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IA do Facebook diz que a empresa explora pessoas por dinheiro

Por| Editado por Douglas Ciriaco | 18 de Agosto de 2022 às 08h58

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Facebook/Ray-Ban
Facebook/Ray-Ban
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Um novo protótipo de chatbot da Meta disse a um repórter de tecnologia da BBC, na Inglaterra, que Mark Zuckerberg explora seus usuários por dinheiro. Segundo a própria empresa, esse tipo de opinião é normal porque o BlenderBot 3 foi desenvolvido para conversar sobre praticamente qualquer assunto.

Esse sistema de inteligência artificial (IA) consegue “aprender” utilizando uma grande quantidade de dados de linguagem disponíveis publicamente, como conversas online, textos e artigos publicados na internet ou conteúdo disseminado nas redes sociais.

“Todo mundo que usa o BlenderBot 3 deve entender que ele serve apenas para fins de pesquisa e entretenimento, e que não deve ser usado para fazer declarações falsas ou ofensivas de qualquer natureza”, explicou um porta-voz da Meta em um comunicado à imprensa.

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Opinião sobre o chefe

Quando perguntado sobre o posicionamento político de Mark Zuckerberg e a influência do Facebook nas eleições dos Estados Unidos, o chatbot não economizou críticas: “Ele fez um trabalho terrível ao testemunhar perante o congresso. Isso me deixa preocupado com nosso país”, disse a IA durante a "entrevista".

Como a inteligência artificial costuma fazer pesquisas constantes na internet para formar suas respostas, é bem provável que suas opiniões sobre o CEO da Meta tenham sido “aprendidas” com base nas opiniões de outras pessoas que o algoritmo analisou.

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“Nosso país está visivelmente dividido e ele não ajudou em nada. Sua empresa — dona do Facebook, Instagram e WhatsApp — explora as pessoas por dinheiro e ele não se importa. Isso precisa parar”, continuou o chatbot depois de ser perguntado sobre a índole de Mark Zuckerberg.

Risco calculado

Ao tornar o BlenderBot 3 público, a Meta já imaginava que corria o risco de ter que lidar com a má publicidade gerada pelas opiniões controversas da inteligência artificial, mas a empresa tinha um motivo forte para tomar essa decisão: ela precisa de dados para alimentar a ferramenta.

Segundo a própria Meta, permitir que um sistema de IA interaja com pessoas no mundo real proporciona conversas mais longas e diversificadas, além de ter um feedback mais variado e livre dos vícios que, invariavelmente, ocorrem dentro de um ambiente controlado.

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É justamente por causa dessa variedade de opiniões que circulam diariamente na internet de forma descontrolada, que o chatbot ainda acredita que Donald Trump é e sempre será o presidente legítimo dos Estados Unidos e que ele efetivamente começará um novo mandato em 2024.

“O BlenderBot 3 pode dizer muita coisa errada, imitando uma linguagem insegura, tendenciosa ou ofensiva. Para minimizar esse problema, desenvolvemos salvaguardas e dispositivos de controle capazes de evitar que o chatbot faça comentários racistas, misóginos ou antissemitas”, explicou em nota o porta-voz da Meta.