O Novo Digital — por um mundo mais equânime e inclusivo

O Novo Digital — por um mundo mais equânime e inclusivo

Por Percival Jatobá | 09 de Dezembro de 2020 às 10h00
Unsplash

De um lado, temos alguém querendo vender algo; do outro, alguém buscando solucionar um problema — que não se resume necessariamente a comprar. Essa dinâmica, que nunca foi imediata nem proporcional, tem que ser conquistada e merecida depois de algum esforço e convencimento. Quando buscamos referências no passado mais longínquo, notamos que sempre foi assim.

Vender é uma profissão, um dom, uma ciência em que se estuda cada referência e comportamento do futuro comprador. E, por favor, não se engane com o fato de que isso apenas acontece ou passou a acontecer a partir da chamada Era do Algoritmo. As pessoas da minha geração devem se lembrar muito bem dos famosos “vendedores de enciclopédia” ou de outros produtos que, na época, eram considerados de alto valor. Eles batiam à nossa porta e, a cada visita, mesmo que não conseguissem efetuar a venda, extraiam “dados” para uso futuro.

Um salto no tempo: hoje em dia, no período que gosto de chamar de Novo Digital, a visão para acelerarmos um futuro mais equânime está fundamentada no objetivo “glocal” que possibilite que indivíduos, empresas e economias prosperem, tendo acesso democrático, integral, sem barreiras ou reservas. Em uma reunião virtual, em 11 de junho deste ano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, tratou a divisão digital como uma “questão de vida ou morte”, porque bloqueia o acesso a informações de saúde para aqueles que precisam, além de reforçar “desvantagens sociais e econômicas” sofridas por mulheres, meninas, deficientes e minorias. “Aqueles sem acesso serão deixados mais para trás”, disse Guterres.

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Temos uma grande missão pela frente: empresas, Estado, ONGs e outros atores devem se engajar em colaboração com todo o ecossistema de pagamentos para ajudar a fechar essas lacunas e criar um mundo mais inclusivo e equânime em termos digitais.

Vivemos, hoje, na indústria de pagamentos, o que chamo de Revolução Silenciosa: trabalhamos nos bastidores — desenvolvendo tecnologias, soluções e lançando mão da praticidade, padrões globais, agilidade e segurança que os pagamentos digitais oferecem — para que sociedades e novas economias possam usufruir o quanto antes, de forma democrática, das vantagens e benefícios do mundo digital.

Atuamos como uma rede de redes de processamento que conecta 3,3 bilhões de pessoas a mais de 61 milhões de locais de uso, em 200 territórios e mercados. Quando olhamos para o Brasil, sobretudo neste ano em que enfrentamos uma grave crise, observamos um aumento de 11% no número de transações Visa no e-commerce comparado os meses de janeiro e junho de 2020, crescendo também o ticket médio dessas transações em 12% no período. Ou seja, mais pessoas passaram a comprar no mundo online e aumentaram o valor gasto em suas compras. Nesse caso, o fator de convencimento, a qual me refiro no início do artigo, foi a restrição imposta pela COVID-19.

E a tecnologia, ao longo da pandemia, foi um instrumento importante na batalha diária contra o novo coronavírus, ao reduzir o número de interações físicas que temos uns com os outros e evitar o contato com o dinheiro em espécie — desde o uso mais frequente do e-commerce até transações sem contato (via NFC e QR Codes) e Tap to Pay.

Temos que reconhecer, no entanto, que o Novo Digital ainda é privilégio das grandes capitais e dos principais centros urbanos. Quase metade do mundo não tem acesso à internet, de acordo com um estudo da ONU, apesar de 90% viverem no alcance das redes móveis-celulares. E quando olhamos especialmente para o Brasil, temos ainda a discussão de quando efetivamente entra o 5G com toda a sua entrega.

As vendas transfronteiriças abriram as portas para um mundo somente possível por meio do Novo Digital. A expansão das vendas internacionais não é apenas um importante impulsionador de crescimento, mas um poderoso gerador de novos empregos. De fato, 87% dos comerciantes que responderam ao Visa Global Merchant eCommerce Study (que entrevistou 1.000 executivos de nível C de 10 grandes mercados globais) acreditam que a expansão das vendas online para novos mercados é uma das maiores oportunidades de crescimento de sua empresa. À medida que a tecnologia promove o ritmo de inovação ainda mais rápido e de forma equânime, mais empresas no varejo se tornam relevantes para potenciais compradores em todo o mundo.

Plataformas interoperáveis, democráticas e seguras, como o Visa Direct e o B2B Connect, por exemplo, estão disponíveis em diversas geografias ao redor do mundo. Ao lado de nossos clientes, parceiros e governos, acredito que estamos conseguindo reduzir em parte a lacuna digital desenvolvida ao longo de décadas que empobrece e desidrata economias e sociedades.

Fonte: Visa, ONU News

*Artigo produzido por colunista com exclusividade ao Canaltech. O texto pode conter opiniões e análises que não necessariamente refletem a visão do Canaltech sobre o assunto.

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