Estudo prevê que até 95% da superfície do oceano global mudará para pior em 2100

Estudo prevê que até 95% da superfície do oceano global mudará para pior em 2100

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 27 de Agosto de 2021 às 14h40
NASA/Greg Shirah/Horace Mitchell

Os ecossistemas marinhos estão passando por uma profunda e negativa mudança devido ao aumento sem precedentes da temperatura e acidez dos oceanos, provocados em grande parte pelo dióxido de carbono produzido pela ação humana. Em um novo estudo, cientistas concluem que até 95% da superfície oceânica da Terra terá mudado até o fim deste século — provocando extinções em massa de espécies marinhas.

O clima da superfície dos oceanos é estabelecido a partir da temperatura superficial das águas, acidez e concentração de compostos orgânicos essenciais para a manutenção da grande maioria dos seres marinhos. No entanto, os atuais níveis de concentração de CO2 atmosférico, sem precedentes em pelo menos 3 milhões de anos, tornarão estes ambientes menos hospitaleiros à vida, caso estes níveis não sejam reduzidos imediatamente.

(Imagem: Reprodução/Kevin Gorospe/NOAA/NMFS)

Na pesquisa, os cientistas buscaram avaliar os efeitos que a poluição por carbono já provocou na superfície dos oceanos desde meados do século XVIII e os impactos dessas emissões até 2100. Para isto, os pesquisadores modelaram dois cenários: o primeiro, prevendo um pico de emissões de gases de efeito estufa até 2050, seguido por uma lenta redução no restante deste século; o segundo, demostrando o aumento contínuo dos atuais níveis pelos próximos 80 anos.

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Com isto, os pesquisadores descobriram que, no primeiro cenário, cerca de 36% das atuais condições da superfície dos oceanos, observadas também ao longo do século passado, provavelmente desaparecerão em 2100. No segundo cenário, com os níveis de emissão subindo, esse número sobe para 95%. Além disso, a equipe observou que, mesmo o clima da superfície oceânica passando por poucas alterações no século XX, no início do próximo século até 82% dela experimentará climas jamais observados na história recente do planeta.

(Imagem: Reprodução/NASA/Tim Marvel)

Isto significa oceanos mais quentes, mais ácidos e com menos minerais vitais para a manutenção e crescimento de todos os ecossistemas marinhos. A principal autora do estudo, Katie Lotterhos, da Northeastern University, disse que a mudança na composição do oceano devido à poluição de carbono provavelmente afetará todas as espécies localizadas na superfície. "Um clima no qual a temperatura e a química da água são comuns hoje será raro ou ausente no futuro", acrescentou Lotterhos.

Atualmente, espécies localizadas na superfície dos oceanos estão fugindo para áreas onde a acidez e temperatura das águas ainda se mantêm normais. Infelizmente, isto não será mais possível no futuro, pois praticamente todo o oceano global terá aumentado sua acidez e temperatura. "As comunidades de espécies encontradas em uma área continuarão a mudar e mudar rapidamente nas próximas décadas", ressaltou Lotterhos. Sem a mitigação das emissões, acrescentou a cientista, extinções na superfície dos mares acontecerão por todo o mundo em 2100.

A pesquisa foi publicado em 26 de agosto deste ano, na revista Nature Scientific Reports.

Fonte: ScienceAlert

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