Foxconn enfrenta desafios para implantar seu estilo em fábrica brasileira

Por Redação | 07 de Janeiro de 2013 às 11h25

A Foxconn, conhecida por ser uma das maiores fornecedoras de componentes para os produtos Apple, iniciou sua expansão global abrindo fábricas em diversos países, incluindo o Brasil. No entanto, os métodos de trabalho aplicados em suas plantas na China não têm se mostrado eficazes no território brasileiro, e a empresa está enfrentando grande resistência por parte de seus funcionários, segundo informações publicadas pelo Financial Times.

Instalada na cidade de Jundiaí, no interior paulista, a fábrica brasileira da Foxconn enfrentou em outubro de 2012 uma paralisação dos seis mil funcionários que reinvindicaram melhores refeições no restaurante da companhia. Além disso, eles também reclamaram dos transportes superlotados até a fábrica, das longas jornadas de trabalho e da falta de planos de carreira.

A empresa anunciou recentemente um novo plano de expansão no Brasil, com investimentos de US$ 12 bilhões (R$ 24,6 bilhões). As fábricas da Foxconn serão responsáveis pela produção nacional de iPhones, iPads e iPods touch, em uma tentativa de reduzir os impostos sobre os produtos da Apple e diminuir seu valor de mercado.

Especialistas afirmam que os métodos autoritários de gestão da Foxconn não conseguem agradar aos funcionários de outros países, causando choque cultural, já que nem todos os países são adeptos das políticas de trabalho empregadas na China. Mesmo sendo a montadora favorita de muitas empresas de tecnologia por garantir resultados rápidos, a Foxconn esteve envolvida em uma série de casos de suicídio, contratação de menores de idade e tumultos em suas plantas chinesas, o que chamou a atenção de seus clientes e de órgãos reguladores mundiais.

Foxconn Brasil

Reprodução: A Folha de S. Paulo

"Muitas companhias semelhantes estão avançando de uma estratégia de produção mundial para uma estratégia mais regional", afirmou David Simchi-Levi, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). "É uma estratégia completamente diferente daquela que víamos as empresas usar há 10 ou 15 anos". A expansão global da Foxconn irá favorecer seus clientes, que poderão gastar menos com transporte de mercadorias, taxas de importação e outros impostos sobre os produtos.

Mesmo com os planos de expansão de sua produção em outros países, a maior parte da sua linha de fabricação de componentes continuará centralizada na China, onde a mão de obra é vasta e barata. Para ter uma ideia, um funcionário brasileiro da empresa tem salário inicial de US$ 550 (R$ 1.126) contra os US$ 300 (R$ 614) pagos aos trabalhadores chineses.

E pessoas ligadas à Foxconn afirmam que a empresa tem conseguido lidar muito bem com as diferenças culturais e até evitar conflitos presenciados na China, já que a maior parte dos executivos empregados pela companhia é composta por profissionais locais que conhecem as leis e a cultura de seus funcionários.

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