Varejista culpa "bots cambistas" pela falta de PlayStation 5 no mercado

Por Felipe Demartini | 09 de Dezembro de 2020 às 11h28
Sergio Oliveira/Canaltech

Os consoles de nova geração esgotaram assim que foram lançados, em todo o mundo, mas nem todas as compras foram registradas por usuários que efetivamente estão, neste momento, curtindo algumas partidas em seu PlayStation 5 ou Xbox Series X e S novinhos. Pelo contrário, redes varejistas dos Estados Unidos estão sofrendo com a ação de bots de cambistas, capazes de limpar as prateleiras online rapidamente para que, mais tarde, os responsáveis possam lucrar revendendo as unidades por preços acima dos oficiais, de forma a se aproveitar da escassez de estoque.

A Walmart é uma das varejistas que vem lidando diretamente com o problema dos robôs compradores, em uma prática que, segundo a empresa, não começou com o lançamento dos consoles. Os cambistas de produtos tecnológicos de alta demanda sempre existiram, mas, de acordo com a companhia, a pandemia e o isolamento social, que levaram a uma alta nas compras no e-commerce, também levaram a um fluxo maior na utilização dos bots por indivíduos mal-intencionados.

Primeiro eram as máscaras, álcool em gel e papel higiênico, agora é o PlayStation 5 e o Xbox Series X e S. Segundo a Walmart, foram realizadas mais de 20 milhões de tentativas de compras por robôs apenas nos primeiros 30 minutos de vendas oficiais do console da Sony, em seu lançamento nos EUA. Mesmo com os sistemas de segurança disponíveis, a rede admite que a maior parte do tráfego registrado nas páginas da plataforma corresponde à atividade não-autêntica, realizada por máquinas.

O trabalho no aprimoramento dos sistemas de segurança é constante para garantir que a ação deles não seja possível no ambiente da companhia, mas esse movimento também acontece no sentido inverso, com os responsáveis pelos bots aprimorando e evoluindo os códigos de acordo com as ferramentas de detecção, de forma a evadir as proteções. Entre as medidas estão o recarregamento constante de páginas, para que um eventual estoque possa ser garantido rapidamente, e o uso de diferentes documentos e endereços para que o robô se pareça com um cliente real.

De acordo com a reportagem da agência Reuters, bots voltados para a compra de videogames ou tênis de marcas como Nike e Adidas são vendidos por valores entre US$ 10 e US$ 20, ou seja, menos de R$ 100. Os responsáveis garantem acesso temporário às ferramentas, de acordo com o intuito do comprador, e além de não esconderem suas atividades, ainda oferecem suporte e ajuda no uso, além de garantia de sucesso. É um serviço como qualquer outro, mas voltado a burlar o mercado de compras online. Um deles, por exemplo, disse ter sido o responsável pela compra de 6 mil unidades do PS5 ou Xbox Series X e S durante o período de pré-venda ou lançamento, com boa parte delas sendo voltadas para revenda.

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Enquanto os bots de cambistas chamam a atenção nos Estados Unidos, onde leis impedem apenas a revenda de ingressos para shows e eventos, mas não produtos para o consumidor, essa não parece ser uma questão tão grande no Brasil. Pelo menos não existem relatos e não é fácil encontrar registros de robôs voltados para varejistas nacionais, o que não significa, claro, que os aproveitadores não ajam por aqui também.

Revenda do PlayStation 5 também existe no Brasil, diante do esgotamento de unidades nas lojas, ainda que o problema dos bots não pareça tão grande por aqui (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

Basta fazer uma rápida pesquisa para constatar isso. Enquanto as grandes redes de comércio eletrônico nacionais exibem mensagens indicando que plataformas como o PlayStation 5 e o Xbox Series X estão esgotadas e aguardando reposição, quem estiver disposto a pagar o dobro do preço oficial pode garantir um console novinho no rack ainda neste Natal.

Enquanto isso, as reposições nos varejistas nacionais são divulgadas com tensão pelas redes sociais e esgotadas rapidamente, com previsões de entrega de consoles para o fim do mês ou janeiro de 2021. Mesmo compradores que participaram das pré-vendas das plataformas estão passando pelo problema, também motivado pela pandemia do novo coronavírus, que afetou diretamente as linhas de produção de eletrônicos e levou a uma disponibilidade de unidades menor para os clientes.

Por enquanto, tanto no Brasil quanto no restante do mundo, não existe previsão para normalização dos estoques. Enquanto isso, o mercado alternativo de unidades segue adiante, muitas vezes como a única alternativa para quem tem pressa para obter um PlayStation ou Xbox Series X. O tempo, para estes lojistas, porém, também está correndo.

Fonte: Reuters

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