Para Qualcomm, política de licenciamento é o “melhor para a indústria”

Por Felipe Demartini | 15 de Janeiro de 2019 às 11h45
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O CEO da Qualcomm, Steve Mollenkopf, defendeu diante de uma comissão do governo dos Estados Unidos seu modelo de somente vender chips para empresas que adquirirem licenças de patentes da companhia. Para ele, a prática é a melhor para a indústria mobile, pelo fato de as tecnologias envolvidas neste universo irem além daquilo que está contido apenas no componente comercializado pela empresa. É, na visão do executivo, uma prática que protege e garante a devida compensação a todos os envolvidos.

A política que vem sendo chamada de “no license, no chips” pela imprensa americana é o centro dos debates de uma comissão montada pela Comissão Federal de Comércio dos EUA, a FTC, em um processo que avalia um possível monopólio da Qualcomm no setor de conectividade. O depoimento de Mollenkopf aconteceu na última sexta-feira (11) como parte das investigações.

O CEO citou uma série de exemplos para justificar a necessidade de licenciamento de patentes casada à venda de chips. Sistemas de proteção, por exemplo, não seriam embarcados no chip, mas seriam parte integrante do funcionamento deles, assim como outras tecnologias de conectividade a redes 4G ou a utilização de protocolos para transmissão de arquivos. O executivo defendeu a política afirmando que a Qualcomm está sempre trabalhando em avanços e novas patentes que fazem o sistema funcionar com confiabilidade e segurança.

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Ao mesmo tempo, por mais que não veja problemas na prática e negue as alegações de que a política seria uma forma de forçar a mão do mercado, Mollenkopf afirmou que a Qualcomm cogitou separar seus negócios de licenciamento do restante da estrutura da empresa. Essa ideia, porém, foi deixada de lado em prol dos avanços na própria tecnologia, com esse tipo de desenvolvimento permanecendo ligado à fabricante e, sendo assim, recebendo investimentos e incentivos para continuar gerando inovação, sem entraves legais ou corporativos.

Para defender ainda mais a dinâmica, o CEO disse que todo o lucro gerado a partir do licenciamento de patentes pelas fabricantes de smartphones é reinvestido no próprio negócio, para a geração de mais tecnologias. É um negócio que funciona, na visão de Mollenkopf, e levou a Qualcomm ao lugar de destaque no segmento. Mais de uma vez durante o depoimento, ele refutou as acusações de que estaria praticando monopólio.

No processo, a FTC conta com o apoio de duas grandes concorrentes da Qualcomm, a Apple e a Intel. A ação foi iniciada há dois anos, justamente devido à briga cada vez maior entre a Maçã e a fabricante de chips, com a empresa de Cupertino acusando a rival de impedir a operação normal de fabricantes que não sejam seus clientes. Isso levou, inclusive, ao corte de laços entre ambas, enquanto o andamento do processo vem revelando o funcionamento dessa indústria por trás das cortinas.

Também em depoimento recente à comissão, o vice-presidente de aprovisionamento da Apple, Tony Blevins, afirmou que a Qualcomm é a única empresa do mercado a adotar a política de “no license, no chips”, em uma clara tentativa de manter sua supremacia de maneira artificial. Ele diz que, internamente, a Apple acredita que a concorrência e a presença de diferentes empresas no segmento é essencial para que ele floresça, tanto que a própria dona do iPhone, já há alguns anos, teria abandonado as tentativas de obter contratos exclusivos com fornecedores de chips e outros componentes para os dispositivos da companhia.

Fonte: CNET

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