Oculus VR é processada por roubo de informações sobre realidade virtual

Por Redação | 22 de Maio de 2014 às 13h47
photo_camera Divulgação

Recém-comprada pelo Facebook, a Oculus VR, desenvolvedora do headset Oculus Rift, foi processada pela empresa ZeniMax Media, dona dos estúdios de games Bethesda (Fallout, The Elder Scrolls V: Skyrim) e Id Software (Doom, Quake). A companhia acusa a Oculus VR e seu fundador, Palmer Luckey, pelo suposto roubo de informações sigilosas sobre a tecnologia de realidade virtual.

De acordo com o site The Verge, o processo foi registrado nesta quinta-feira (21) em um tribunal do Texas, nos Estados Unidos. Os problemas começaram quando John Carmack, um dos fundadores da Id e principal responsável pelo jogo Doom, saiu de seu antigo emprego para fazer parte da equipe que trabalha no Oculus Rift, em novembro do ano passado. A acusação feita pela ZeniMax é que Carmack, assim que deixou a companhia, levou consigo informações sigilosas de tecnologias para o novo trabalho.

Apesar de acusar John Carmack, a ZeniMax moveu um processo apenas contra Luckey. Segundo a empresa, ele e sua equipe utilizaram tecnologias roubadas para construir ferramentas de desenvolvimento para o Rift e representam "concorrência desleal e violações de contato e direitos autorais". Além disso, a ZeniMax afirma que, com a ajuda de Carmack, a Oculus VR contratou vários de seus ex-funcionários que também conheciam informações confidenciais sobre o funcionamento interno da empresa e suas tecnologias.

"A propriedade intelectual [dos nossos produtos] constitui a base do nosso negócio", disse o CEO da ZeniMax, Robert Altman, em um comunicado. "Não podemos ignorar a exploração ilegal de propriedade intelectual daquilo que desenvolvemos e possuímos, nem vamos permitir sua apropriação e violação (...). A tecnologia proprietária que o Sr. Carmack desenvolveu quando era um funcionário da ZeniMax, e agora usada pela Oculus, são de propriedade da ZeniMax".

Em nota à revista INFO, a Oculus VR disse que "está desapontada, mas não surpresa pelas ações da ZeniMax e que vai provar que as acusações são falsas". "A razão principal pelos ataques é que John deixou permanentemente a Zenimax em agosto de 2013 porque a própria ZeniMax proibiu o desenvolvimento de tecnologias de realidade virtual. A ZeniMax não procurou a Oculus até a aquisição do Facebook ter sido anunciada e aí começaram os ataques", completou.

A criadora do Oculus Rift ainda diz que o código fonte do headset está disponível na internet pelo site developer.oculusvr.com e "ninguém até hoje identificou nenhum código 'roubado' ou tecnologia da Zenimax".

O Oculus Rift se tornou um dos primeiros projetos a alavancar a popularidade do Kickstarter. O protótipo começou com um grupo pequeno de desenvolvedores (Palmer Luckey, Brendan Iribe, Michael Antonov e Nate Mitchell) em uma garagem pedindo US$ 250 mil para financiar o desenvolvimento do produto. Mais de 9.500 pessoas ajudaram nas doações e a campanha foi concluída com um total de US$ 2,4 milhões em 2014. Desde então, a startup recebeu apoio de vários outros investidores, como Gabe Newell, da Valve, e do próprio John Carmack.

Mark Zuckerberg anunciou a compra da Oculus VR em março por US$ 2 bilhões e a expectativa é que o negócio seja concluído ainda no primeiro semestre deste ano. O pagamento envolve US$ 400 milhões em dinheiro e o restante, US$ 1,6 bilhão, foi transferido em forma de 23,1 milhões de ações do Facebook. O acordo ainda inclui um pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro e ações caso certas metas sejam atingidas agora que a startup pertence à rede social.

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