Venda de livros físicos mais baratos na Amazon Brasil preocupa concorrência

Por Redação | 22.08.2014 às 10:25 - atualizado em 22.08.2014 às 11:35
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Os brasileiros que não dispensam uma boa leitura agora têm um motivo a mais para comemorar. Nesta quinta-feira (22), a Amazon começou a vender no Brasil livros em papel, pouco menos de dois anos após chegar ao país com a venda de títulos no formato digital.

Tudo indica que a estratégia recente da companhia se mostra benéfica para os dois lados da moeda: de um lado, aqueles que optam em ler pelo tablet encontram livros que custam em média R$ 5,00; do outro, os que preferem sentir o papel agora têm acesso a um catálogo com milhares de títulos a preços extremamente competitivos, frete grátis nas compras a partir de R$ 69 e o inovador "Leia enquanto enviamos", que dá ao usuário a chance de ler 10% do livro adquirido em seu formato digital durante a espera pela chegada do exemplar impresso.

Claro que o lançamento dessa nova seção na Amazon emitiu um sinal de alerta em sites e empresas concorrentes, como as tradicionais Saraiva, Livraria Cultura e Livraria da Travessa, além de grandes páginas do comércio eletrônico, como o Submarino e a Americanas. O motivo é simples: no formato físico, o mesmo livro vendido nessas lojas pode custar até 123% a mais do que na Amazon. É o caso de "A Tormenta de Espadas: As Crônicas de Gelo e Fogo - Volume 3", de George R. R. Martin, que na Amazon custa R$ 24,60, enquanto na Saraiva sai por R$ 25,90, na Cultura por R$ 54,90 e na Travessa por R$ 43,37.

"Certamente preços muito baixos na concorrência podem prejudicar o mercado. No médio prazo, o leitor vai ver a diversidade hoje disponível abalada, terá a sua liberdade de escolha atingida", disse Roberto Guedes, diretor da carioca Travessa, em entrevista ao jornal O Globo. "Prefiro não nos comparar, até porque existem outras ótimas livrarias no Brasil, mas destacaria com orgulho nossa curadoria, ambiente, qualidade de atendimento. Nosso lema é 'aqui é o leitor quem escolhe os livros'. Manteremos o que nos tornou o que hoje somos: seleção criteriosa e plural de estoque".

A Livraria Cultura não se pronunciou até o momento. Já a Saraiva, por meio de um comunicado, diz que "não comenta sobre outras empresas, mas vê um filão específico no mercado e vai seguir apostando em educação básica, ensino técnico e superior, em especial Direito, onde é líder de mercado", além de novas tecnologias, como um leitor digital batizado de Lev, um concorrente ao Kindle desenvolvido pela Amazon.

A Amazon iniciou suas operações no Brasil em dezembro de 2012, mas apenas com a venda de e-books. O país é o primeiro na América Latina em que a gigante do varejo norte-americano começa a vender livros físicos e, de acordo com a companhia, é o maior catálogo de obras impressas oferecidos por uma loja virtual no país. São 150 mil títulos de mais de 2,1 mil editoras que são entregues em até 1 dia útil (no caso dos clientes que moram em São Paulo). "A gente já vendeu milhões de livros desde que começou nossa história aqui 20 meses atrás", comentou Alexandre Szapiro, vice-presidente da Amazon no Brasil.