Empresas começam a adotar o remote first; saiba o que é essa estratégia

Empresas começam a adotar o remote first; saiba o que é essa estratégia

Por Roseli Andrion | Editado por Claudio Yuge | 06 de Janeiro de 2022 às 14h20
twenty20photos/Envato

O trabalho remoto mostrou seu potencial durante a pandemia. A adoção da prática tornou-se um convite para uma transformação maior. Já havia, entretanto, empresas que priorizam essa modalidade — elas adotam o conceito de remote first. Essas companhias recrutam profissionais de diferentes localidades — do Brasil e do mundo.

Embora tenham sede, escritório ou coworking, sua cultura organizacional é voltada à descentralização e ao uso da tecnologia como meio de aproximação. Nessas organizações, acredita-se que esse formato é mais vantajoso que o trabalho presencial para todos.

Henri Cardim, administrador de empresas pós-graduado em Consultoria Organizacional e Gestão em Negociação, lembra que é preciso cuidado ao aderir ao remote first. “É preciso orientar os colaboradores sobre como manter um ambiente de trabalho em casa — não é obrigação do funcionário saber tudo, mas sim da empresa treiná-lo para isso”, explica.

Uma pesquisa recente da Accenture mostra que 54% dos entrevistados se preocupam com a possibilidade de os colaboradores que trabalham presencialmente receberem tratamento preferencial. Além disso, 31% têm medo de que trabalhar de casa por muito tempo afete negativamente a progressão da carreira e 31% temem que os gestores não percebam nem valorizem a contribuição daqueles que trabalham remotamente.

Profissionais se preocupam com possibilidade de trabalhadores presenciais receberem tratamento preferencial (Imagem: Reprodução/Freepik/Racool_studio)

Cardim reforça que os gestores devem ser justos e imparciais com as equipes para que o remote first seja viável. “É imprescindível que os líderes sejam treinados para não serem centralizadores nem controladores e, especialmente, para não se prenderem ou valorizarem somente o modelo presencial de trabalho que, para alguns setores, se tornará obsoleto em poucos anos”, aponta. “A empresa e os gestores precisam entender que trabalho remoto ainda é trabalho, ou seja, as regras e a forma de tratar os colaboradores continuam iguais.”

É essencial, ainda, que os colaboradores estejam bem-informados sobre as novas regras, alinhados em relação ao processo e seguros para atuar no novo modelo. A liderança deve ser apoiadora e motivadora: seu papel é ser exemplo e a primeira a incorporar as novas boas práticas.

Ou seja, para a empresa operar dessa forma, os colaboradores devem trabalhar bem assim, de forma flexível, com poderes descentralizados, alinhados ao negócio e sem necessidade de monitoramento. Todos os envolvidos precisam ser remote first para que o modelo funcione.

Vantagens do remote first

O caminho para uma gestão equilibrada e justa não é único nem fácil, mas pode receber a ajuda de ferramentas online que garantam a interação dos integrantes da equipe. Além disso, é possível usar o espaço desocupado do escritório como hub de inovação em que os colaboradores se encontrem. E vale escutar os profissionais para conhecer os elogios e as queixas sobre o formato.

As vantagens da modalidade para a organização vão da economia com a estrutura física à ampliação das possibilidades de recrutamento, seleção e retenção de talentos. Já para os colaboradores, os fatores positivos incluem menor gasto de tempo e dinheiro no deslocamento até o local de trabalho, maior autonomia e mais qualidade de vida.

Além disso, a empresa precisa pensar nos aspectos práticos. Isso abrange a adoção de ferramentas digitais que possibilitem a transição do presencial para o online, a adaptação da infraestrutura de rede, o investimento em segurança de dados (ao se tornar uma estação de trabalho, o ambiente doméstico precisa estar em conformidade com as regulamentações) e outros.

Há vantagens tanto para empresas quanto para contratados (Imagem: Divulgação/Check Point)

Esse contexto proporciona agilidade em níveis mais altos de gestão. Há alguns anos, era comum que executivos de diversas localidades liberassem agendas e viajassem para reuniões de algumas horas. Depois, era preciso retornar e retomar o ritmo de trabalho. Além de demorado, o processo era caro, desgastante e improdutivo.

Um executivo podia perder três dias para participar de uma reunião de uma hora. “É difícil calcular o quanto a empresa perde nesse processo”, diz Cardim. “Reuniões presenciais ainda são importantes, mas muitas vezes é possível resolver problemas de forma mais rápida, barata e menos cansativa com a mesma eficácia.”

Com todas essas vantagens, muitas empresas de tecnologia já estão se tornando remote first e criando ferramentas para melhorar o formato. “A pandemia forçou a aceleração da implementação do conceito. Ele vem sendo aperfeiçoado a ponto de as vantagens esmagarem os contras. A boa aplicação é vantajosa em todos os níveis: do operacional ao executivo”, destaca.

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