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O que são timings de memória RAM?

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Gemini/Canaltech
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Quando decidimos montar um PC gamer ou fazer aquele upgrade na máquina, a primeira coisa que olhamos na memória RAM é a frequência: 3200 MHz, 5600 MHz, 6000 MHz... A regra parece clara: quanto maior o número, mais rápido, certo? Em partes. Existe uma sequência de números, muitas vezes ignorada, que define a verdadeira agilidade do componente: os timings.

Sabe aqueles números separados por traços na etiqueta da memória, algo como "CL16-18-18-38"? Eles são a chave para entender por que uma memória de mesma frequência pode custar mais do que da outra. Se a frequência é a velocidade bruta com que os dados trafegam, os timings são a eficiência e o tempo de resposta para que esse tráfego comece.

Entendendo a latência da memória RAM

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De forma resumida, os timings de memória (ou latência) representam o intervalo de tempo — medido em ciclos de clock — que o sistema leva para executar um comando enviado pelo processador à memória RAM.

Imagine que a memória RAM seja um armazém gigante e os dados são caixas. A frequência (em MHz ou MT/s) é a velocidade com que a empilhadeira corre pelos corredores. Já os timings são o tempo que o operador leva para encontrar a prancheta, localizar o endereço da caixa, pegá-la e colocá-la na empilhadeira. Não adianta a empilhadeira ser superveloz se o operador demora uma eternidade para achar o produto.

O número mais famoso dessa sequência é o CAS Latency (CL), geralmente o primeiro da fila. Ele indica quantos ciclos a memória espera para devolver um dado solicitado pela CPU. A sequência padrão (ex: 16-18-18-36) significa:

  • CL (CAS Latency): tempo para acessar uma coluna específica de dados.
  • tRCD (RAS to CAS Delay): tempo de atraso entre o acesso da linha e da coluna.
  • tRP (RAS Precharge): tempo para fechar uma linha e abrir outra.
  • tRAS (Row Active Time): tempo mínimo que uma linha precisa ficar ativa.

Diferente da frequência, aqui a regra é inversa: quanto menores os números, melhor é o desempenho.

As vantagens de uma latência menor

Ter timings mais apertados resulta em uma comunicação muito mais ágil entre a CPU e a RAM. Mas onde você sente isso na prática? Jogos estão entre as aplicações que mais sentem, mas existe um benefício geral que vai além disso.

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Melhoria em Jogos

Muitas vezes, a média de FPS não muda drasticamente, mas a estabilidade sim. Memórias com latência baixa ajudam a evitar aqueles stutterings (engasgos) chatos em momentos de ação frenética, mantendo a taxa mínima de quadros mais alta. Em alguns casos, pode até gerar média de quadros por segundo maior, ou seja, mais desempenho em geral.

Para quem joga em 1080p com taxas de quadros altíssimas (240 Hz ou mais), principalmente em títulos como CS2 ou Valorant, a CPU é muito exigida. Nesse cenário, timings otimizados liberam mais o potencial do processador (se ele realmente tem mais a entregar, não sendo um gargalo), gerando mais frames.

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Responsividade do sistema

Em tarefas que exigem acesso aleatório a muitos dados pequenos (como navegar com várias abas ou compilar códigos), a latência baixa traz mais velocidade ao PC. Além disso, é possível conseguir mais desempenho em geral, como em aplicações profissionais (edição de vídeo e imagem) já que latências menores extraem mais desempenho do processador.

O turbo para gráficos integrados

Se você joga usando gráficos integrados, os timings são cruciais. Diferente de uma placa de vídeo dedicada que tem sua própria memória, o vídeo integrado usa a memória RAM do sistema para guardar dados. Nesse cenário, a memória é muito exigida e qualquer ciclo economizado na latência (CL menor) libera a GPU integrada mais rápido, resultando em um ganho direto e notável de FPS.

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É o famoso ajuste fino. Uma memória DDR5-6000 com CL30 será consideravelmente mais rápida em jogos do que uma DDR5-6000 com CL40, mesmo que a "velocidade" na caixa seja a mesma.

Como ajustar os timings da memória?

Existem duas formas de ajustar os timings: a fácil e a "modo hard".

O jeito fácil: perfis XMP ou EXPO

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A maioria das memórias modernas vem com perfis pré-configurados de fábrica:

  1. Reinicie o PC e entre na BIOS/UEFI (geralmente apertando Del ou F2).
  2. Procure pela opção XMP (para Intel) ou EXPO/DOCP (para AMD).
  3. Ative o perfil. Isso fará com que a placa-mãe leia os timings testados pela fabricante e aplique automaticamente.
  4. Salve e saia. É seguro e garante o desempenho prometido na caixa do produto.

O jeito entusiasta: ajuste manual

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Se você gosta de extrair até a última gota de performance e tem paciência (muita paciência), pode baixar os números manualmente na BIOSAtenção: isso pode causar instabilidade, telas azuis e corrupção de dados e é preciso conhecimento para executar os ajustes manuais. Você deve baixar os valores aos poucos e testar a estabilidade com softwares como o MemTest86. Muitas vezes, é necessário aumentar levemente a voltagem da memória para sustentar timings mais agressivos.

Conclusão

Timings de memória RAM são os heróis invisíveis da performance. Enquanto o marketing foca pesado nos números grandes de velocidade geral, são os timings otimizados que garantem que essa velocidade seja aproveitada com eficiência.

Para a grande maioria dos usuários, apenas garantir que o XMP/EXPO esteja ativado na BIOS já é suficiente para ter uma experiência ótima. Mas, se você é do time que busca o setup perfeito e quer eliminar qualquer gargalo possível no seu PC, ficar de olho no "CL" na hora da compra é o ideal.

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Vale a pena pagar muito mais por um CL um pouco menor? Geralmente não, a menos que o orçamento seja infinito. O ideal é buscar o equilíbrio: uma boa frequência com a menor latência que seu bolso permitir.

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