Estados Unidos anunciam novas 17 acusações de espionagem contra Julian Assange

Por Se Hyeon Oh | 23 de Maio de 2019 às 21h40
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A vida de Julian Assange não está fácil há vários anos, e a coisa acaba de se complicar ainda mais. Depois de grandes turbulências vividas por ele nas últimas semanas, o departamento de justiça dos EUA anunciou, nesta quinta (23), que está acrescentando 17 novas acusações — todas de espionagem — contra o fundador do WikiLeaks. Todavia, elas estão causando certo alvoroço entre jornalistas por representar uma afronta à Primeira Emenda.

Um grande júri em Alexandria, Virgínia, acusou Assange de infringir a lei ao convencer Chelsea Manning a lhe entregar documentos secretos. Posteriormente, o material que citava os nomes de fontes confidenciais, que forneciam informações aos diplomatas americanos, teria sido divulgado pelo WikiLeaks. Assim, as 17 novas acusações de espionagem foram anexadas aos processos já existentes de forma que Assange é acusado de conspirar com Manning para quebrar protocolos do Departamento de Defesa dos EUA.

O governo americano diz que Manning forneceu ao criador do WikiLeaks informações acerca de 90.000 relatórios de atividades relacionadas à guerra no Afeganistão, 400.000 relatórios relacionados à Guerra do Iraque, 800 relatórios de avaliação de detentos da Baía de Guantánamo e 250.000 telegramas do Departamento de Estado dos EUA. Esses materiais, que começaram a ser publicados em 2010, ganharam as manchetes em todo o mundo e trouxeram à tona as atividades do governo estadunidense.

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É bastante comum que os jornalistas façam matérias sobre arquivos secretos, mas o governo praticamente não havia processado nenhum jornalista por conta disso. Além disso, há uma certa "solidariedade" entre os profissionais da área, que entendem que o acesso à informação deve ser algo universal. Nesse sentido, Assange parece ter aliados à sua volta — prova disso é a fala do seu advogado, Barry J Pollack, que afirma que seu cliente teria sido atacado por encorajar fontes a fornecer e publicar informações verdadeiras. Ainda, ele critica dizendo que essas acusações sem precedentes “demonstram a gravidade da ameaça que o processo criminal de Julian Assange representa para todos os jornalistas, em seu esforço de informar o público sobre as ações tomadas pelo governo".

Em sua defesa, o Departamento de Justiça dos EUA disse aos repórteres que não considera Assange um jornalista, e se esforçou para dizer que o país não vai atacar aqueles que eles consideram como jornalistas. Ainda, John Demers, procurador-geral e assistente de segurança nacional, ressalta que a Justiça americana leva a sério o papel dos jornalistas na democracia.

Embora as ações de Assange e do Wikileaks tenham sido criticadas no passado, os defensores da liberdade de imprensa temem que a criminalização do ato de publicar informações sigilosas acabe dando precedentes para que o governo censure os jornalistas que decidam publicar artigos denunciando ações confidenciais do governo. Bruce Brown, diretor executivo do Comitê de Repórteres pela Liberdade de Imprensa, diz que qualquer uso governamental para criminalizar o recebimento e publicação de informações representa uma terrível ameaça para os jornalistas que buscam publicar matérias de interesse público.

Fonte: NBC News

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