Por que a água do mar forma espuma?

Por que a água do mar forma espuma?

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 12 de Setembro de 2021 às 19h00
Unplash/Ialo Hernandez

Quando uma onda se quebra na praia, é muito comum surgir uma espuma no mar, que, em condições normais, desmancha-se em poucos segundos. Em alguns lugares, forma-se uma camada tão espessa que até parece ter caído detergente no oceano. De certa forma, sim, tem detergente nessa mistura; no entanto, em grande parte de origem natural que, combinada ao movimento das águas, produz essa substância espumosa.

A espuma do mar contém, além do sal, muita matéria orgânica dissolvida das mais variadas origens, como gordura de animais e algas marinhas mortas. Tais compostos orgânicos atuam como surfactantes, os agentes espumantes — basicamente, detergentes naturais.

Essa espuma é um fenômeno global e varia dependendo da localização e dos elementos presentes naquela região, inclusive em rios, dependendo da concentração de matéria orgânica e do movimento das águas. E, claro, a ação humana também pode contribuir para a formação desse material espumoso ao lançar esgoto no mar.

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Formação da espuma do mar

(Imagem: Reprodução/Unplash/Dima Shishkov)

Normalmente, espumas no mar são atribuídas à grande proliferação de algas marinhas, mas também pela presença de zooplâncton, fitoplâncton, bactérias e fungos. Ao morrerem, essas espécies deixam uma grande quantidade de material orgânico, que são cada vez mais dissolvidos na água do mar e, eventualmente, atuam como detergentes.

A quebra das ondas no mar é a responsável por injetar o ar na coluna de água e, assim, dá origem as bolhas. As menores acabam por se desfazer, mas as maiores permanecem na superfície, aglomeram-se e formam a espuma. A matéria orgânica dissolvida na água estabiliza essas bolhas, deixando-as mais resistente.

Existem duas classificações de espuma do mar definidas por sua estabilidade ou resistência. A primeira é a espuma instável ou transitória, que dura apenas alguns segundos. A segunda é a espuma metaestável. Essa pode durar algumas horas ou até mesmo dias — quanto mais material orgânico no ambiente, maiores suas chances de durar por mais tempo.

A espuma também pode surgir como consequência de outros movimentos na água além das ondas — estas acabam sendo uma fonte natural de energia sinética (movimento) que alimenta este fenômeno. Por exemplo, caso a água do mar seja colocada em um pote fechado e, então, agitada, surgirá uma quantidade de espuma, a qual dependerá da quantidade de impurezas (os resíduos orgânicos) presentes nela.

Espuma impura, mas não necessariamente tóxica

(Imagem: Reprodução/Unplash/João Costa)

Os oceanos estão repletos de vida marinha, mas ela não dura para sempre e a morte desses organismos lança uma boa quantidade de resíduos orgânicos na água. A natureza tem seus processos de “limpeza”, como é o caso da espuma no mar. Na maioria das vezes, ela não oferece perigo aos humanos e, inclusive, sua presença é bom indicador da saúde daquelas águas. Apesar disso, a proliferação e morte de algas tóxicas pode tornar esta espuma danosa ao corpo e ao ecossistema.

A espuma do mar também desempenha vários papeis ecológicos, como o fornecimento de alimento e a criação de habitat para espécies marinhas minúsculas. Ela também atua como um meio de transporte para organismos e nutrientes até as chamadas zonas entremarés — a faixa de areia exposta ao ar durante a maré baixa. Dependendo do volume de espuma e da força dos ventos, ela pode ser transportada pelo ar.

Em um ambiente natural, a espuma do mar é o resultado comum entre a agitação da água provocada pelas ondas e o material orgânicos presentes ali. Contudo, infelizmente o despejo de resíduos industriais e de esgoto no mar contribuem para a produção excessiva dessa espuma, que, nestes casos, acaba sendo tóxica para nós e ao meio-ambiente.

Fonte: NOAA

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