Na China, a nova onda é falsificar processadores da Intel

Por Sérgio Oliveira | 24 de Abril de 2020 às 10h12
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Imagine o cenário: você economiza um dinheirinho por meses e depois de muito esforço finalmente consegue comprar o processador dos sonhos para fazer o PC gamer voar. Mas, quando o componente chega e você o instala, percebe que o desempenho da máquina não mudou nada — na verdade, está até pior. A caixa é de um Core i7, as inscrições no processador apontam para um Core i7... Então o que pode estar acontecendo?

Na China isso está se tornando cada vez mais comum. Na semana passada, a revista chinesa HKEPC denunciou um esquema de falsificação de processadores da Intel aparentemente liderado por revendedores terceiros que colocam componentes adulterados à venda no AliExpress e Amazon. A tramoia acontece mediante a modificação do design do IHS do chip, aquela placa metálica instalada sobre o silício para dissipar calor.

Apesar da peça ser igualzinha à original, inclusive contendo inscrições como nome, número e família do processador, clock, marcas de direito autoral e tudo o mais, o desempenho não condiz com o indicado. Um olhar mais atento e minucioso revela que, na verdade, o IHS foi modificado ou até mesmo trocado.

Relatos de diferentes vítimas do golpe apontam para duas formas de falsificação. A primeira delas envolve a alteração das inscrições do IHS, o que é feito, digamos, na base da gambiarra: os golpistas colam um adesivo fosco sobre as gravações originais, escondendo o que fica por baixo, e imprimem novos dados no plástico. O segundo método envolve a remoção da peça de um processador topo de linha e instalação em um modelo inferior ou mais antigo.

Um dos métodos utilizados pelos falsificadores é bem
Um dos métodos utilizados pelos falsificadores é bem "primitivo" e envolve a colagem de um adesivo sobre o IHS do chip para esconder as inscrições originais e substitui-las por falsas (Foto: Reprodução/WCCFTECH)
Em alguns casos, os golpistas raspam a chapa dissipadora de calor antes de aplicar o adesivo
Em alguns casos, os golpistas raspam a chapa dissipadora de calor antes de aplicar o adesivo (Foto: Reprodução/HKEPC)

Mais curioso ainda é que um dos chips mais afetados pelo golpe é o Intel Core i7-7700K, que em vez de utilizar solda para ligar o silício ao IHS, emprega apenas pasta térmica. Com um pouquinho de jeito qualquer um consegue fazer a remoção e troca da peça, instalando-a em um Pentium ou Core 2 Duo, dois dos modelos mais adquiridos por quem caiu na armação.

Processadores Intel Kaby Lake utilizam apenas pasta térmica para ligar a PCB ao IHS, facilitando a remoção e troca da peça por outra falsa
Processadores Intel Kaby Lake utilizam apenas pasta térmica para ligar a PCB ao IHS, facilitando a remoção e troca da peça por outra falsa (Foto: Reprodução/WCCFTECH)

A Intel disse já estar ciente dessa nova onda de falsificações, mas se negou a oferecer o RMA dos processadores. Segundo a fabricante, isso abriria precedentes para ainda mais golpes dessa natureza e a colocaria numa posição de vulnerabilidade no mercado. Apesar da postura austera da empresa, ela aconselhou os consumidores a sempre procurarem por revendedores oficiais da marca como uma maneira de mitigar as chances de algo desse tipo acontecer.

Mesmo assim, um dos relatos publicados pela HKEPC mostra que um usuário adquiriu um Core i9-9900K de um anúncio "Vendido e entregue pela Amazon" e acabou recebendo um Core 2 Duo. A publicação não soube informar se os processadores já estão chegando aos revendedores adulterados ou se a falsificação está sendo feito por eles, tampouco se consumidores de outros países já foram afetados pela onda de falsificações. Em todo caso, se considerarmos que tanto Amazon quanto AliExpress são marketplaces de alcance global, é bom redobrar a atenção na hora de adquirir um novo processador, desconfiar de ofertas com preços muito abaixo da média do mercado e conferir se as características físicas do componente correspondem àquelas listadas no site oficial da fabricante.

Fonte: HKEPC, WCCFTECH

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