Estudo revela como as mudanças climáticas têm afetado as populações de plâncton

Estudo revela como as mudanças climáticas têm afetado as populações de plâncton

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 19 de Outubro de 2021 às 13h30
Colleen Durkin/Moss Landing Marine Lab

Os plânctons são criaturas minúsculas que desempenham um papel fundamental para a base da cadeia alimentar dos oceanos e, inclusive, para o ciclo do carbono do planeta. No entanto, as mudanças climáticas estão colocando estes organismos em perigo. Um estudo conduzido pela ETH Zurich avaliou como aumento da temperatura dos oceanos tem afetado a distribuição das populações destes organismo — e como isto impacta os ecossistemas marinhos.

Os plânctons são microrganismos incapazes de se movimentar contra as concorrentes oceânicas e, depois das bactérias, eles são a forma de vida mais abundante do planeta. Os mais comuns são os fitoplânctons e o zooplânctons e ambos despenham um papel fundamental à cadeia alimentar, ao ciclo do carbono e à produção de oxigênio para a atmosfera. Pela primeira vez, pesquisadores estimaram como estas espécies poderão se adaptar ao aumento da temperatura global.

População de fitoplâncton florescendo no Mar de Barents, na costa da Noruega e da Rússia (Imagem: Reprodução/NASA)

A pesquisa, conduzida pelo físico ambiental Fabio Benedetti, que é o principal autor do estudo, desenvolveu modelos de mapas sobre a distribuição global de mais de 860 espécies de fitoplâncton e zooplâncton. Em seguida, Benedetti e seus colegas utilizaram algoritmos estatísticos e modelos climáticos para determinar como estas populações sofreriam com as futuras mudanças do clima.

Os primeiros resultados indicaram um aumento nos dois grupos, mas, quando a temperatura média da superfície do mar superou os 25 °C, as populações de zooplânctons diminuíram nos trópicos, indicando a migração destes organismos para as águas mais frias dos polos. Nas regiões polares, até 40% dos fitoplânctons seriam substituídos por estes “intrusos” tropicais, revelando que não apenas os oceanos equatoriais seriam afetados.

Projeções das populações de plâncton para o período de 2081 a 2100 (Imagem: Reprodução/Fabio Benedetti el al.)

Em um primeiro momento, Benedetti explica que algumas áreas do oceano podem apresentar um aumento de espécies aparentemente positiva. "Mas esse aumento na diversidade pode representar uma séria ameaça à existência e ao funcionamento de ecossistemas marinhos bem estabelecidos em latitudes mais altas", acrescentou. Nas latitudes médias e altas, as comunidades de plâncton consistem em organismos maiores, os quais são eficientes na captura do carbono e são fundamentais para a cadeia alimentar.

De acordo com a simulações, o aumento das temperaturas torna os ambientes naturais menos hospitaleiros a estes organismos maiores, embora favoreça as espécies menores. Segundo os pesquisadores, substituir espécies menores pelas maiores resultaria na redução da eficiência da captura de carbono. “A única coisa que podemos determinar agora é o quão importante certas áreas do oceano são hoje em termos de diferentes serviços ecossistêmicos e se essa prestação de serviços mudará no futuro”, acrescentaram.

A pesquisa foi publicada na revista Nature Communications.

Fonte: ScienceAlert

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