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A difícil missão de coibir casos de assédio durante o home office

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valeriygoncharukphoto/Envato
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Uma das mudanças mais evidentes que a pandemia trouxe para o mercado de trabalho foi o home office. De um dia para o outro, uma parcela significativa da população mundial precisou começar a trabalhar de casa e empresas e funcionários precisaram se adaptar. O que é muito pouco debatido, e não deixa de ser importante, é a maneira com que as empresas lidam com denúncias de assédio.

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Em um primeiro momento, estar cada um na sua casa trouxe uma impressão de que este tipo de comportamento não ocorreria, um engano. Após o baque inicial da mudança brusca, os assediadores também se adaptaram ao novo modelo.

Isso é o que indica o compilado de dados feito pela ICTS Protiviti, consultoria de gestão de riscos, que administra canais de denúncias em companhias de diversos portes e segmentos no Brasil: entre os meses de abril a junho de 2020, no início da pandemia, aconteceu uma redução de mais de 20% nas denúncias. No entanto, após o período de maior impacto da pandemia, os índices voltaram aos patamares normais. Inclusive, 2020 fechou com um aumento de 6,2% em denúncias de casos de assédio em relação ao ano anterior.

O ambiente corporativo, ainda que de maneira indireta, impõe diversas normas de conduta e restrições. Fora deste ambiente, uma parcela dos funcionários passou a se sentir à vontade para extrapolar as regras e agir de maneira inapropriada. O fato de muitas comunicações passarem a serem feitas apenas entre duas pessoas e sem testemunhas, por exemplo, fez com que algumas pessoas perdessem o medo de praticar condutas imorais.

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Outro aspecto que se tornou ainda mais difícil durante a pandemia foi a apuração das denúncias de assédio — isso fez com que em 2020 o tempo médio de investigação subisse mais de 10% em relação a 2019, ultrapassando os 50 dias.

Criar medidas e parâmetros para que comportamentos inadequados não ocorram, é tão importante quanto encontrar maneiras de apurar denúncias e punir os responsáveis, uma vez que o trabalho remoto é visto como uma das grandes heranças da pandemia.

O problema é complexo e não há uma resposta imediata do que se deve ou não fazer. No entanto, é fundamental uma atenção prioritária a estes casos por parte do time de compliance. Só é possível com uma escuta empática, desenvolvimento de soluções e mensuração do quanto tal prática é efetiva ou não. Apenas o que é medido pode ser analisado. Querer coibir o assédio durante o período de home office é o mínimo, e buscar soluções para isso é o que vai garantir mudança deste cenário definitivamente.