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2023 foi o ano mais quente dos últimos 100 mil anos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 09 de Janeiro de 2024 às 12h42

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Ojosujono96/Freepik
Ojosujono96/Freepik

Os cientistas já vinham alertando que o ano de 2023 entraria para a história como o mais quente nos últimos 100 mil anos. Inclusive, a Organização das Nações Unidas (ONU) apontou para o início da fase de Ebulição Global, após o período de Aquecimento Global. Agora, todas essas previsões se confirmam com a divulgação do mais novo relatório sobre o clima do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), da União Europeia.

Divulgado nesta terça-feira (9), o relatório do observatório europeu Copernicus afirma que a temperatura média da Terra, durante o ano de 2023, ficou 1,48 ºC acima do nível pré-industrial — isto é antes do período de 1850 a 1900.

Para ser mais preciso, a temperatura média do planeta no ano passado foi de 14,98 ºC, o que é 0,17 ºC acima do valor registrado em 2016. Até então, aquele ano tinha sido classificado como o mais quente da história recente.

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2023 foi o ano mais quente

Segundo as análises do observatório Copernicus, cada mês de junho a dezembro do ano passado foi mais quente do que o mês correspondente em qualquer ano anterior. Em consequência disso, as temperaturas médias anuais bateram recordes em quase todos os continentes, exceto na Oceania.

Acordo de Paris em risco

Através do Acordo de Paris, a maioria dos países do globo definiu que era preciso estimular uma temperatura limite para o aquecimento do planeta, o que impediria as consequências mais graves das mudanças climáticas. 

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O consenso é que a temperatura média não poderia ser 2 °C mais quente que os níveis pré-industriais, limitando-se a algo próximo de 1,5 °C.

Só que, pela primeira vez, há registro de que todos os dias de 2023 estiveram pelo menos 1 °C acima do nível pré-industrial. Em quase 50% destes dias, as temperaturas médias foram 1,5 °C mais quentes. Por dois dias no mês de novembro, os termômetros estiveram 2 °C mais quentes. 

Estes registros colocam em risco as metas do acordo climático e devem obrigar as nações a repensarem suas estratégias para conter a emissão de gases do efeito estufa, como dióxido de carbono e metano.

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Baixa cobertura de gelo

Além disso, a cobertura de gelo nos polos também atingiu recordes negativos. Por exemplo, as extensões diária e mensal do gelo marinho da Antártida atingiram os mínimos históricos em fevereiro de 2023. 

A Terra nos últimos 100 mil anos

Para Samantha Burgess, vice-diretora do observatório Copernicus, "2023 foi um ano excepcional com recordes climáticos caindo como dominós”. Inclusive, a especialista sugere que "as temperaturas em 2023, provavelmente, foram as mais elevadas ao menos nos últimos 100 mil anos”.

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Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores recorrem à paleoclimatologia. Neste caso, eles utilizam métodos que estimam a temperatura de determinado período, simulando o comportamento da atmosfera para os climas passados.

A culpa do calor?

Apesar do ano de 2023 ter sido marcado pela ocorrência do El Niño, um fenômeno natural que aquece as águas do Oceano Pacífico, o relatório aponta que o calor extremo observado no ano passado é resultado das emissões contínuas de gases do efeito estufa.

Além da ação direta humana, as emissões de dióxido de carbono foram aumentadas por causa de incêndios. “As emissões globais estimadas de carbono dos incêndios florestais em 2023 aumentaram 30% em relação a 2022, impulsionadas em grande parte por incêndios florestais persistentes no Canadá”, pontua o estudo.

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Fonte: C3S