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Teoria sugere que a água que você bebe hoje tem 4,5 bilhões de anos de idade

Por| Editado por Patricia Gnipper | 19 de Dezembro de 2022 às 19h02

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Civil/Envato
Civil/Envato

A origem da água presente na Terra é um debate que já rendeu diversas hipóteses na comunidade científica, várias delas com ótimas evidências em seu apoio. Desta vez, uma teoria retorna às origens do Sistema Solar para afirmar que o processo pode datar de 4,5 bilhões de anos, gerando a mesma água que bebemos hoje.

Não podemos voltar no tempo para acompanhar a formação do Sol, da Terra e dos outros componentes do nosso sistema, mas os avanços da astronomia vêm possibilitando cada vez mais observações de sistemas estelares universo afora, o que dá dicas valiosas de como o processo deve ter acontecido por aqui.

Na formação de um sistema estelar, a jovem estrela carrega consigo uma grande quantidade de água. Não de água propriamente dita, mas sim de seus elementos constituintes: o hidrogênio e o oxigênio. Ao longo de quatro etapas, estes elementos vão passar por transformações químicas e físicas até chegarem a um planeta em formação na órbita de tal estrela.

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As quatro etapas da formação da água

Tudo começa em uma nuvem, predominantemente de hidrogênio, mas com traços de hélio, oxigênio e partículas de poeira. O oxigênio passa a se fixar sobre estas partículas e é congelado graças às baixíssimas temperaturas do universo. O hidrogênio, mais leve, ao se movimentar livremente pela nuvem, acaba encontrando o oxigênio e forma gelo.

A segunda etapa acontece devido à ação da gravidade. As partículas de gelo acumuladas vão se atraindo, até formar uma massa no centro da nuvem, no que pode ser chamada de protoestrela. Neste processo, há um aquecimento para a faixa dos 100 Kelvin (-173 ºC), devido à energia gravitacional. Isso é um gatilho para a condensação do gelo, que passa ao estado de vapor.

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A terceira fase acontece na formação do disco protoplanetário. A nuvem gasosa se transforma em um disco que rotaciona em torno da estrela em formação. O vapor d’água que vai se afastando do centro volta à fase sólida, acumulando-se novamente sobre as partículas de poeira.

Na última etapa, a gravidade organiza as partículas na configuração do sistema estelar. No caso do nosso Sistema Solar, os planetas e asteroides já estão neste momento na posição que conhecemos e a água que foi acumulada nos fragmentos que formaram a Terra está presente no planeta até hoje. 

É isso o que sugerem os cientistas por trás desta nova teoria, divulgada em estudo publicado no periódico científico GeoScienceWorld Elements.

Como calcular a idade da água na Terra?

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Os cientistas conseguem fazer os cálculos da idade da água na Terra graças à existência de uma variante dela chamada “água pesada”. A água pesada é composta por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, assim como a comum. O que a diferencia é a presença de um hidrogênio diferenciado chamado deutério.

Enquanto um átomo comum de hidrogênio possui apenas um próton em seu núcleo, o deutério possui ainda um nêutron. Isso não transforma o átomo em outro elemento, mas quase dobra sua massa atômica. A água pesada é rara no universo, já que apenas um em cada 100.000 átomos de hidrogênio é um deutério.

Porém, na primeira etapa de formação da água discutida anteriormente, o deutério presente na nuvem molecular se acumula rapidamente, gerando uma maior abundância do que o normal. Como a água presente hoje na Terra também apresenta mais deutério do que a média universal, os cientistas deduzem que ela tenha se originado neste período. Graças ao ciclo dessa substância no planeta, grande parte da água que sai da nossa torneira deve ser a mesma que se formou há bilhões de anos.

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O estudo afirma que entre 1% e 50% da água da Terra tenha vindo da formação do Sistema Solar.

Fonte: GeoScienceWorld Elements; Via: Universe TodayScience Alert