Publicidade

4chan abriga grupos que geram deepfakes de mulheres em massa e sem consentimento

Por  | 

Compartilhe:
Sora Shimazaki/Pexels
Sora Shimazaki/Pexels

A plataforma 4chan tem grupos e comunidades voltadas para criar imagens íntimas não consensuais de mulheres. Os espaços funcionam a partir de pedidos dos membros e os editores das imagens são denominados “magos”, enquanto todo o conteúdo circula sem restrição.

Continua após a publicidade

As informações foram reveladas por um artigo científico da pesquisadora Leonie Ohmig, publicado no Institute for Strategic Dialogue (“Instituto para Diálogo Estratégico”, em tradução livre), laboratório de pesquisa com o objetivo de combater extremismos e discursos de ódio online.

Oehmig analisou comunidades do 4chan entre 2025 e 2026, com mais de 7 mil posts, e identificou um padrão. Os grupos seguem uma hierarquia, na qual os geradores das imagens são tratados com cordialidade e glorificados, e o teor dos posts segue muitas ideias misóginas para degradar ou humilhar as mulheres alvos de deepfakes.

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

O 4chan inclusive pode ser um ponto de partida: um perfil faz o pedido do deepfake, outra conta que gera imagens entra em contato e então ambas as partes combinam mais detalhes em plataformas externas, com maior privacidade e dificuldade para rastrear.

O destino dos deepfakes é variado. A pesquisa aponta que algumas imagens poderiam ser usadas para fins eróticos e, em casos mais graves, como forma de chantagem, extorsão ou humilhação pública.

Oehmig reforça que a criação desses conteúdos está longe de ser uma atividade de pessoas isoladas. "Na verdade, é uma prática socialmente organizada, moldada por normas da comunidade, linguagem compartilhada e sistemas de crenças profundamente misóginos", conclui.

Criar deepfake não consensual é crime no Brasil

Criar e divulgar deepfakes de teor erótico sem a autorização da pessoa retratada é crime no Brasil. A Lei Nº 15.125/2025, de abril de 2025, ainda aumentou a pena nos casos de uso de inteligência artificial para fazer violência psicológica contra mulheres, incluindo criações de imagens e vídeos.

Ao ser vítima de um conteúdo do tipo, o ideal é registrar a maior quantidade possível de provas (comentários, URLs, prints de tela) e abrir um boletim de ocorrência digital.

Fonte: ISD Global