velocidade durante a caminhada.

Galaxy Fit 2 possui vários recursos para monitoramento de saúde (Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech)

O acompanhamento para automaticamente quando o usuário faz uma pausa no exercício, para que o resultado seja mais fiel ao que foi praticado. A pulseira inclui, ainda, um “alarme” em forma de vibração toda vez que atinge um novo quilômetro na caminhada.

Essa opção de acompanhamento físico precisa ser ativada no visor antes de começar cada prática. No entanto, a Galaxy Fit 2 possui um contador de passos que funciona de forma automática.

Aqui, porém, tem alguns problemas e, às vezes, ele identifica alguns passos mesmo que o usuário esteja completamente parado.

Por fim, a pulseira também inclui uma opção para notificar sempre que seu dono está parado por muito tempo. Quando levanta e dá uma caminhada, ela notifica novamente para avisar que “identificou” que o usuário continua ativo.

"O modo de acompanhamento de sono é outro destaque da Galaxy Fit 2 e mostra resultados como tempo de sono profundo e REM, além, é claro, do tempo total e sono leve."

— Bruno Bertonzin

Conectividade

A conectividade da Galaxy Fit 2 com o celular depende de aplicativos instalados no smartphone e é aqui que reside o maior problema dessa pulseira. Se você tiver um telefone da Samsung, provavelmente não passará por isso e terá que instalar no máximo um aplicativo — o plugin da pulseira.

Mas, se tiver um dispositivo de qualquer outra marca, isso será um transtorno, já que terá que baixar nada menos do que quatro aplicações na Play Store para utilizar o gadget de forma completa.

Eu fiz o teste com um Xiaomi Mi 9T e o processo de pareamento da pulseira foi longo e penoso.

O primeiro aplicativo a ser baixado é, obviamente, o Galaxy Wearable. Nele, o usuário pode cadastrar diversos vestíveis da Samsung. Depois disso, ao tentar conectar a pulseira, será solicitado um segundo aplicativo, que é o plugin específico para a Galaxy Fit 2.

Depois de instalado, o app Galaxy Wearable apresentará mais um erro e solicitará o download de um terceiro serviço: o Samsung Accessory Service. Caso já tenha outro vestível da Samsung, como fones de ouvido, por exemplo, provavelmente você também já terá esse app no celular.

Após a instalação desses três aplicativos, a pulseira finalmente é pareada com o celular, mas o Galaxy Wearable ainda oferecerá o download do Galaxy Health. Apesar de “opcional”, este é essencial para ver dados mais precisos de sono, acompanhamento físico e outras informações.

Galaxy Fit 2 requer nada menos do que quatro aplicativos para funcionar com um celular não-Samsung (Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech)

Finalmente, após os quatro aplicativos estarem disponíveis no celular e a pulseira pareada com ele, o usuário pode começar a utilizar o wearable. A partir daqui, você não terá problemas, e a pulseira funciona perfeitamente de acordo com o que promete.

É importante destacar que o usuário até pode utilizá-la desconectada do celular, mas ela só armazena as informações por sete dias, de forma que é preciso uma conexão ocasional para não ter perdas de dados.

Além disso, algumas informações — como dados detalhados de sono — são melhor visualizadas na tela do celular. Isso exige pelo menos uma conexão por dia caso o usuário queira ter uma frequência de registros.

Bateria e Carregamento

A bateria do Galaxy Fit 2 é um dos seus principais pontos fortes. A Samsung promete que sua capacidade de 159 oferece até 21 dias de duração com um uso moderado.

Eu pude ver isso se concretizar na prática. No meu uso — com o recurso de monitoramento cardíaco contínuo e algumas notificações (como e-mails e mensagens do WhatsApp) ativadas — pude utilizar a pulseira por mais de duas semanas e ainda sobrou um pouco de carga.

O tempo de carregamento também é um atrativo. A smartband teve sua bateria completamente abastecida — na verdade de 1% a 100% — em menos de uma hora e 20 minutos.

Por falar na carga, o relógio conta com um carregador específico para ele. Mas aqui temos um pequeno ponto negativo.

Literalmente pequeno, porque o fio do acessório é minúsculo. Isso força o usuário a plugá-lo em uma entrada USB do notebook ou deixá-lo pendurado caso vá direto na tomada — com o auxílio de um adaptador não incluso no kit.

"A duração da bateria da Galaxy Fit 2 é um dos principais destaques da pulseira e poder utilizá-la por mais de duas semanas com uma única carga é um bom argumento de venda."

— Bruno Bertonzin

Concorrentes Diretos

A Galaxy Fit 2 compete diretamente com a Xiaomi Mi Band 5 no mercado de pulseiras inteligentes. Ambas foram lançadas em 2020 e a alternativa da Samsung chegou para reduzir a lacuna de vantagens entre suas gerações passadas.

Em relação ao preço, o modelo chinês continua como a melhor opção em custo-benefício e é encontrado entre R$ 130 e R$ 300, enquanto a rival sul-coreana é vendida em uma faixa entre R$ 200 e pode chegar até a R$ 500, dependendo da loja.

Apesar de contar com uma boa variedade de opções para acompanhamento físico, a Galaxy Fit 2 ainda fica atrás da Mi Band, que tem mais modos de exercícios. De qualquer forma, as mais de 90 modalidades encontradas no aplicativo Galaxy Health não deixam a desejar em nenhum aspecto.

Galaxy Fit 2 é rival da Xiaomi Mi Band 5 no mercado de pulseiras inteligentes (Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech)

Para quem busca um dispositivo para ficar o máximo de tempo possível longe das tomadas, a melhor opção, sem sombra de dúvidas, é a Galaxy Fit 2, já que ela possui uma bateria de 159 mAh contra 125 mAh da Mi Band 5.

Na prática, isso também se converte em um desempenho superior, com a pulseira sul-coreana oferecendo bateria para até 21 dias de uso, enquanto a rival para em “apenas” 15 dias.

Galaxy Fit 2: uma pulseira para quem já está no ecossistema da Samsung

A Galaxy Fit 2 é uma excelente opção para quem já está inserido no ecossistema da Samsung — ou seja, já possui um smartphone da marca — e quer acompanhar seus aspectos de saúde direto no pulso.

Ela entrega uma boa performance para monitorar diversos exercícios físicos, mas a quantidade absurda de aplicativos necessários para pareamento em um dispositivo não-Samsung torna sua rival — que só requer o download de um único app — uma opção mais atrativa.

O preço também é algo em que sua rival leva mais vantagem, mas não chega a ser uma diferença tão absurda assim ao ponto de fazer desistir da Galaxy Fit 2 — que provavelmente teria a vantagem de ter uma garantia nacional, dependendo da loja onde for comprada.