Review Moto E6s | Básico demais para a atualidade

Por Jucyber | Editado por Léo Müller | 30 de Maio de 2022 às 15h38
Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

O celular Moto E6s foi anunciado em 2020 e, desde então, chamou a atenção do público pelo preço baixo aplicado nele. Todavia, a experiência de uso é focada em quem deseja o produto mais simples possível, e não um grande custo-benefício, assim como vemos na linha Moto G.

Por se tratar de um produto básico, obviamente, cortes nas configurações foram feitos para se enquadrar nessa categoria com coerência e, de alguma forma, proporcionar um produto honesto em tudo que se propõe.

Mas será que ainda vale a pena adquirir esse celular com tantas alternativas — até mesmo dentro da Motorola — que fazem mais sentido? Confira a minha opinião na análise completa.

Confira o preço atual do Moto E6s

Prós

  • Entrada para fone de ouvido
  • Bom desempenho para a categoria

Contras

  • Bateria com autonomia abaixo do esperado
  • Tela de baixa qualidade
  • Atualizações espaçadas
  • Câmeras muito básicas

Design e construção

O Moto E6s é o tipo de smartphone que se caracteriza como básico em todas as suas camadas, inclusive no design. O corpo é todo em plástico, como já era de se esperar para um produto dessa categoria.

Esse aspecto simplório do celular de entrada da Motorola não proporciona nenhum tipo de decoração para dar uma identificação diferenciada ao produto, assim como vemos atualmente no E 20.

Todavia, dá para notar um esforço da marca para tal com a coloração degradê no verso, que está presente tanto no modelo Azul Navy quanto no Vermelho Magenta. Atrás, também é possível encontrar um módulo discreto com duas lentes e o sensor de digitais sobre a logo.

Entrada para fone de ouvido do Moto E6s (Imagem: Ivo/Canaltech)

No topo, está o conector 3,5 mm para fones de ouvido, e essa opção de entrada fazia ainda mais sentido para o Moto E6s pelo fato de a marca disponibilizar o acessório diretamente na embalagem.

Embaixo, existe apenas a entrada microUSB e um buraco pequeno no qual está o microfone. Além dos fones, a caixa do aparelho também possui um carregador e o cabo para recarga e transferência de arquivos.

Tela

O Moto E6s possui tela de 6,1 polegadas com o formato Max Vision, no qual a proporção do display permite a visibilidade com conteúdo com um maior aproveitamento frontal dentro do prospecto mais alongado na extremidade e estreito nas laterais.

A resolução trabalhada pela marca nesse visor é 720 x 1560 pixels, mas o tamanho da tela faz com que a qualidade geral para exibição de conteúdo não seja agradável. Além disso, há uma perda significativa de detalhes em filmes, séries e jogos, mesmo naqueles que suportam configurações gráficas mais robustas.

Tela do Moto E6s (Imagem: Ivo/Canaltech)

Assim como outros modelos de entrada, o E6s também possui painel com tecnologia IPS LCD. Por isso, as cores reproduzidas são básicas para a visibilidade, pois não há nitidez agradável, e o brilho pode deixar a desejar em ambientes com alta iluminação, como sob a luz do sol.

Outro ponto que precisa ser citado é o fato de esse celular ter o entalhe em gota no qual a câmera frontal está abrigada. Felizmente, esse tipo de notch não ocupa muito espaço, então ainda traz vantagem no aproveitamento frontal.

Configuração e desempenho

A respeito do desempenho, o Moto E6s vem equipado com o MediaTek Helio P22, que é o mesmo utilizado no Samsung Galaxy A10s. O maior defeito desse chipset é o tempo entre o seu lançamento e o uso no smartphone, já que ele foi oficializado em 2018 e implementado no produto de 2020.

Para complementar a performance, a Motorola disponibiliza algumas opções de configurações. O aparelho possui versões de 2 GB e 4 GB de memória RAM, bem como 32 GB e 64 GB de armazenamento interno.

No uso prático, o comportamento dele ainda é aceitável para a categoria, mas não é rápido ou muito lento. Entretanto, não dá para ignorar que o desempenho entregue por ele já pode ser considerado aquém de muitas opções presentes no mercado atualmente.

Moto E6s (Imagem: Ivo/Canaltech)

Por se tratar de um aparelho bem simples, ele só permite o aproveitamento de opções básicas no dia a dia, como o uso em redes sociais, conteúdos em streaming e alguns jogos com as configurações ajustadas no padrão, como é o caso de Free Fire.

Já no teste padrão de benchmark, o aplicativo Geekbench registrou 157 pontos em single-core e 825 pontos em multi-core no modo CPU, mas a versão Compute não é compatível com a versão do app aplicável no celular.

Usabilidade

O Moto E6s foi disponibilizado para venda com o Android 9 Pie e, desde então, a Motorola não realizou nenhuma atualização no sistema operacional. O aparelho também parou de receber o pacote de segurança em janeiro de 2022, e isso é um indício de que a marca pode estar abandonando o suporte desse celular.

Ao contrário de outros modelos da empresa, o Moto E6s não possui o menu que dá acesso aos Moto Gestos, porém existem alguns recursos que podem ser ajustados para explorar as opções implementadas no aparelho básico.

Interface Moto E6s (Imagem: Ivo/Canaltech)

Por exemplo, o agito do smartphone para ligar ou desligar a lanterna, que é uma das opções mais antigas nos dispositivos da empresa, não funciona por aqui. Porém, é possível acessar a câmera através de dois cliques no botão power, ver as notificações ao tocar no leitor de digitais, entre outros recursos.

"O desempenho do Moto E6s é coerente com a sua categoria, mas a falta de atualizações pode ser um problema para a correção de bugs no Android e fortalecimento da segurança do sistema."

— Jucyber

Câmera

O Moto E6s conta com duas câmeras traseiras, e os sensores delas são de 13 MP e 2 MP, respectivamente. O principal permite que as fotos tenham um resultado aceitável para um produto de 2020.

A câmera entrega um bom nível de saturação, considerando outros modelos da mesma categoria, e permite o uso do HDR para deixar as imagens que pegam parte do céu iluminado menos estouradas. Dessa forma, dá para ter uma visibilidade geral agradável.

Câmera traseira do Moto E6s (Imagem: Jucyber/Canaltech)

Em filmagens a 1080p (Full HD), a falta de uma estabilização demonstra que usar esse celular para gravações pode não ser uma boa ideia. Mesmo que o corpo faça movimentos suaves, a forma como essas ações são passadas para o E6s prejudicam o resultado e deixa tudo muito tremido.

Já para fotos com uso do sensor secundário para efetuar o modo retrato, os contornos fazem recortes inesperados em partes que deveriam estar em destaque. E isso é válido não apenas para fios de cabelo, mas até mesmo para a o desfoque entre dedos.

Selfie

A câmera frontal tem um sensor de 5 MP embutido na lente com abertura f/2.2. O problema do Moto E6s não é apenas a configuração simplória embutida pela Motorola, mas também o pós-processamento que deixa desejar.

Câmera frontal do Moto E6s (Imagem: Jucyber/Canaltech)

É notório que as selfies perdem diversos detalhes que modelos mais recentes da marca conseguem entregar, mesmo nas versões mais básicas disponibilizadas no mercado. Em ambientes com boa iluminação, é notório o excesso de ruído nas fotos.

Com o modo HDR ativado, dá para sentir uma leve melhoria na selfie. O celular ainda se esforça muito para conseguir um tom de pele diferente do esverdeado notório, mas nada que me deixasse parecendo uma cosplay da She-Hulk.

Sistema de som

Seguindo o mesmo caminho de outros celulares básicos, o Moto E6s tem apenas uma saída de áudio. Esse alto-falante encontra-se na parte traseira do aparelho, e o posicionamento gera uma série de desvantagens.

Uma delas é o fato de ser necessário manter o celular fora da posição padrão para receber a sonoridade como o esperado. Outro ponto negativo na experiência de uso é que, em jogos, a mão tampa o speaker e dificulta a identificação do som de personagens, principalmente em games battle royale.

A respeito da qualidade de som, ele é bem básico. Não dá para sentir graves ou agudos marcantes, indicando que os médios dominam o alto-falante. É recomendável utilizar um fone Bluetooth para melhorar a experiência, já que os acessórios inclusos no kit não são tão bons quanto alguns modelos sem fio, como os AirDots, por exemplo.

Alto-falante do Moto E6s (Imagem: Ivo/Canaltech)

Bateria e carregamento

O Moto E6s tem bateria de 3.000 mAh, e essa capacidade já era abaixo do esperado em um aparelho básico no ano de 2020, imagine após esse período. Porém, o maior defeito desse smartphone não é a quantidade de carga que ele suporta, mas sim a falta de otimização.

Isso porque o aparelho tem um consumo maior do que o esperado para a categoria de entrada. No teste de reprodução na Netflix ao longo de 3 horas — com o brilho da tela em 50% —, o E6s consumiu 39% de sua carga.

Logo, isso quer dizer que o Moto E6s só suporta 7 horas e 30 minutos para esse tipo de uso. Na experiência prática, no entanto, ele conseguiu ser um pouco pior. Utilizando para acessar as redes sociais e jogar casualmente, ele consumiu 13% em 1 hora. Isso quer dizer que dá para ter até 7 horas de autonomia nesse tipo de usabilidade.

Outro grande problema desse celular é o carregamento dele, pois foi necessário deixá-lo plugado na tomada por 3 horas para que a bateria fosse de 0% a 100%. Para um usuário que deseja o aparelho para o uso contínuo, todo esse tempo para recarga é um problema.

Concorrentes diretos

Considerando as opções de entrada presentes no mercado após o período de lançamento do Moto E6s, existem duas alternativas que podem fazer mais sentido para o público que está em busca de um celular básico.

Um dos concorrentes é o Samsung Galaxy A03s. Esse aparelho vem equipado como chipset octa-core MediaTek Helio P35 e é comercializado no Brasil somente com a opção mais avançada, que possui 4 GB de memória RAM.

Outro quesito que dá um destaque maior para o A03s é a capacidade de bateria, pois são 5.000 mAh, além de já vir de fábrica como Android 11 e uma interface muito mais recheada de recursos para aprimorar a usabilidade.

Samsung Galaxy A03s (Imagem: Ivo/Canaltech)

Para aqueles que preferem o Android “puro” da Motorola, o Moto E20 pode ser a alternativa ideal. Essa interface é baseada na variante Go do sistema operacional, e a maior vantagem disso é a fluidez e leveza que ajudam a aprimorar a performance do modelo básico.

O celular possui grande parte de suas configurações semelhantes às vistas no Galaxy A03s, mas traz um pouco menos de bateria. Isso porque o E20 possui apenas 4.000 mAh, mas isso já garante uma autonomia maior do que a encontrada no E6s.

Em relação ao preço, o Galaxy A03s pode ser visto a uma média de R$ 850, enquanto o Moto E20 custa R$ 790 em grande parte das varejistas do país.

Moto E20 (Imagem: Ivo/Canaltech)

O Moto E6s ainda vale a pena?

O Moto E6s é um celular que pode ser indicado como uma ótima versão de modelo básico, caso esse argumento seja utilizado por um viajante do tempo em 2020. Porém, atualmente, não faz o menor sentido manter o interesse por esse produto como opção de compra.

Entre as características que fazem dele uma alternativa a se riscar da lista, está o fato de a própria Motorola ter parado de fornecer atualizações regulares para o smartphone, bem como a falta de update do sistema operacional, que permanece no Android 9 Pie.

Moto E6s (Imagem: Ivo/Canaltech)

Consequentemente, alguns aplicativos já começam a apresentar incompatibilidade com o E6s, e, em um futuro próximo, muitos games pararão de rodar nele pelo mesmo motivo. Sendo assim, o melhor é seguir em frente e buscar um celular básico mais coerente com o momento atual.

Logo, o melhor é partir direto para o Samsung Galaxy A03s que possui um conjunto de especificações mais recente e traz um sistema atualizado. Além disso, a bateria possui mais capacidade e, consequentemente, maior autonomia.

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