Chega de rumores: Apple Watch é anunciado oficialmente

Por Redação | 09 de Setembro de 2014 às 15h03
photo_camera Divulgação

A Apple encerrou os rumores e apresentou seu primeiro passo no mundo da Internet das Coisas. Em um evento realizado na tarde desta terça-feira (09), a companhia anunciou o Apple Watch, seu relógio inteligente que tem lançamento marcado para o ano que vem.

Com um design quadrado e bastante característico da marca, o aparelho chega com opções de pulseiras metálicas, em couro ou de borracha. O designer Jony Ive afirma que a Apple sabia que um único estilo não poderia agradar a todos, por isso, pensou em diferentes tamanhos, cores, formas e materiais, de forma que o Watch pudesse se adequar ao estilo de cada um e também ao momento do dia em que está sendo usado.

Por isso mesmo, existirão três versões do relógio inteligente. Chamadas respectivamente de Apple Watch, Apple Watch Sport e Apple Watch Edition, elas são voltadas para diferentes tipos de público e variam em tamanho de tela e outras especificações.

Todas as versões contam com tela Sapphire Glass, mas a versão Sport, por exemplo, tem um corpo 60% mais resistente, além de ser mais leve e durável que as outras. Enquanto isso, a versão "Edition" tem corpo em ouro 18 quilates, voltada especificamente para o mercado de luxo e de alto padrão.

Mas a grande revolução, pelo menos nas palavras da Apple, é o que a empresa está chamando de Digital Crown, o botão físico na lateral que é semelhante ao dos relógios tradicionais. Aqui está boa parte da interação com o aparelho, já que a empresa acredita que a tela é pequena demais para funções como o zoom e a exibição de diversos elementos. A usabilidade chega a lembrar a dos antigos iPods e suas clássicas Click Wheels.

Apple Watch

Um aperto do Digital Crown, por exemplo, leva o usuário de volta ao menu inicial. Girar o componente, como dá para imaginar, serve para fazer o scroll entre as opções na tela. Outra novidade de usabilidade, porém, está nos sensores no interior do aparelho, que conseguem detectar quando o usuário está olhando para a tela, de forma a ativar suas principais funções.

Mas isso não significa que os toques foram deixados de lado. O aparelho conta, sim, com uma touchscreen, que permite ações como a escolha dos conteúdos e a realização de desenhos simples. Sensores localizados abaixo do display reconhecem com precisão a diferença entre um pressionamento e um simples toque, gerando reações diferentes.

Apple Watch

Como era de se esperar, o aparelho vem com um grande foco no fitness e no mercado de saúde, contendo sensores que, em contato com a pele do usuário, são capazes de obter informações como a frequência cardíaca, nível de suor e o exercício físico que está sendo realizado no momento. Esses dados também podem ser compartilhados com outros usuários ou organizações médicas, para a realização de um acompanhamento constante e em tempo real.

Tudo funciona a partir de um conjunto de quatro componentes na parte de trás, que se parecem bastante com câmeras digitais. São eles os grandes responsáveis por boa parte das funções do Apple Watch. Nas palavras hiperbólicas da Apple, trata-se do primeiro dispositivo realmente completo voltado para a prática de exercícios físicos, já que ele não apenas monitora os gastos de energia e calorias, mas também lembra o usuário de certas atividades. Notificações, por exemplo, exigem a prática de 30 minutos de exercício por dia ou lembram o utilizador que ele deve ficar em pé por um minuto a cada hora sentado à frente do computador no trabalho.

Ele também permite que objetivos sejam fixados, com os cálculos do que é necessário para isso sendo feitos automaticamente. Em conjunto com aplicativos, é possível rastrear de forma mais precisa a realização de determinados exercícios ou adicionar ainda mais funções ao aparelho.

Mais do que um acompanhante de luxo

Outro rumor confirmado durante a apresentação do Apple Watch foi a ideia de que a Apple gostaria que seu relógio inteligente fosse mais do que um parceiro ligado diretamente ao smartphone. É claro, o dispositivo ainda precisa estar lado a lado com um celular para funcionar, mas exibirá, sozinho, boa parte das informações.

Apple Watch

Em uma demonstração ao vivo, a Apple exibiu funções como a visualização de mensagens, cotações da Bolsa e até mesmo a possibilidade de responder utilizando comandos de voz, tudo a partir do próprio pulso. A Siri também foi usada, por exemplo, para verificar horários de cinema, com os resultados aparecendo diretamente na tela do Watch. O gadget também será totalmente compatível com o Pay, o sistema de pagamentos que também foi revelado nesta terça-feira.

O mesmo vale, também, para o aplicativo de mapas, com todas as informações exibidas no display do relógio. Aqui, o aparelho leva em conta que o usuário pode estar a pé e, por isso, exibe as orientações de forma mais apurada, com a Digital Crown sendo utilizada para dar zoom no aplicativo. É possível ouvir as indicações ou simplesmente olhar para o Apple Watch para saber de tudo.

Aplicativos de terceiros também entraram nessa onda. É o caso, por exemplo, do Twitter, que apresenta uma interface que traz os botões de retweet ou favoritar para a tela do Apple Watch, ou a American Airlines, que exibe o horário de seu voo, portão e assento, bem como outras informações.

A Internet das Coisas também está nos planos da Apple já que, como se esperava, o Watch tem integração completa com o HomeKit e os dispositivos dessa categoria. Assim, é possível controlar termostatos e luzes a partir do relógio, bem como abrir fechaduras por meio de movimentos padrões ou que podem ser customizados pelo usuário.

Olhar para o passado e o futuro

O anúncio foi feito da mesma forma que no passado, ecoando às boas e velhas apresentações de Steve Jobs. Ao final do keynote, o CEO Tim Cook revelou que tinha “algo mais” para mostrar (“one more thing”) e apresentou a nova categoria de produtos da empresa. O dispositivo foi citado como o aparelho mais pessoal já criado pela companhia e também "o melhor relógio do mundo".

Mais do que isso, para o executivo, trata-se de uma prova de que a Apple ainda é uma empresa inovadora já que, mais uma vez, está entrando em um campo que ainda está nascendo com a ideia de revolucionar as poucas bases já firmadas. A empresa deseja, aqui, fazer com que os usuários realmente queiram um relógio inteligente e passem a integrar essa tecnologia a seu uso cotidiano.

Quando, como e quanto?

Cook explicou a exigência de uso do iPhone em nome da experiência, já que os dois dispositivos foram feitos para funcionarem de forma completa quando juntos. O Apple Watch é compatível com as versões 5 em diante do smartphone, um universo que, segundo a empresa, já é de 200 milhões de pessoas em todo o mundo.

O valor mais baixo cobrado pelo relógio é de US$ 349 (cerca de R$ 750), em seu modelo mais básico. Levando em conta que as outras opções utilizam corpo em ouro ou apresentam maior durabilidade, dá para esperar valores mais altos para as versões Edition e Sport. O lançamento está marcado para o início do ano que vem.

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