Fila de espera por CPUs aumenta 6x e sinaliza início de crise e escassez
Por Raphael Giannotti • Editado por Jones Oliveira |

A atual crise de hardware tem feito novas vítimas, afetando quase todos os componentes necessários para montar um PC. Já falamos aqui algumas vezes como processadores começaram a sentir o baque, e executivos de grandes empresas como HP e Dell, entre outras, afirmam agora que o tempo de espera para receber CPUs saltou de duas semanas para 12, além da alta nos preços.
O portal Nikkei Asia escutou algumas pessoas da indústria e as afirmações acendem um sinal de alerta em relação à escassez iminente de CPUs. "Antes, o prazo médio de entrega de uma CPU era de cerca de uma a duas semanas, mas agora o tempo de espera aumentou para uma média de oito a 12 semanas", disse uma pessoa do segmento de data centers ao site.
Demanda é maior que capacidade de fornecimento de CPU
Sabemos que existe muito dinheiro envolvido nesse segmento, e parafraseando um ditado popular que diz que "dinheiro compra tudo", esse não é bem o caso nessa situação. "Se o dinheiro pudesse resolver o problema, seria ótimo", disse um executivo de uma marca gamer. Ele complementa dizendo que a crise envolvendo CPU já não é mais tão diferente da situação com memória RAM:
"O que nos preocupa é que, mesmo que paguemos mais, ainda assim não conseguimos obter mais. A escassez de CPUs está se agravando a cada dia, não menos do que a situação dos chips de memória".
Segundo uma outra fonte, a demanda geral por processadores de servidores aumentou cerca de 15% já nesse início de 2026. Por outro lado, a capacidade de fornecimento da Intel não chega a 10%, mesmo com suas próprias fábricas. A AMD não conta com suas próprias instalações, então precisa brigar pela capacidade cada vez mais limitada da TSMC diante da grande exigência por gigantes como NVIDIA, Apple e fabricantes de chips DRAM e NAND.
Toda essa situação problemática é perigosa para o usuário comum, como o PC gamer. Com a gigantesca demanda por CPUs de servidores, o foco da Intel e AMD deve se voltar cada vez mais para os Xeon e EPYC, deixando de lado processadores Core Ultra e Ryzen. Essa, no entanto, é uma oportunidade para a Qualcomm com os Snapdragon para PC, além da NVIDIA com os chips N1 que ainda não têm previsão de lançamento.
Fonte: Nikkei Asia