Morre Larry Tesler, o inventor do "recortar, copiar & colar"

Por Rafael Rodrigues da Silva | 19 de Fevereiro de 2020 às 18h10

Na última segunda-feira (17), morreu, aos 74 anos, Larry Tesler, um dos nomes mais importantes para o desenvolvimento da computação — ainda que ele nunca tenha ficado tão famoso quanto algumas das pessoas com as quais ele trabalhou, como Bill Gates, Steve Jobs e Steve Wozniak.

Nascido em 1945 e envolvido no mercado de informática desde que se formou em ciências da computação na Universidade de Stanford, Tesler foi um dos primeiros a se preocupar com pesquisas sobre inteligência artificial e se envolveu nos movimentos anti-Guerra do Vietnã e anti-monopólio durante as décadas de 1960 e 1970. Mas foi no Centro de Pesquisas de Palo Alto (PARC), da Xerox, que Tesler desenvolveu seus maiores legados para a história da computação.

Foi lá que Tesler criou a primeira interface gráfica baseada em movimentos do mouse, abrindo o caminho para a revolução dos sistemas operacionais que seria liderada pelo Windows. Até então, toda a navegação através de programas e pastas no computador era feita através de linhas de comando, e foi a criação de uma navegação por mouse que permitiu que até mesmo pessoas leigas conseguissem aprender facilmente como operar essas máquinas.

Outra invenção muito importante de Tesler neste período foi o programa processador de texto Gypsy, o primeiro a possuir comandos específicos para a remoção, duplicação e reposicionamento de trechos em texto, e que cunhou o uso das palavras “recortar”, “copiar” e “colar” no sentido que são usados até hoje por todos os programas que lidam com texto, desde o bloco de notas até navegadores de internet.

Mas o que talvez tenha sido a maior herança de Tesler seja a adoção praticamente irrestrita do “modeless computing”, um tipo de interface do qual ele foi um dos maiores defensores. Essa interface defende que os programas de computador, qualquer que seja o tipo, devem possuir uma base “comum” de comandos a fim de facilitar o uso por todos os usuários. Por exemplo: hoje, ao apertar o botão “A” do seu teclado na grande maioria dos programas existentes, o resultado será a inserção da letra “A” na tela. Isso nem sempre foi assim, e no começo da computação cada programa possuía a sua própria lógica de como cada comando do teclado iria funcionar; assim, enquanto em um programa X apertar o botão “A” inseria a letra “A” na tela, em um programa Y apertar o mesmo botão poderia ter um efeito totalmente diferente, como mandar um arquivo para a impressão. Isso tornava muito mais difícil aprender a usar um software novo, pois o usuário era obrigado a esquecer tudo aquilo que já funcionava em outros ambientes já conhecidos e reaprender tudo do zero neste novo ambiente (mais ou menos como funcionam hoje os jogos de videogame, nos quais, apesar de utilizarem o mesmo controle, cada botão efetua uma ação diferente para cada jogo).

Assim, mesmo que não tenha o nome tão reconhecido mundialmente como alguns de seus pares, Larry Tesler foi um dos grandes responsáveis pela popularização dos computadores, e por criar meios de tirá-los de ambientes de maior especialização técnica (como as universidades) e torná-los um objeto do dia a dia de boa parte das pessoas do mundo.

Fonte: Gizmodo

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