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Cristais mais antigos do mundo contêm sedimentos mais velhos ainda

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

wirestock/Envato
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Cientistas acreditam ter encontrado fragmentos da crosta primordial da Terra nos cristais mais antigos do mundo — zirconitas de mais de quatro bilhões de anos atrás. O estudo, publicado na revista científica Earth, Atmospheric and Planetary Sciences, analisou os cristais de Jack Hills, no oeste da Austrália, cujo interior foi reprocessado pelo magma antigo da Terra.

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Apesar do planeta conter os mesmo átomos desde o início de sua existência, nada sólido dos primeiros milhões ou até bilhões de anos de história sobrevive, já que a matéria foi reprocessada desde então, provavelmente diversas vezes. É na Lua e em asteroides que conseguimos evidências mais diretas da época do surgimento do Sistema Solar.

Para os geólogos, é complicado não encontrar pedra alguma que esteve nos primeiros 10% da existência da Terra. Embora minerais desse tempo não tenham sobrevivido, a presença de restos continentais nas zirconitas mostra que a crosta terrestre era extensa e foi exposta aos elementos acima do nível do mar — um cenário bem incomum para as primeiras centenas de milhões de anos do planeta.

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Pedras inesperadamente antigas

Excetuando fragmentos vindos do espaço, as zirconitas australianas são os minerais mais antigos do planeta. Recentemente, elas foram usadas para provar que havia tinha chuva e oceanos há 4 bilhões de anos. Elas foram cristalizadas a partir de magma, mas não do oceano original, mas sim do magma feito de pedras mais antigas puxadas para o centro da Terra para derreter.

Após formados, os cristais foram incorporados em rochas sedimentares, que acabaram desmontadas pela erosão e espalhadas há muito tempo, deixando apenas as zirconitas para trás. A maior parte das informações sobre as rochas do magma formador se perdeu no reprocessamento, mas não tudo. Os cientistas sempre quiseram saber se elas eram sedimentares ou ígneas.

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Rochas ígneas são formadas pelo resfriamento do magma ou da lava do início da história terrestre, mas as sedimentares precisam de um ciclo de água para se formar — ou seja, serem expostas à atmosfera acima do nível do mar ou dos rios. A chuva causa, assim, sua erosão, levando o material para lagos e oceanos, onde as os fragmentos descansam nas profundezas e são convertidas em outros tipos de rochas.

Cientistas da Academia de Ciências da China, então, reavaliaram as zirconitas da Austrália e outras do Leito de Arenito Verde da África do Sul, que também podem ter bilhões de anos. Uma inteligência artificial foi treinada para reconhecer a assinatura de sedimentos dentro das zirconitas, descobrindo que várias guardam granito do tipo S, formado pelos sedimentos subduzidos pelo magma antigo.

Esperava-se que a proporção desse tipo de granito só subisse com a passagem do tempo, mas a pesquisa revelou que as zirconitas antigas tinham 35% do material, indicando que a proporção de granito tipo S aumenta e diminui, seguindo os ciclos de formação e colapso dos supercontinentes.

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O ponto central é que o granito é sedimentar, então precisa do longo processo aquático para se formar — indicando que as ilhas onde teria sido criado teriam de ser muito mais antigas. Isso quer dizer que os ciclos tectônicos de subducção da crosta para o manto ocorreram há pelo menos 4,2 bilhões de anos, como provado pelo granito nas zirconitas.

A Terra, à época, não teria sido um mundo seco, como se acreditava no passado, e nem um oceano sem terra, como se acreditava mais recentemente. Havia crosta no início da história do planeta — e encontramos pequenos pedaços dela.