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"Porta do Inferno" no Turcomenistão queima há 5 décadas

Por| Editado por Luciana Zaramela | 25 de Abril de 2024 às 15h39

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Tormod Sandtorv/CC-BY-2.0
Tormod Sandtorv/CC-BY-2.0

A chamada “Porta do Inferno” é uma cratera no Turcomenistão onde o gás metano está queimando ininterruptamente há mais de 50 anos — e ela foi criada, acidentalmente, por conta de erros humanos.

Na década de 1970, o Turcomenistão era parte da União Soviética, e trabalhadores do país exploravam a província de Dsoguz buscando fontes de petróleo e gás. Ao perfurar um campo na região, o solo começou a rachar e só parou quando uma cratera de 70 metros de diâmetro e 20 de profundidade se abriu.

Hoje, o acidente geográfico é conhecido como Cratera de Darvaza, mas a impactante visão de fogo levou à criação do apelido “Porta do Inferno”. O incêndio foi proposital, uma tentativa de extinguir o vazamento de metano que se iniciou após sua abertura, mas, cinco décadas depois, o fogo não cedeu — e segue queimando a mais de 400 ºC.

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A Porta do Inferno é perigosa?

A existência da Cratera de Darvaza começou a gerar preocupações às autoridades do Turcomenistão. Alguns dos receios estão ligados a uma das matrizes energéticas do país — combustíveis fósseis. Se continuasse queimando, o buraco poderia vazar metano demais, esvaziando as reservas. Ademais, ao escapar para a atmosfera, o gás poderia ser um poluente.

O cientista climático Euan Nisbet, da Universidade de Londres, conversou com a National Geographic sobre o assunto e afirmou que o vazamento de metano da cratera é insignificante se comparado a outros vazamentos do país.

Além disso, Guillermo Rein, do Imperial College London, afirma que o gás estar queimando é algo bom — a maior parte do metano, quando queima, vira CO2 e vapor de água. Embora sejam gases do efeito estufa, são bem menos poluentes do que o metano, e impedem que a cratera o jogue na atmosfera.

A questão é que o visual impressionante da cratera é um poderoso lembrete ao mundo de que as autoridades do país não conseguem lidar com seus vazamentos, segundo George Kourounis, explorador da National Geographic que foi o primeiro a descer em Darvaza, em 2013.

Como fechar a Porta do Inferno?

Por conta das implicações políticas, há planos para fechar a cratera. Para isso, são necessárias duas coisas — apagar o fogo e impedir que o gás siga vazando. Parar o fogo, segundo especialistas, é “fácil”, bastando cimentar o buraco com cimento de secagem rápida. Já sufocar a fonte de gás é mais difícil, já que o metano simplesmente escaparia por outra rota, dando outro vazamento para o país lidar.

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Seria preciso, primeiro, encontrar a fissura subterrânea que está emitindo o gás, sendo, então, possível jogar concreto para fechar a passagem. Os procedimentos, segundo Rein, são delicados.

Curiosamente, já houve planos de bombardear a cratera, método que já funcionou para extinguir incêndios no passado — inclusive com ogivas nucleares, algo feito pela última vez em 1981, por engenheiros soviéticos. O ex-presidente do país, Gurbanguly Berdimuhamedow, foi quem sugeriu a ideia, descartando-a antes de sair do poder, em 2022.

O político, no entanto, deixou nas mãos de seu filho e sucessor a tarefa de lidar com a Cratera de Darvaza, com a ideia de apagar o fogo e aproveitar o metano para fins energéticos. Contra-intuitivamente, no entanto, caso não se planeje usar recursos para fazer o procedimento com cuidado, o melhor seria deixar o buraco em paz.

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Fonte: AFP via National Geographic