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Por que jogos de mundo aberto demoram para carregar assets?

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

GTA 6
Rockstar/Reprodução

Quem joga títulos modernos de mapa aberto certamente já presenciou momentos em que o cenário, ou parte dele, parece demorar para aparecer. Seja um prédio que surge do nada enquanto você dirige em alta velocidade, texturas borradas que levam segundos para ganhar nitidez ou travadinhas (o famoso stuttering) ao cruzar a fronteira de uma nova região, o carregamento demorado de objetos e texturas, conhecidos como assets, é um dos desafios técnicos mais complexos da indústria de games.

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Diferente de jogos lineares em cenários fechados, os mundos abertos não podem carregar todo o universo do jogo na memória RAM ou VRAM de uma só vez. A quantidade de dados de uma cidade inteira ou de um continente vasto supera em muitos gigabytes a capacidade do hardware atual.

Por isso, os motores gráficos dependem de um malabarismo constante de dados em tempo real para manter o jogo rodando sem telas de carregamento tradicionais.

Streaming de dados em tempo real

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Para criar a ilusão de um mundo contínuo e sem interrupções, os desenvolvedores utilizam uma técnica chamada "asset streaming". Em vez de manter o mapa inteiro ativo, o jogo divide o cenário em uma grade de pequenos blocos e carrega apenas a região imediatamente ao redor do jogador.

Conforme a câmera se movimenta pelo mapa, o motor precisa constantemente apagar as áreas que ficaram para trás e carregar os blocos que surgem à frente.

O gargalo acontece porque a velocidade desse processo depende diretamente do tempo de resposta do armazenamento. Quando o jogador se desloca mais rápido do que a velocidade de leitura do armazenamento, como ao dirigir um carro superesportivo ou voar, o sistema entra em uma corrida contra o tempo.

Se o SSD não conseguir entregar os arquivos e as texturas a tempo para o processador e a placa de vídeo, ocorre o famoso fenômeno do pop-in, onde os objetos surgem abruptamente na tela.

LOD e compressão

Outro fator crucial na demora do carregamento é a gestão do Level of Detail (LOD, nível de detalhe), um sistema projetado para economizar recursos computacionais. Quando um objeto está longe do jogador, a placa de vídeo renderiza uma versão simplificada dele, com poucos polígonos e textura de baixa resolução. Conforme o jogador se aproxima, o jogo precisa substituir progressivamente esse modelo genérico por versões com maior nitidez e resolução.

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Esse processo exige que o processador descompacte arquivos pesados e envie os dados em frações de segundo para a memória VRAM da placa de vídeo. Se houver algum gargalo nessa cadeia de processamento, seja por limitação de CPU ou por falta de largura de banda na memória do sistema, o jogo é forçado a manter o modelo genérico por mais tempo do que deveria, resultando em superfícies borradas e construções com aparência de papelão que demoram para ganhar forma.

O papel dos SSDs NVMe

Por muitos anos, os discos rígidos tradicionais (HDDs) foram o grande gargalo desse processo. Como a agulha do HD precisa buscar arquivos fisicamente espalhados pelo disco, os tempos de busca eram longos demais para o streaming dinâmico de jogos modernos. Isso forçava os desenvolvedores a se "virarem nos 30" para disfarçar o carregamento, como elevadores lentos, corredores estreitos e cenários onde o personagem precisava espremer-se entre fendas de rochas.

Com a consolidação dos SSDs NVMe e do DirectStorage, o fluxo de envio de dados para a placa de vídeo foi multiplicado por muitas vezes. No entanto, os jogos também se tornaram exponencialmente mais pesados, utilizando texturas em resolução 4K e modelos com milhões de polígonos.

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A demora ou falha no carregamento dos assets passa a depender do equilíbrio entre a otimização do motor gráfico e a capacidade do hardware do jogador em processar esse grande volume de informações simultaneamente.

Como amenizar o atraso no carregamento de assets

Para diminuir o surgimento de objetos do nada e piorar os atrasos de textura, a medida mais simples e eficaz no lado do hardware é instalar o jogo em um SSD NVMe, aposentando definitivamente os HDDs convencionais.

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Além do armazenamento, garantir que a memória RAM esteja configurada em dual-channel e manter uma boa folga de VRAM na placa de vídeo evita que o sistema precise recorrer à memória virtual mais lenta para trocar dados do mapa.

No próprio jogo, reduzir a qualidade das texturas para um nível adequado à VRAM da sua GPU evita o congestionamento no envio de dados. Ajustar opções como "Distância de Visão" e "Qualidade de Detalhes" reduz o número de objetos que o processador precisa carregar simultaneamente de uma só vez, garantindo uma transição visual muito mais suave durante a exploração do mundo aberto.