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Esta planta pode conter vazamentos de petróleo no mar

Por| Editado por Luciana Zaramela | 16 de Janeiro de 2024 às 15h32

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Forest & Kim Starr/CC-BY-3.0
Forest & Kim Starr/CC-BY-3.0

Nativa da África e da Ásia, a espécie Calotropis procera pode ser conhecida por vários nomes, como flor-cera, bombardeira ou mesmo saco-de-velho. No Brasil, chegou no século 19 e, desde então, tem se proliferado, como no Nordeste. O interessante é que este arbusto tem um alto poder de absorção, o que faz dele o candidato ideal para conter vazamentos de petróleo no mar. 

Segundo estudos brasileiros já publicados, sabe-se que 1 g de fibra natural da flor-cera remove 76 gramas deste combustível fóssil. Já 1 g da fibra modificada pode absorver mais de 180 g, o que é mais eficiente que os absorventes comerciais sintéticos disponíveis no mercado.

Vazamento de petróleo no mar

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Quando ocorrem, os vazamentos de petróleo são classificados como um problema ambiental gravíssimo, já que colocam em risco a vida marinha. O combustível contamina o plâncton e outros organismos que são a base da cadeia alimentar. Além disso, pode provocar sufocamento, intoxicação e perda de isolamento térmico em animais das mais variadas espécies. Também pode tornar o ambiente tóxico.

No Brasil, um dos piores episódios foi registrado em setembro de 2019, mas as complicações se prolongaram por inúmeros meses. As investigações da época revelaram que as manchas foram provocadas pelo derramamento de um proteleiro grego. 

Sem muitas tecnologias disponíveis, os primeiros moradores ajudaram as limpar as inúmeras praias no Nordeste contaminadas, como mostram imagens do ocorrido:

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Como tirar o petróleo da água?

Em artigo para a plataforma The Conversation, o cientista Raoni Batista dos Anjos, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), conta que existem algumas formas de remover este óleo das águas, como:

  • Queima in-situ: Quando o petróleo é queimado no local do vazamento;
  • Biorremediação: uso de microrganismos para “quebrar” o óleo;
  • Recuperação mecânica: quando o petróleo é coletado com absorventes, em forma de mantas, travesseiros ou barreiras. Este seria o caso da planta flor-cera.

“A recuperação mecânica é, sem dúvida, a tecnologia mais comum para remoção de óleo resultante de vazamentos. Essa técnica apresenta simplicidade na aplicação e eficácia, além de não causar poluição secundária”, afirma Anjos.

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Busca por materiais absorventes

Hoje, a preferência é pelo desenvolvimento de materiais absorventes de óleo à base de fibras vegetais e resíduos agrícolas. São os casos da palha de milho, fibra de sumaúma, casca de arroz e serragem, além da fibra de flor-cera. Afinal, são biodegradáveis e não poluirão mais o meio-ambiente, já degradado pelo vazamento.

Entre os primeiros estudos brasileiros sobre a flor-cera, está a tese de doutorado da pesquisadora Larissa Sobral Hilário, da UFRN, de 2019. Só que esta foi seguida por outras inúmeras investigações, incluindo uma que conta com a participação do cientista Anjos, publicada na revista BioResources.

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Neste artigo, a equipe de cientistas descreve um experimento onde a fibra natural foi modificada quimicamente e hidrotermicamente, o que gerou o nível extremamente alto de absorção do petróleo

A partir dos resultados, os pesquisadores defendem que a planta cultivada no Brasil é uma opção para a produção em escala industrial de absorventes, já que é abundante e fácil de cultivar. Inclusive, o material pode ser potencialmente utilizado para a absorção de outras substâncias oleosas.

Fonte: BioResources, The Conversation e Forest & Kim Starr