Review Galaxy A33 5G | Um bom celular ofuscado pelo A53 5G

Por Diego Sousa | Editado por Léo Müller | 01 de Julho de 2022 às 09h46
Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

O Galaxy A33 5G era para ser a porta de entrada para o usuário que estivesse procurando um celular intermediário mais simples com algumas características premium, assim como foi o A32. Mas, neste ano, o novo aparelho foi posicionado como uma espécie de "A53 mini 5G", o que foi bom em alguns aspectos, porém ruim em outros.

Mas, afinal, por que eu o descrevi desta maneira? Analisei o Galaxy A33 5G por alguns dias e conto toda a minha experiência nos próximos parágrafos. Além disso, se você se interessar pelo aparelho ao final desta análise, deixarei links de compra confiáveis para você aproveitar. Vamos nessa?

Prós

  • Construção e design
  • Tela Super AMOLED
  • Bateria
  • Câmeras

Contras

  • Desempenho em jogos
  • Fluidez do sistema
  • Posicionamento

Construção e design

O Galaxy A33 5G é um misto de Galaxy A53 5G e A23: a tampa traseira tem um acabamento idêntico ao do modelo mais caro, com um plástico predominantemente fosco. O módulo de câmeras também é o mesmo, tanto no design como na organização e no número dos sensores.

O Galaxy A33 5G é idêntico ao A53 5G na tampa traseira (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Outro recurso exportado do Galaxy A53 5G é a certificação IP67 para proteção contra água e poeira. É uma novidade em relação ao A32 4G, que não tinha nenhuma robustez na carcaça além do vidro Gorilla Glass 5. No entanto, a adição traz ao aparelho mais básico um custo de produção maior, consequentemente aumentando o seu preço final.

Com relação ao a23, as semelhanças encontram-se na parte da frente com o notch em formato de gota, já quase extinto entre os celulares mais básicos. Particularmente, ainda acho a solução para a câmera frontal bonita, mas bem que poderia utilizar o furo, mais atual.

Eu já falei em outros reviews, mas não custa repetir: a linha Galaxy A52s é uma das mais bonitas atualmente, e é interessante ver a Samsung implementando funcionalidades normalmente encontradas em modelos mais caros, como a resistência a água e poeira.

Infelizmente, nem tudo são flores. Seguindo a tendência dos celulares mais caros, o Galaxy A33 5G também não vem com entrada de 3,5 mm para fones de ouvido. Pelo menos, há suporte para cartão microSDXC, que compartilha espaço com o segundo chip de operadora.

Tela

A tela do Galaxy A33 5G é idêntica a do A32 — o que não considero nada ruim. O painel Super AMOLED tem resolução Full HD+ (2.400 por 1.080 pixels), resultando em cores extremamente vivas, ótima fidelidade de cores escuras e contraste infinito. Só o brilho máximo que parece maior em ambientes ensolarados, mas pouco.

Tela AMOLED do A33 5G é ótima para o segmento intermediário (Imagem; Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

O tamanho do A33 5G é razoável, 6,4 polegadas, pouco menor que o A53. Ainda é grande para utilizar com apenas uma mão, mas ainda é agradável. Vale mencionar que o notch em gota, embora seja um design antigo, funciona bem, pois dá a impressão de que as bordas são mais finas.

A taxa de atualização de 90 Hz também está presente, deixando rolagens, animações e jogos mais fluidos. A novidade dessa geração é que a tela consegue se adaptar conforme o conteúdo, prometendo consumir menos energia. Resumindo, é uma experiência muito próxima do A53 5G e uma das melhores telas AMOLED do segmento intermediário.

"O Galaxy A33 5G é uma mistura de A53 5G, pela traseira fosca muito bonita, com o A23, que traz um notch em formato de gota para a câmera frontal."

— Diego Sousa

Configuração e desempenho

O Galaxy A33 5G que testamos veio com quase as mesmas configurações do A53 5G: o processador é o Samsung Exynos 1280 5G, além do armazenamento interno de 128 GB com suporte a expansão via cartão microSD. Basicamente, só a memória RAM muda, saindo de 8 GB para 6 GB.

O desempenho do smartphone é bom para a maioria das tarefas. Em redes sociais e mensageiros, não presenciei travamentos recorrentes, apenas enquanto os conteúdos eram carregados. A tela de 90 Hz ajuda a dar essa sensação maior de fluidez, principalmente na rolagem de páginas e apps.

Mas o chipset Exynos 1280 5G me decepcionou em algumas ocasiões. Como eu comentei na minha análise do A53 5G, a GPU do chipset parece não ter capacidade para manter os jogos estáveis mesmo com gráficos bem medianos.

Desempenho do A33 me decepcionou em jogos (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Nos últimos dias, joguei bastante Diablo Immortal no Galaxy A33 5G e tive uma experiência bem aquém do esperado para a categoria do chipset, que deveria ser de intermediário avançado. Uma das frustrações foi que, curiosamente, o celular não suportou o jogo em 60 fps, apenas em 30 fps.

Além disso, mesmo com os gráficos mais simples possíveis, o celular engasgou bastante em qualquer cenário, principalmente quando havia muitos monstros em um local — o que acontece frequentemente em Diablo. A jogatina acabou sendo bem desagradável.

Asphalt 9 também não teve uma boa performance, embora foi melhor que no Diablo Immortal. Notei travamentos e engasgos apenas quando havia colisão. Ainda assim, foi possível ter uma experiência agradável com os gráficos padrões do jogo, porém ainda abaixo da média.

O celular também me frustrou em algumas partes da interface. A animação do desbloqueio por digitais foi geralmente truncada e nada fluido; também notei uma demora incomum nas configurações do celular, como se a One UI 4.1 estivesse muito pesada para o aparelho.

Surpreendentemente, uma coisa que não presenciei no Galaxy A33 5G foi superaquecimento. Fosse navegando nas redes sociais ou jogando Diablo Immortal por mais de uma hora, o celular se manteve apenas morno, o que foi ótimo por ajudar a “limpar” a reputação da linha Exynos de ser esquentadinha.

É possível que a Samsung melhore o desempenho do celular com futuras atualizações, mas não podia deixar de esclarecer meu descontentamento com o chipset Exynos 1280 5G tanto no A33 5G como no A53 5G. Ficou muito aquém do esperado para um intermediário de 2022.

Sistema e interface

E por falar em interface, o Galaxy A33 5G roda a One UI 4.1 em cima do Android 12. A interface é a mesma dos irmãos mais caros, ou seja, muito bonita, sem firulas e com recursos bem legais como a tela Edge — que eu uso até hoje.

Só tem alguns probleminhas que mencionei mais acima, como engasgos em algumas animações e demora na abertura de algumas abas. Pode ser que a Samsung corrija futuramente, no entanto.

Com relação ao suporte de atualização, provavelmente teremos a mesma duração dos A53 5G e A73 5G, isto é, quatro anos. Ou seja, se tudo der certo, ele será atualizado até o Android 16.

Câmera

O Galaxy A33 5G veio com basicamente as configurações de câmera do A32 5G, adicionando apenas o suporte a estabilização óptica de imagem (OIS). Ou seja, temos uma câmera principal de 48 MP, seguida de uma ultrawide de 8 MP, macro de 5 MP e um sensor de profundidade, de 2 MP.

Por trazer o mesmo chipset Exynos 1280 5G do irmão Galaxy A53 5G, achei a qualidade das fotos bem semelhante, só um pouquinho inferior, apenas. Praticamente, o pós-processamento mais agressivo da Samsung nas fotos wide permaneceu, algo que gosto bastante. O resultado são cores vivas, saturação e contraste elevados.

Câmera principal do A33 5G é ótima nas cores (Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

O modo retrato também é semelhante, inclusive com as imperfeições na área do cabelo e nos céus estourados, mas consegui bons cliques no geral. No entanto, percebi que o software de câmera do A33 5G demorou mais para capturar a imagem.

A câmera ultrawide de 8 MP é bem inferior se comparada com a do A53. Por aqui, as cores ficam um pouco lavadas e pouco definidas, além de apresentar cantos mais distorcidos. Repito a crítica para o sensor macro, já que, apesar de ter 5 MP, oferece imagens inferiores em relação as do A53.

Câmera ultrawide traz boas cores, mas definição inferior (Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

Como comentei mais acima, a OIS é a grande novidade do Galaxy A33 5G, que promete dar mais estabilidade nos vídeos. No entanto, infelizmente o recurso está limitado apenas na resolução Full HD a 30 quadros por segundo (fps).

"As câmeras do Galaxy A33 5G são bem parecidas com as do Galaxy A53, o que não é ruim. O pós-processamento está presente, além das imperfeições do modo retrato. À noite, os ruídos são bem controlados."

— Diego Sousa

Bateria e carregamento

O Galaxy A33 5G tem bateria de 5.000 mAh e achei bem equilibrada para as configurações do aparelho. Com exceção dos jogos, em que o chipset Exynos 1280 5G consumiu bastante energia, tive uma boa autonomia tanto em redes sociais como em serviços de streaming, como Netflix.

Vamos à prática: no nosso teste de streaming, com três horas de reprodução na Netflix, brilho e volume em 50% e conectado apenas ao Wi-Fi, o Galaxy A33 5G consumiu 23%, pouco baixo do Galaxy A53 5G e acima do A73 5G. Ou seja, ele fica entre os dois intermediários premium.

Bateria do A33 5G segue ótima (Imagem: Ivo Meneghel jr./Canaltech)

Em jogos, o Galaxy A33 5G foi um pouco pior. Uma hora de Diablo Immortal consumiu quase 30% de bateria, o que é muito para quem curte jogar bastante no celular. Já no dia a dia, alternando entre redes sociais, mensageiros, gravação de vídeos e jogos, consegui passar de um dia tranquilamente.

Como nos celulares mais caros, o Galaxy A33 5G entrega suporte a carregamento rápido de até 25 W. E a boa notícia é que, apesar de a caixa ser pequena, há um carregador nela.

Som

Felizmente, o Galaxy A33 5G vem com dois alto-falantes estéreo, contra apenas um da geração passada. O som é praticamente o mesmo do Galaxy A53 5G: é alto e claro, mas pode estourar em volumes mais elevados.

Também sofre um pouco ao reproduzir graves, assim como o irmão mais caro, mas, geralmente, tem um bom desempenho para assistir a filmes e séries. Em músicas, se você for muito exigente, pode não ser a melhor opção.

Os dois alto-falantes do A33 são bons, mas nada impressionantes (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Como eu comentei mais acima, o celular não vem com entrada de 3,5 mm para fones de ouvido, portanto já prepare o seu earbud bluetooth ou o fone com cabo USB-C.

Concorrentes diretos

O Galaxy A33 5G compete com o recém-lançado Moto Moto G82 5G no mercado brasileiro, que está um degrau abaixo dos Moto G100 e G200 5G. Entre as características em comum estão: tem tela OLED, 5G, som estéreo, Android 12 e bateria de 5.000 mAh.

O Moto G82 é um smartphone intermediário bem competente (Imagem: Ivo Meneghel Jr./Canaltech)

Mas o Galaxy A33 5G se sobressai em muitos outros departamentos, como na câmera, no suporte do Android, no desempenho e, principalmente, no preço. A Motorola cobra R$ 2.999 no aparelho, enquanto o Galaxy A33 5G, bem superior, não passa de R$ 2.499.

O celular da Samsung também esbarra em alguns modelos da própria marca, como o Galaxy A52s 5G, que traz hardware do A73 5G por menos de R$ 2.000. O Galaxy M52 5G também pode ser uma alternativa ao A33 5G, pois oferece desempenho superior e 5G por cerca de R$ 1.600.

Vale a pena comprar o Galaxy A33 5G?

O Galaxy A33 5G é um smartphone que traz muitas melhorias em relação ao A32 e coloca o modelo intermediário em um patamar mais elevado. As mudanças foram bem-vindas, como o design mais premium e o desempenho superior, porém gostaria que ele fosse menos parecido com o seu irmão A53 5G.

A sensação que tive foi que o A33 5G, somente nesta atual geração, se tornou uma espécie de "Galaxy A53 mini", pois é praticamente idêntico ao modelo mais caro, apenas com alguns cortes para justificar o valor um pouco menor.

O problema é que a diferença de preço entre um e outro é tão pouca que acaba não fazendo sentido optar pelo Galaxy A33 5G em vez do A53 5G, pois ambos podem ser encontrados no varejo na faixa dos R$ 2.200 e R$ 2.400. Por um pouco mais, você recebe uma tela Super AMOLED mais fluida, além de 2 GB de RAM extras.

Em algumas ofertas, o Galaxy A33 5G já apareceu por cerca de R$ 1.800, o que é um preço bem mais agradável, embora ainda no mesmo patamar dos Galaxy A52s 5G e Galaxy M52 5G. No futuro, quando a Samsung interromper das vendas dos celulares mais antigos, talvez este Galaxy A possa se tornar uma alternativa interessante. Até lá, sugiro procurar outros modelos.