Riot Games é acusada de atrapalhar investigações de assédio

Riot Games é acusada de atrapalhar investigações de assédio

Por Felipe Goldenboy | Editado por Bruna Penilhas | 17 de Agosto de 2021 às 17h10
Divulgação

A Riot Games, responsável por jogos como League of Legends e Valorant, está sendo acusada pelo DFEH (Departamento de Emprego e Habitação Justos da Califórnia, em tradução livre) de atrapalhar as investigações internas de discriminação de gênero e assédio sexual.

A empresa foi processada em 2019, pelo mesmo departamento que processou a Activision Blizzard em julho. Segundo o DFEH, a Riot não avisou seus funcionários sobre o direito deles de falarem com o governo sobre possíveis abusos.

Riot teria enganado funcionários em acordos

Sede da Riot Games em Los Angeles, na Califórnia (Foto: Divulgação/Riot Games)

Em 2018, uma reportagem do Kotaku afirmou que as mulheres que trabalhavam na Riot Games eram assediadas e discriminadas constantemente por conta do seu gênero. Após a publicação da matéria, uma ação coletiva foi aberta contra a empresa.

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Em 2019, as partes fizeram um acordo, e o processo também foi arquivado. Na época, a Riot pagou US$ 10 milhões (cerca de R$ 50 milhões, em conversão direta) aos envolvidos — o DFEH afirma que o valor poderia ter sido mais de US$ 400 milhões (mais de R$ 2 bilhões).

O problema é que, segundo o departamento, os acordos “sugeriam que os funcionários não poderiam falar de maneira voluntária e aberta com o governo sobre assédio sexual e outras violações”; ou seja, a Riot teria enganado os colaboradores de propósito, para que eles não contribuíssem com as investigações.

Por isso, o DEFH pediu, em junho deste ano, que a empresa fosse obrigada a informar seus funcionários sobre o direito de conversar com o órgão e contribuir com as investigações. A Justiça aceitou o pedido e intimou a Riot a fazer isso; porém, a empresa ainda não o fez.

Vale lembrar que, neste ano, o CEO da empresa, Nicolas Laurent, também foi acusado de assédio sexual por uma assistente. Segundo o jornal The Washington Post, o caso foi investigado por um comitê externo contratado pela companhia, e o executivo foi inocentado.

O que a Riot Games diz

A Riot enviou uma declaração à imprensa, informando que está enviando avisos “a ex-funcionários para confirmar que os acordos rescisórios da Riot nunca proibiram de forma alguma a falar com agências do governo”. A empresa também afirmou que “nunca retaliou e nunca retaliará ninguém por falar com qualquer agência governamental”.

O texto ainda ressalta que a empresa utilizou uma citação padrão no documento, presente em todos os acordos de demissão: “Nada neste acordo proíbe você de relatar possíveis violações de leis ou regulamentos federais ou estaduais a qualquer agência ou entidade governamental”. 

Fonte: DFEH, GamesIndustry (1, 2), Kotaku (1, 2), The Washington Post

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