Presente de natal? Apple evita tarifas com acordo comercial de Trump e China

Por Fidel Forato | 13 de Dezembro de 2019 às 20h30
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Em plena temporada de compras com a chegada das festas de final de ano e do tão esperado Natal, a Apple tirou a sorte grande. Isso porque evitou tarifas sobre seus principais produtos, incluindo o iPhone. E tudo graças a um anúncio do presidente Donald Trumpe uma amizade que vem sendo cultivada há um tempo - feito hoje (13).

No apaziguador discurso, o presidente americano afirmou que os EUA chegaram a um acordo comercial com a China e, com isso, as novas tarifas, que começariam a valer a partir de domingo (15), “não serão cobradas”. A medida anunciada anteriormente previa 15% de impostos cobrados em bens de consumo fabricados na China, incluindo telefones e computadores, quando vendidos nos EUA.

Além dessas novas taxas, a Apple teria que absorver tarifas já existentes sobre seus produtos, como Apple Watch e AirPods. Por enquanto, a companhia tem segurado os preços desses produtos nos Estados Unidos.

O acordo, que não foi assinado, deve ser um grande alívio para a companhia da Maçã, já que a protege das eventuais perdas de sua enorme cadeia de produção, localizada na Ásia, mas atualmente ameaçada pela guerra comercial entre Washington e Pequim.

Até agora, a Apple se recusou a comentar o acordo comercial. Mas o mercado tem comemorado: as ações da empresa subiram quase 1%, hoje (13), atingindo um novo recorde.

Medida que aumentaria impostos em iPhones importados da China é vetada por Trump

EUA X China

“Enquanto isso continua a ser um jogo de pôquer de alto risco entre os EUA e a China, a Apple, devido a esse prazo tarifário, estava diretamente no fogo cruzado, com a fabricação do iPhone na China”, comenta o analista do Wedbush, Dan Ives. Nesse cenário, a Apple tem mais a perder do que qualquer outra empresa se um acordo não puder ser alcançado, concluiu Ives, em nota.

Isso porque a China é um mercado muito importante para as vendas, em nível global, da Apple. Para entender essa influência em números, a companhia americana reportou uma receita de 51 bilhões de dólares só em 2018, vindas da região considerada como a Grande China - que inclui as cidades de Hong Kong e Taiwan. A região representa a terceira em relevância para a Apple em vendas. No mesmo ano, foram produzidos 218 milhões de iPhones, e o detalhe é que quase todos montados na China. As tarifas, caso impostas pela China para o iPhone, valeriam também para iPads e MacBooks, que também trazem lucros expressivos para a empresa.

Embora o acordo comercial afete bilhões de dólares em mercadorias, essa é uma vitória particular para o CEO da Apple, Tim Cook, que trabalhou pessoalmente para manter a comunicação aberta com o governo Trump, mesmo que isso colocasse em risco a própria empresa. Com a montagem do novo Mac Pro acontecendo nos Estados Unidos, a Apple recebeu boas isenções tarifárias para vários de seus componentes, o que aumenta sua competividade no mercado local.

“Para seu crédito, Tim Cook conseguiu manter um bom relacionamento com a administração, o que é positivo”, defende Thomas Cooke, professor da Universidade de Georgetown. Segundo Cooke, essa relação ainda pode render mais bons frutos.

Fonte: CNBC

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