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Cientistas encontram microplásticos em caverna fechada a humanos há 30 anos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 03 de Outubro de 2023 às 09h24

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Pexels/Pixabay
Pexels/Pixabay

Conhecida como Cliff Cave, nos EUA, uma caverna ficou 30 anos sem a presença de nenhum ser humano. Mesmo após todo esse tempo, pesquisadores encontraram microplásticos nas águas locais. As descobertas foram publicadas em artigos nas revistas Science of The Total Environment e Water Research, no último mês de agosto.

O ocorrido serve como um alerta, uma vez que essas substâncias claramente alcançam lugares onde nem os humanos conseguem chegar com facilidade. Até então, a estimativa era que lugares livres de humanos fossem seguros. Os pesquisadores continuam a acreditar nisso, mas mostram a intenção de investigar.

A equipe em questão coletou amostras em todo o sistema da caverna e encontrou microplásticos em quase todos os lugares, mas as maiores concentrações estavam perto da entrada.

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Microplásticos em caverna

“Sabíamos que se encontrássemos microplásticos na caverna, não seria porque alguém acabou de voltar para a caverna e derramou fibras de suas roupas ou deixou embalagens de comida", refletem os pesquisadores, em comunicado.

De acordo com o relatório, foram as inundações que trouxeram microplásticos para a caverna, carregados pelo excesso de água. “Não tínhamos certeza do que esperar do conjunto de dados, mas descobrimos que a entrada principal da caverna é onde há muitos detritos microplásticos, seja da deposição de inundações ou possivelmente de partículas microplásticas suspensas no ar sendo depositadas perto da abertura", estimam os especialistas.

Os pesquisadores revelam que esse tipo de terreno pode ser particularmente suscetível à poluição por microplásticos porque a presença de grandes aberturas de dissolução permite o transporte rápido de água através dos sistemas.

O grupo não conseguiu identificar as origens de todos os microplásticos, mas a caverna fica perto de áreas residenciais, e pesquisas anteriores mostram que a densidade populacional é o maior determinante da concentração local de microplásticos.

Microplásticos nos oceanos

O acúmulo dessa substância tem sido uma verdadeira razão de preocupação para a ciência. Para se ter uma noção, no ano passado, um artigo publicado por pesquisadores espanhóis revelou que a quantidade de microplásticos nos oceanos triplicou nos últimos 20 anos.

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Na ocasião, os cientistas encontraram o material inalterado após décadas de deposição, ou seja: a degradação das partículas é interrompida quando estão presas entre os sedimentos marinhos. O grupo levantou um alerta para plásticos que datam desde a década de 1960 no fundo do Mediterrâneo.

Malefícios dos microplásticos

Os microplásticos já foram detectados em inúmeras espécies de vida marinha, do plâncton a baleias, mas o problema não afeta apenas esses organismos: já foram encontrados em frutos-do-mar comerciais e em água potável.

Anteriormente, cientistas descobriram que os microplásticos invadem o cérebro 2 horas após a ingestão, e que essas substâncias podem inclusive perturbar funcionamento de hormônios sexuais.

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Fonte: Science of The Total Environment, Water Research