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PC, celular ou TV: o que comprar agora e o que pode esperar em 2026

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Gemini/Canaltech
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Montar um PC ou trocar de celular no Brasil nunca foi um passeio no parque. É um exercício de paciência que exige planejamento, meses economizando cada centavo e aquela espera que parece eterna por uma promoção que realmente valha a pena. Justo agora, quando o seu planejamento financeiro parecia estar no trilho certo para 2026, a indústria de hardware resolveu soltar uma bomba que promete sacudir o mercado: alguns componentes devem simplesmente sumir das prateleiras a partir do segundo semestre.

Com a gigantesca demanda por data centers de IA e nuvem, que explodiu de vez em 2025, componentes cruciais como memória RAM (DRAM) e armazenamento, principalmente SSD (NAND), sofreram o baque da escassez, já que quase toda a produção está indo para tudo o que tenha a ver com inteligência artificial.

Vamos destrinchar onde esse "apocalipse" dos semicondutores vai bater com mais força para que você possa reorganizar suas prioridades de compra e proteger o seu dinheiro antes que os preços multipliquem ainda mais ou os estoques simplesmente sequem no varejo.

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Epicentro da crise: armazenamento e memória RAM

Os alvos principais desse apocalipse eletrônico são os SSDs NVMe e SATA, além de cartões microSD de alta capacidade e pendrives de alto desempenho, juntos da memória RAM. O motivo por trás disso é a necessidade por memória NAND Flash e DRAM pelas Big Techs. As gigantes da tecnologia estão sugando todo o suprimento do mercado global para armazenar seus modelos de linguagem e bases de dados de IA.

A recomendação para quem está no meio de um projeto é clara: se você está montando um PC do zero, planejando um upgrade de armazenamento para o seu console, a sua janela de oportunidade é agora. Nós presenciamos os preços de peças como memória RAM e SSDs subirem de uma forma como nunca vimos antes. A indústria avisa, e esse aviso foi dado antes da situação chegar aonde chegou.

Efeito dominó: smartphones

O efeito dominó também atinge em cheio o mercado de dispositivos móveis, afetando principalmente os celulares intermediários-premium e os modelos topos de linha. Esses aparelhos exigem chips de armazenamento do tipo UFS, que são extremamente rápidos e densos, geralmente em versões de 256 GB ou 512 GB. Fabricantes de peso como Apple, Samsung e Xiaomi estão agora em uma disputa direta pelo mesmo silício que os grandes data centers utilizam.

Como os fornecedores de chips estão exigindo pagamentos adiantados de anos para garantir a entrega das peças, apenas as empresas com bilhões em caixa conseguirão manter o ritmo de produção. Naturalmente, esse custo extra de operação e a escassez de componentes serão repassados integralmente para o preço final do aparelho que chega às suas mãos. Portanto, se o seu celular atual já apresenta sinais de cansaço ou está "pedindo arrego", o conselho de ouro é não esperar pelos grandes lançamentos do final de 2026. O ideal é aproveitar as promoções de modelos da geração atual enquanto eles ainda seguem tabelas de preços anteriores a esse pico de demanda.

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Vítimas ocultas: smart TVs e consoles

É preciso manter o sinal de alerta ligado também para as chamadas vítimas ocultas, como as Smart TVs modernas e as possíveis revisões de consoles que costumam surgir no meio do ciclo de vida das plataformas. Muita gente esquece que uma televisão inteligente hoje em dia é muito mais do que apenas um painel de imagem; ela possui uma placa-mãe complexa com memória embutida para gerenciar sistemas operacionais cada vez mais pesados e diversos aplicativos de streaming que exigem cache constante.

A escassez de chips afeta a linha de montagem desses produtos como um todo, embora o impacto aqui costume ser um pouco mais lento do que no mercado de PC de fato. Você sentirá a crise primeiro através da diminuição da variedade de modelos em estoque e, logo em seguida, no ajuste das etiquetas de preço. Essa é uma categoria de compra que ainda pode esperar um pouco mais, mas que requer um monitoramento semanal rigoroso para garantir que você não perca o momento certo antes que a oferta desapareça.

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Onde NÃO gastar dinheiro à toa

Por outro lado, é fundamental saber onde não gastar o seu suado dinheiro de forma impulsiva. O centro da crise relatada recentemente pela indústria e pelo CEO da Phison está focado especificamente no ecossistema de armazenamento e memória RAM. Isso significa que componentes vitais como processadores e periféricos, incluindo mouses, teclados e monitores, não estão no foco imediato desse furacão.

Embora as placas de vídeo tenham sua própria dinâmica de preços e também sofram influência indireta da IA, não existe motivo para pânico imediato na compra de um novo monitor de alta taxa de atualização ou de um teclado mecânico por conta dessa crise. A recomendação sensata é adquirir esses periféricos apenas se você realmente precisar deles agora. Caso contrário, o melhor caminho é segurar esse orçamento para garantir a compra do SSD ou da memória RAM, que são os itens que correm o maior risco de inflação galopante nos próximos meses.

Conclusão

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O resumo da ópera é que o alerta de dificuldades e escassez emitido por grandes players do mercado é real e bastante preocupante, mas a onda de choque completa ainda leva alguns meses para bater com força total no varejo brasileiro. Isso significa que você, como consumidor bem-informado, ainda possui uma pequena janela de respiro para agir com estratégia e aquilo que deseja sem entrar em desespero total.

A ação recomendada nesse momento é pautada pelo equilíbrio: não estoure o limite do seu cartão de crédito apenas por medo, mas também não ignore os sinais do mercado. O momento exige inteligência estratégica, o que significa usar comparadores de preço hoje mesmo, criar alertas digitais para aquele produto específico que você já estava namorando e simplesmente antecipar as compras que talvez estivessem agendadas para a Black Friday ou o Natal.