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Digna de Senhor dos Anéis | A premiada “árvore ambulante” da Nova Zelândia

Por| Editado por Luciana Zaramela | 06 de Junho de 2024 às 13h49

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Callum O'Hagan/CC-BY-S.A-2.0
Callum O'Hagan/CC-BY-S.A-2.0

Uma planta de aspecto curioso ganhou a competição de Árvore do Ano na Nova Zelândia, e, ao olhar para ela, é fácil saber o porquê — a rātā-do-norte (Metrosideros robusta) é muito semelhante a um Ent, árvore mitológica ambulante presente no livro O Senhor dos Anéis e em sua adaptação cinematográfica de mesmo nome, cujo representante mais famoso é o personagem Barbárvore.

O apelido da rātā específica se tornou “Árvore Ambulante”, já que parece estar caminhando por um campo neozelandês. A espécie representa as árvores floríferas mais altas do país, podendo viver até os 1.000 anos. Suas raízes e tronco podem ficar muito grandes, ao menos na perspectiva humana. 

O “Barbárvore” em questão fica no centro de um padoque (local de exercício para cavalos) próximo a um cemitério no entorno da cidade de Karamea, no oeste da ilha sul do país. A árvore tem cerca de 32 metros de altura, o mesmo que um prédio de sete andares, segundo o Registro de Árvores da Nova Zelândia.

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A árvore ambulante campeã

Neste ano de 2024, a Associação Arboricultural da Nova Zelândia realizou sua edição recorrente do prêmio de Árvore do Ano, definido por votação popular. A Árvore Ambulante disparou na frente com 42% dos votos, junto a outros cinco finalistas.

Essa vitória se deu, segundo o presidente da associação, Richie Hill, pelas características excepcionais da planta, e representa um exemplo ótimo das marcantes árvores que os neozelandeses têm o prazer de observar em seu país.

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Não se sabe, ao certo, a idade da árvore andante, mas ela é a única sobrevivente de uma floresta derrubada há 150 anos — a família de fazendeiros da época certamente pensou que ela tinha algo de especial, segundo Brad Cadwallader, organizador da competição.

As rātās-do-norte são árvores epífitas, ou seja, crescem sobre uma planta hospedeira e criam raízes aéreas. Eventualmente, as raízes atingem o chão, sendo um “crescimento inverso” — o ar e a água de chuva a alimentam antes de tocar o solo. O formato curioso da ambulante campeã provavelmente se deu por conta desse crescimento em torno da hospedeira, que provavelmente morreu há séculos.

A hospedeira provavelmente era muito grande, diz Cadwallader, ou havia outra árvore que caiu e se escorou nela, dividindo as raízes perto do solo, criando a inusitada impressão de “caminhada”, como fazem os Ents.

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As rātās só existem na Nova Zelândia, e já foram as árvores mais comuns do arquipélago. Atualmente, no entanto, a planta é considerada vulnerável. Seu principal antagonista é o invasivo cusu-de-orelhas-grandes (Trichosurus vulpecula), um marsupial que come suas folhas e raízes.

Fonte: The New Zealand Tree Register