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Um em cada oito rios do mundo pode não ter oxigênio suficiente

Por  • Editado por  Patricia Gnipper  |  • 

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Unsplash/Jo-Anne McArthur
Unsplash/Jo-Anne McArthur

Um estudo global sobre a qualidade da água nos rios e córregos mostrou que pelo menos 12,5% dos rios ao redor do mundo sofrem de hipóxia — condição que indica menos de 2 miligramas de oxigênio dissolvido por litro d’água.

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Somente em março deste ano, centenas de milhares de peixes mortos apareceram na superfície do rio Darling Baaka, na Austrália, em três ocorrências diferentes ao longo de quatro semanas. O triste fenômeno é mais comum do que parece, como mostra o artigo publicado no periódico científico Limnology and Oceanography Letters. Um em cada oito rios pelo planeta está com concentrações de oxigênio abaixo do ideal.

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O oxigênio na água é bem mais escasso que na atmosfera. Em um corpo d’água saudável, sua concentração é de sete a oito partes por milhão (ppm) — a cada um milhão de moléculas, em média, apenas sete é de oxigênio. Pode parecer pouco, mas peixes sobrevivem bem em números como estes — o que deixa de ser verdade abaixo de duas ppm.

Monitorando a qualidade de rios em 95 países, de todos os continentes exceto a Antártida, os cientistas se surpreenderam ao notar que o fenômeno é mais frequente do que se imaginava. Dados de mais de 125.000 rios foram reunidos pela equipe e sua rede de colaboração, levando à conclusão de que 12,6% dos córregos já passaram por hipóxia pelo menos uma vez.

Os causadores da hipóxia

O número pode ser explicado por diferentes fatores ambientais. Primeiramente, rios menores e mais lentos estão mais ameaçados, pois a velocidade das águas é menos favorável à captura do oxigênio da atmosfera. O fator mais influente, porém, foi a temperatura da água, já que a quantidade máxima de oxigênio dissolvido no líquido diminui conforme a temperatura sobe.

Dentro de uma mesma bacia hidrográfica, por outro lado, a proximidade dos rios em relação a cidades e áreas pantanosas revelou uma tendência de maior ocorrência de hipóxia nestas áreas. Isso se deve não somente às menores velocidades de escoamento nestes locais, mas também à presença de matéria orgânica que favorece a proliferação de bactérias que consomem o oxigênio dissolvido.

Nestas regiões, a chance de um rio passar por hipóxia chegou a 20%, muito acima de áreas de florestas, campos ou mesmo de agricultura, onde o excesso de fertilizantes também pode ser um fator preocupante. As altas concentrações de nitrogênio e fósforo destas substâncias, caso cheguem aos rios, podem acelerar o crescimento de algas e bactérias, em um fenômeno conhecido como eutrofização.