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Estuário de Santos é um dos mais contaminados por microplásticos no planeta

Por| Editado por Patricia Gnipper | 19 de Junho de 2023 às 18h15

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Ribeiro et al./Reprodução via Agência FAPESP
Ribeiro et al./Reprodução via Agência FAPESP

Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que o estuário de Santos é hoje um dos locais com maiores índices de contaminação por microplásticos em todo o mundo. Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores avaliaram amostras da região da balsa Santos-Guarujá, da praia do Góes e da ilha das Palmas, comparando os resultados com estudos internacionais.

Abrigando o porto mais movimentado da América Latina e uma população de mais de um milhão de habitantes, a poluição marinha é algo bem conhecido para os cientistas que estudam a Baixada Santista. “Da minha perspectiva, nenhuma surpresa”, declara o professor Ítalo Braga de Castro sobre as descobertas do estudo. “Como eu já estudava outros contaminantes, via que essa região era recordista de contaminação também para outras substâncias químicas perigosas,” explica o pesquisador.

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Ao longo do mês de julho de 2021, a equipe de cientistas da Unifesp coletou mexilhões e ostras em três locais diferentes na Baixada, medindo, posteriormente, a presença de micropartículas plásticas nestes animais. Na região da balsa, que apresentou os piores resultados, foram encontradas de 12 a 16 partículas plásticas por grama de tecido dos seres vivos estudados.

Além de afetar as espécies aquáticas, os cientistas se preocupam pois esta contaminação pode estar chegando aos habitantes locais. Victor Vasques Ribeiro, doutorando do Instituto do Mar da Unifesp, afirma que “em um dos mexilhões, encontramos mais de 300 microplásticos por grama.” O pesquisador explica ainda que, no local de coleta em questão, vive uma comunidade tradicional de pescadores que “muito provavelmente consomem esses animais na dieta.”

As regiões de estuário consistem em um ambiente de transição entre a água doce e a salgada, sofrendo grande variabilidade de acordo com as marés. É nelas que estão localizados os manguezais, que servem de abrigo e local de reprodução para um número enorme de espécies. O estuário de Santos, porém, sofre com o descarte de efluentes domésticos e industriais dos municípios da região.

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Como as ostras e os mexilhões, animais da classe dos bivalves, não se locomovem, os cientistas os consideram um ótimo indicador das condições de um ambiente. Dessa forma, o grupo pretende expandir a pesquisa para outras regiões do país, analisando, com os mesmos parâmetros, estuários do Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Fonte: Science of the Total Environment Via: Agência Fapesp