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Experimento de 144 anos quer descobrir o tempo máximo de vida das sementes

Por| Editado por Luciana Zaramela | 14 de Novembro de 2023 às 16h47

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Francescosgura/Envato
Francescosgura/Envato

Nos Estados Unidos, cientistas da Universidade Estadual de Michigan (MSU) realizam um dos mais longos experimentos sobre a viabilidade germinativa de sementes armazenadas. Os testes que vão determinar por quanto tempo uma semente pode ficar guardada e se desenvolver, quando plantada, já duram 144 anos.

O mais interessante é que a pesquisa, inicialmente, focava em entender por quanto tempo as sementes de erva daninha podem sobreviver, o que ajudaria nos estudos da agricultura local. Só que o botânico William J. Beal, que iniciou o estudo no final dos anos 1970, nem imaginou que elas resistiram tanto. O último teste deve ser feito em 2100.

A seguir, veja as sementes com mais de 140 anos germinando, em vídeo time-lapse:

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Experimento com ervas daninhas

Antes de seguir para a mais recente etapa da pesquisa publicada na revista American Journal of Botany, é preciso explicar como foi desenhado o experimento de Beal, que ainda surpreende os pesquisadores.

Para melhorar a produtividade da lavoura norte-americana, o pesquisador queria determinar por quanto tempo uma semente de erva daninha poderia sobreviver armazenada. Então, ele encheu 20 garrafas de vidro com areia. Em cada uma, foram adicionadas 50 sementes, provenientes de 23 espécies de infestantes diferentes.

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Numa estratégia para evitar que mofassem e entrassem em decomposição, as garrafas foram enterradas com o bocal aberto e inclinado para baixo, impedindo o acúmulo de água.

Inicialmente, a cada cinco anos, uma garrafa era escavada e as suas sementes eram plantadas, buscando determinar quais espécies de erva daninha eram mais resistentes. Em 1920, o período foi ampliado para intervalos a cada 10 anos. Com medo que as garrafas acabassem antes de se alcançar alguma conclusão, o tempo foi modificado para cada 20 anos a partir de 1980. Dessa forma, o último recipiente será testado em 2100.

Sementes centenárias ainda germinam?

No mais recente capítulo da pesquisa, a equipe da MSU desenterrou uma nova garrafa e cultivou as sementes preservadas há 144 anos. “A maior surpresa para mim é que as sementes germinaram novamente”, afirma Frank Telewski, professor da universidade e líder do estudo, em nota. “É incrível que algo tão antigo ainda possa crescer”, acrescenta.

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Dessa vez, apenas dois tipos de ervas daninhas germinaram: a espécie Verbascum blattaria, também conhecida como a mariposa-verbasco, e uma espécie híbrida, fruta da junção da Verbascum blattaria e Verbascum thapsus.

A ocorrência da planta híbrida foi confirmada a partir de testes genéticos, o que também gerou surpresas na equipe. Afinal, no ano que as garrafas foram enterradas o DNA ainda não tinha sido descoberto pela ciência, então, se tratou de um erro acidental de Beal, que não usou apenas sementes da espécie original.

Preservação da flora

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É possível analisar, até o momento, o experimento norte-americano a partir de diferentes frentes. Em primeiro lugar, as ervas daninhas são muito mais resistentes do que qualquer pessoa poderia supor há mais de 140 anos. Além disso, a persistência das sementes do gênero Verbascum é altamente positiva, quando se pensa nos bancos de sementes e no futuro da flora em mundo que entrou na Era da Ebulição Global.

“Nos mais de 140 anos desde o início da experiência, a questão da longevidade dos bancos de sementes ganhou nova relevância, inclusive para a conservação de espécies raras e restauração de ecossistemas”, reforça Telewski. Neste ponto, as descobertas indicam que elas podem durar mais que anteriormente imaginado, ajudando a reflorestar biomas desmatados.

Fonte: American Journal of Botany e MSU