Review Marvel's Guardians of the Galaxy | Cativante e divertido do começo ao fim

Review Marvel's Guardians of the Galaxy | Cativante e divertido do começo ao fim

Por Bruna Penilhas | 25 de Outubro de 2021 às 10h00
Divulgação/Square Enix

Quando Marvel’s Guardians of the Galaxy foi revelado na E3 2021, não vi muita empolgação por parte dos fãs de histórias em quadrinhos. E quem sou eu para culpá-los, afinal das contas, todos ainda estavam com o gosto amargo que Marvel’s Avengers havia deixado. Será que deveríamos criar expectativas para outro jogo de super-heróis publicado pela Square Enix

Particularmente, eu me permiti ficar um pouquinho entusiasmada com o anúncio. Jogar um game protagonizado pelos Guardiões da Galáxia, que já conquistaram uma grande legião de fãs no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) com os filmes de James Gunn, soava uma ideia promissora. Tentei não criar muitas expectativas, até porque o grupo liderado por Peter Quill/Senhor das Estrelas nunca foi o meu favorito da Marvel

Acho que deu certo, porque a verdade é que as minhas expectativas foram superadas. Eu acreditava que Marvel’s Guardians of the Galaxy tinha apenas o potencial de ser melhor do que o jogo dos Vingadores, o que não seria muito difícil. Mas o novo lançamento da Eidos-Montréal alcançou muito mais do que isso. Apesar de não ser uma obra-prima, a aventura de Peter Quill, Rocket Raccoon, Gamora, Groot e Drax me cativou do começo ao fim, tornando este um dos meus games favoritos de 2021. 

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O Canaltech testou Marvel’s Guardians of the Galaxy no PlayStation 5, por meio de uma cópia digital gentilmente cedida pela Square Enix. O jogo chega em 26 de outubro para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X, Xbox Series S e PC. A versão de Nintendo Switch funcionará via nuvem.

De zero a herói

Marvel’s Guardians of the Galaxy traz uma história inédita para os amados mercenários espaciais, embora ainda carregue algumas inspirações e elementos dos quadrinhos. A essência do grupo de desajustados também permanece fiel: Quill é o líder confiante e egocêntrico, mas com um coração verdadeiro; Gamora é cheia de traumas e, apesar de ser fria, não deixa ninguém na mão; Drax é cheio de formalidades e sedento por batalhas; o mais paciente e calmo da equipe continua sendo Groot, enquanto Rocky reclama de tudo e de todos com sua língua afiada.

No início do jogo, os Guardiões são um grupo recém-formado, que ainda não confiam tanto uns nos outros. Eles também ainda não são heróis consagrados, mas sim mercenários quase falidos que estão em busca de dinheiro enquanto tentam não se meter em mais problemas com a Tropa Nova, organização policial que mantém ordem na galáxia. Ao longo dos capítulos, acompanhamos a evolução deles como heróis e também como amigos.

O quinteto está cheio de problemas para esconder da Tropa Nova. (Imagem: Captura de Tela/Bruna Penilhas/Canaltech)

Quanto menos você souber sobre a história, melhor. A própria Square Enix fez um esforço imenso para divulgar pouquíssimos detalhes durante a divulgação do jogo. Tudo o que você precisa saber é que este é um jogo dos Guardiões e que eles vão enfrentar a poderosa Igreja Universal da Verdade, organização conhecida das HQs, mas que aqui é liderada pelo Grande Unificador Raker. O objetivo do antagonista é levar a Promessa para toda a galáxia, mantendo os seres inteligentes em um estado mental falso e tentador. Caberá a Quill e sua turma evitarem que isso aconteça. 

Sem entrar em muitos detalhes, basta dizer que a história contém revelações, detalhes e segredos que vão agradar os fãs de longa data dos Guardiões. O envolvimento de Mantis e Adam Warlock foi revelado por meio dos trailers, com ambos adicionando uma dinâmica única para a narrativa (cada um de sua maneira). Também há localizações familiares que fiquei empolgada em explorar, principalmente Luganenhum, que é onde está o fiel companheiro canino Cosmo. Gostaria muito de poder especificar o que encontrei por lá, mas é melhor que vocês descubram sozinhos. 

Um gostinho de Luganenhum. (Imagem: Captura de Tela/Bruna Penilhas/Canaltech)

O que posso dizer é que foi incrível percorrer certos planetas, com as mais diferentes paisagens e biomas, e perceber todo o cuidado que a equipe da Eidos teve em tornar esta uma verdadeira experiência Marvel, escondendo excelentes easter eggs aqui e ali. O estúdio conseguiu criar uma história original e legítima para os Guardiões, mas sem descaracterizá-los.

Alguns fãs podem ficar irritados ou apenas incomodados com um detalhe inédito na história de origem de Peter Quill: ele escolheu usar o apelido de Senhor das Estrelas porque este é o nome da banda de rock favorita dele (Star-Lord, em inglês). Particularmente, não me senti incomodada com isso ou com qualquer outro detalhe do tipo. E eu garanto que essa relação de Peter com a banda vale a pena, porque resultou na criação de uma das melhores trilhas sonoras que já ouvi em um game. Falarei mais sobre ela em outro tópico do texto.

Indo além dos segredos que envolvem o universo da Marvel, também é notável como o estúdio conseguiu criar uma exploração bastante interativa e instigante, principalmente quando estamos a bordo da Milano. Investiguei o máximo possível da nave do grupo sempre que pude, seja para desbloquear diálogos opcionais ou para descobrir o que acontece se eu interagir com um certo objeto. Dá para fuçar nos quartos de todos os heróis (cuidado, você pode tomar uma bronca por isso), flagrá-los no banheiro ou simplesmente observar as estrelas ao som da sua música favorita, escolhida por você na rádio de Quill (também falaremos sobre isso mais tarde).

Um exemplo mais específico: fiquei intrigada com a geladeira dos Guardiões, cuja porta estava frequentemente aberta. Eu simplesmente não consegui passar por ela sem querer fechá-la. Fiz isso por incontáveis vezes, o que rendeu algumas piadinhas por parte dos outros Guardiões. É um detalhe pequeno, eu sei, mas que somado a um punhado de outros, deixa a ambientação muito mais viva e imersiva. Também não posso deixar de mencionar as minhas interações fantásticas com a Kammy, a alpaca roxa e cabeluda que vive na Milano. Ela simplesmente combina demais com o grupo e dou risada só de lembrar de certos momentos.

Interagir com Kammy é diversão garantida. (Imagem: Captura de Tela/Bruna Penilhas/Canaltech)

O começo do jogo, que nos introduz à versão criança de Peter Quill, também merece uma menção. Eu fiquei impressionada logo nos primeiros minutos porque há muitas interações bem elaboradas no quarto do protagonista. É possível ler o encarte da fita cassete do álbum da Star-Lord, com todas as letras e créditos das músicas disponíveis. Enquanto observava os objetos, o que também incluía uma revista Rolling Stone com uma matéria de verdade sobre a banda, ouvia ao walkman de Peter, item icônico do personagem nas histórias da Marvel.

Sorri de surpresa quando percebi que era possível usar os botões do aparelho para avançar e retroceder nas canções. Depois que progredi no primeiro capítulo, fiquei curiosa para saber se este nível fantástico de detalhes seguiria por todo o jogo. “Não é possível, devem ter feito isso só pra impressionar a gente no começo”, pensei. Me enganei, como deixei claro nos parágrafos anteriores.

A jornada do grupo se desenvolveu bem ao longo de 16 capítulos (além de um prólogo), e levei cerca de 19 horas para concluir a minha jogatina. No entanto, esta não é uma narrativa digna de aplausos, porque contém algumas reviravoltas previsíveis e um trecho ou outro desnecessariamente extenso. Não espere grandes mudanças baseadas nas suas escolhas durante os diálogos e cutscenes: há apenas um final — e o que pode mudar é como você ou outros personagens chegam nele. Mesmo assim, foi bacana poder escolher o que Peter falaria e moldá-lo para ser mais ou menos otimista, motivador e por aí vai.

O encarte do álbum musical da Star-Lord está inteirinho no jogo. (Imagem: Captura de Tela/Bruna Penilhas/Canaltech)

Embora interessante e cheio de mistérios, não foi objetivo principal dos protagonistas salvar a galáxia que prendeu a minha atenção, mas sim os personagens em si. Cada Guardião é excelente do seu jeito, com personalidades bastante distintas que agregam para a dinâmica do grupo. Como já mencionei, a essência deles não mudou muito aqui, o que pode agradar os fãs do MCU. Eu ouso dizer que gostei mais desta versão do quinteto do que a que vemos nos cinemas. Todos são igualmente carismáticos, incluindo Peter Quill, que pode ficar menos arrogante dependendo das suas escolhas de respostas durante os diálogos.

Soltei gostosas gargalhadas especialmente com Drax e com Rocky, e grande parte das interações entre todos os Guardiões são muito boas. Gostei e me apeguei a todos, sem exceção. Não é nada cansativo ver eles brincando e provocando uns aos outros e foi justamente a companhia deles que me manteve totalmente interessada no jogo. Eu diria até que já estou com saudades.

A dinâmica entre os heróis só melhora ao longo do game e também está presente durante o combate, mas com alguns probleminhas. Enquanto você luta, Peter e companhia conversam entre si, seja sobre a situação em que estão ou para avisar o jogador que está pronto para atacar. Muitas frases são repetidas com frequência, apenas para que o grupo não fique em silêncio. Não chegou a me irritar, mas diria que foi um pequeno incômodo.

Já durante a exploração, os diálogos longos e atropelados me desagradaram um pouco mais. Isso porque, enquanto andava e explorava planetas, houve momentos em que a conversa em andamento foi interrompida por uma cutscene. Como alguém que estava curtindo cada minuto com os Guardiões, fiquei frustrada por não saber como a conversa anterior terminava.  

Por fim, vale mencionar que o carisma do grupo também tem mais um mérito: a dublagem brasileira está impecável para Peter (Raphael Rossatto), Gamora (Priscilla Amorim), Rocky (McKeidy Lisita) e Drax (Mauro Ramos). Eles já emprestaram as vozes aos personagens nos filmes da Marvel, o que ajudou a manter a autenticidade de todo o trabalho. Na metade do jogo, tentei trocar para o áudio original em inglês para conferir como estava, mas logo voltei para o português do Brasil porque já havia me apegado e acostumado com as vozes. Um problema de sincronia labial aqui e ali não ofuscaram a performance do elenco de dublagem, que fez um excelente trabalho mais uma vez.

Entre tiros e risadas

A Eidos-Montréal optou em seguir o caminho mais seguro com Marvel’s Guardians of the Galaxy. Este é um jogo de ação e aventura single-player em terceira pessoa em que controlamos apenas o Senhor das Estrelas, que tem o dever de comandar as decisões e as batalhas. Vi muita gente reclamando que este deveria ser um game cooperativo, com cada jogador assumindo o papel de um Guardião. Como entusiasta de experiências co-op, entendo o desejo. Entretanto, após a bagunça que foi Marvel’s Avengers, decidi acreditar que o single-player poderia ser a melhor opção para evitar outro potencial desastre. 

Você pode desbloquear três golpes e uma habilidade especial para cada herói. (Imagem: Captura de Tela/Bruna Penilhas/Canaltech)

No fim das contas, controlar apenas o Senhor das Estrelas deu certo. Na batalha, você é capaz de ativar as habilidades de Gamora, Groot, Drax e Rocky, que possuem tempo de carregamento quando são usadas. Além de um poder especial, há três golpes normais para cada herói, que são desbloqueados aos poucos ao longo do jogo, com pontos de habilidade que são conquistados a experiência obtida em batalha. Uma sacada criativa é que o desbloqueio do golpe especial está atrelado a momentos específicos e importantes para o desenvolvimento do personagem correspondente.

Jogando na dificuldade normal, senti que o maior desafio do combate foi me habituar aos comandos. Pegar o jeito das pistolas de Peter levou um tempinho: os blasters superaquecem e há uma mecânica que, quando acertada pelo jogador, permite que as armas carreguem rapidamente e que você não precise esperar pelo tempo de resfriamento.

Prestar atenção nisso, enquanto apertava um botão seguido de outro para abrir um menu radial e ver qual habilidade dos meus companheiros eu usaria no momento, foi mais caótico do que eu esperava nas primeiras horas. Também há comandos atrelados ao ambiente, podendo solicitar que Drax atire uma pedra gigante contra os inimigos ou que Gamora derrube uma pilha de caixas penduradas, por exemplo.

Alguns trechos de combate aconteceram dentro de corredores apertados de uma nave, limitando o espaço de algo que exige muito movimento. Mas não é algo que permeou durante toda a experiência. Eu estava determinada a acertar o timing dos comandos e tentar não me desesperar na hora de selecionar as habilidades dos personagens.

Não é como se o game fosse me punir por desacelerar um bocado, mas a sensação que dava é que eu precisava apertar tudo rapidamente para seguir o ritmo frenético do que estava acontecendo diante dos meus olhos. Por isso, deixo a dica para que você possa aproveitar o combate do jogo em sua melhor forma: respire e não tenha pressa. Caso contrário, você não terá controle de tudo o que está fazendo e isso pode ser frustrante.

Apesar de tudo isso, Marvel’s Guardians of the Galaxy não tem um combate complicado. A partir do momento em que você domina as armas de Peter Quill, a experiência fica muito mais fluída. Os movimentos que o protagonista faz para realizar uma esquiva, uma investida e um combo de golpes corpo a corpo, intercalados com o tiroteio, funcionam organicamente, como uma dança. O cuidado com as animações neste momento é notável. 

Encontrar as melhores combinações de habilidades para realizar um golpe também aprimora a dinâmica em grupo. No meu caso, usei este combo com uma certa frequência: a Granada Gravitacional de Rocky, que imobiliza e suspende os adversários, com o Esmagamento de Drax, que abre uma fissura no chão para causar dano. Também gostei de usar os golpes de Gamora para atacar oponentes mais poderosos, porque são focados em atingir rapidamente um único inimigo e aplicar muito dano. 

É possível realizar comandos para ativar as habilidades de todos os personagens do grupo. (Imagem: Captura de Tela/Bruna Penilhas/Canaltech)

Além de tudo isso, há uma função chamada Agrupamento. Quando carregada e ativada, o combate pausa e dá lugar a uma cena em que Peter Quill chama seus companheiros para uma conversa. Alguns dos Guardiões vão falar sobre o que estão sentido e, com base nisso, você deve escolher a resposta certa para motivá-los. O problema é que isso nem sempre vai ficar claro, porque algumas opções simplesmente não fizeram sentido com o que eu havia acabado de ouvir. 

Apesar disso, o Agrupamento é uma mecânica bacana e bem original. Caso Peter responda corretamente, todos os heróis terão seus ataques melhorados temporariamente. Caso ele erre, apenas o protagonista receberá o bônus. A função também serve para recuperar a saúde quando eles forem abatidos — você até pode reviver um por um manualmente, mas quando os quatro se foram, a melhor opção é ativar o Agrupamento.

No Agrupamento, os Guardiões se juntam para ouvir um discurso de incentivo de Peter Quill (Imagem: Captura de Tela/Bruna Penilhas/Canaltech)

Com recursos encontrados ao explorar os planetas, você pode liberar beneficiadores para o visor, as armas e outras características de Peter — aliás, é Rocky quem os aprimora para você, e é algo que só pode ser feito em uma bancada. Pouco antes do fim do jogo, consegui desbloquear todos os aprimoramentos do Senhor das Estrelas e todas as habilidades dos personagens sem dificuldades. É um sistema de progressão simples e sem enrolação.

Há uma variedade considerável de inimigos, com diferentes níveis de saúde e tipos de escudo, que precisam ser derrubados com os disparos elementais dos blasters de Peter — são quatro elementos que também são desbloqueados lentamente ao longo do jogo, e estão atrelados a momentos específicos da história, assim como as habilidades especiais. As batalhas contra chefões, em sua grande maioria, são bagunçadas e sem grandes desafios. Não me senti contemplada ao finalizá-las, apenas aliviada por finalmente terem acabado.

O game conta com quebra-cabeças e obstáculos, que podem ser resolvidos utilizando os elementos das pistolas de Peter ou por meio de comandos dos Guardiões. Groot pode usar seus galhos para criar pontes ou levantar plataformas; Gamora pode cortar obstáculos para abrir passagens e prender suas lâminas na parede para dar impulso para Quill; Rocky hackeia terminais e entra em lugares apertados; e Drax derruba ou carrega grandes estruturas. São elementos que fazem com que a exploração dos ambientes não seja apenas sobre lutar e andar por aí sem ter o que fazer além de coletar recursos e skins.

Já estou com saudades de cada um deles. (Imagem: Divulgação/Square Enix)

Não dá pra dizer que os quebra-cabeças são divertidos e instigantes, mas não são ruins ou entediantes, com exceção dos momentos em que tive que usar o visor de Peter para criar uma corrente de eletricidade para abrir algumas passagens. Estes trechos, sim, foram desnecessários e chatos. Eu não queria ficar perdendo tempo tentando desvendar os circuitos, mas sim seguir para a próxima batalha ou cutscene. 

Por fim, quase esqueci de mencionar que o game conta com trechos em que podemos controlar a Milano em batalha. São momentos curtos e pontuais, mas que funcionam bem como uma quebra e descanso do combate usual com os heróis no solo.

No céu tem videogame?

No PlayStation 5, há dois modos de performance para escolher: o de qualidade, que exibe melhores efeitos visuais, ambientes mais detalhados e maior fidelidade gráfica; e o de desempenho, que garante taxas de quadros por segundo mais elevadas. Vai da sua preferência priorizar um ou outro. Joguei boa parte no modo de qualidade, e mesmo assim, não encontrei engasgos graves na taxa de quadros. No PC, ainda é possível ativar o modo ray tracing.

Sobre o visual, posso dizer que fiquei deslumbrada em vários momentos. Os planetas e ambientes são cheios de detalhes, coloridos como um jogo dos Guardiões da Galáxia deve ser. Não há serrilhado nos cenários ou nos personagens, proporcionando imagens bem definidas, com ótimas texturas e iluminação. Entretanto, alguns efeitos especiais, como explosões e incêndios, não condizem com o restante e podem parecer um pouco toscos.

No geral, o game está bonito e bem otimizado, com poucos glitches e algumas falhas de renderização em que partes do cenário carregavam enquanto a cutscene acontecia. Os dois bugs mais problemáticos que encontrei foram corrigidos na atualização Day 1, de acordo com a Square Enix. O update também adiciona o Modo Foto, que promete prender a atenção dos fotógrafos (amadores e profissionais) por algumas horas.

Os cenários de Marvel's Guardians of the Galaxy são impressionantes no PS5. (Imagem: Captura de Tela/Bruna Penilhas/Canaltech)

Marvel’s Guardians of the Galaxy aproveita bem os recursos do DualSense para proporcionar mais imersão. O controle do PS5 emite pulsos sensoriais com diferentes ritmos e intensidades em determinados momentos das cutscenes, e também reage ao gameplay. As vibrações são únicas para os disparos elementais, enquanto os gatilhos adaptáveis reagem às armas de Quill, criando uma certa resistência à pressão dos dedos enquanto os blasters esquentam.

Não achei o visual dos personagens genéricos — muito pelo contrário. Com Rocky e Groot não tinha como fazer muito diferente, mas Peter e Gamora não me causaram o mesmo desconforto que tive com os Vingadores em Marvel’s Avengers. Só estranhei um pouco os olhares arregalados de Drax, que em certos momentos lembrou o Tio Chico da Família Addams. Curiosamente, quando ativei a skin do Drax de Dave Bautista, o estranhamento passou.

O topete exagerado de Peter Quill é motivo de piada entre os Guardiões, mas funciona bem com o estilo e personalidade do protagonista. (Imagem: Captura de Tela/Bruna Penilhas/Canaltech)

Hey, rockers!

Steve Szczepkowski, diretor sênior de áudio de Marvel’s Guardians of the Galaxy, disse em um vídeo de bastidores que a música está no DNA do jogo, o que é absolutamente verdade. Como mencionei, o game tem uma banda original para chamar de sua — parece até que isso tá virando moda nos jogos, com a CD Projekt Red criando a Samurai para Cyberpunk 2077. O fato é que essas apostas tem dado mais do que certo. A Star-lord é uma banda de hard rock com um toque de “metal espacial” feita especialmente para o jogo dos Guardiões.

Além de dar voz ao vocalista da Star-lord, Szczepkowski escreveu as 10 canções do álbum. Logo no começo do jogo, quando Peter está deitado na cama ouvindo seu walkman, eu já havia iniciado o processo de virar fã da banda fictícia. Gostei das músicas no momento em que as ouvi, e continuo escutando o grupo favorito de Quill no Spotify. Eles até ganharam um clipe musical animado para a faixa “From Zero to Hero”. É sensacional.

Richard Jacques é o compositor da trilha sonora orquestrada do jogo, que traz canções dignas de uma aventura épica de super-heróis. A música-tema até lembra um pouco a dos Vingadores, mas combina muito bem com o quinteto e dá todo um clima cinematográfico para a aventura. 

Por fim, Marvel’s Guardians of the Galaxy conta com músicas licenciadas, com uma seleção formada por verdadeiros clássicos da década de 1980. Surfando na onda do que James Gunn fez com a trilha sonora dos filmes, o game aposta no rock e no new wave para criar uma playlist que dificilmente vai desagradar alguém.

No rádio da Milano, você pode selecionar uma faixa e deixar rolando enquanto explora a nave. Além do álbum da Star-Lord, há “Never Gonna Give You Up”, de Rick Astley, “Everybody Wants to Rule The World”, do Tears For Fears, “I Love it Loud” do KISS, “Take on Me” do A-ha e muitas outras músicas. É o casamento perfeito entre trilha sonora, história e personagens. 

E lembra do Agrupamento? Acontece que ainda não citei a melhor parte da mecânica: após a cutscene, Quill liga o walkman e uma música da trilha sonora começa a tocar, deixando a batalha muito mais descolada. Impossível não se empolgar enquanto atira em alienígenas ao som de “Hit Me With Your Best Shot”, de Pat Benatar, e "Holding Out For a Hero", de Bonnie Tyler — calma, streamers, há uma opção no menu para desativar as músicas licenciadas.

Vale a pena?

Não há dúvidas de que Marvel’s Guardians of the Galaxy é parada obrigatória para qualquer fã do grupo de heróis ou dos quadrinhos da Marvel. O jogo é um prato cheio para quem conhece as histórias de Peter Quill e companhia, sendo possível curtir uma modesta narrativa original com protagonistas extremamente amáveis. Mesmo aqueles que não conhecem os Guardiões, mas buscam um bom jogo de ação e aventura com uma boa dose de diversão, vão encontrar algo especial. É praticamente impossível não se encantar pelo grupo de desajustados.

Caso você esteja preocupado: não há qualquer tipo de microtransações. Todas as skins podem ser encontradas ao longo do jogo, basta investir um tempinho na exploração — é algo que vale a pena, diga-se de passagem, porque os visuais são excelentes colecionáveis.

Todas as skins alternativas dos personagens podem ser encontradas ao longo do jogo. (Imagem: Divulgação/Square Enix)

E se você tem dúvidas sobre o fator replay, esclareço: após terminar o jogo pela primeira vez, o modo New Game+ é liberado, permitindo que você comece tudo de novo com um pouco mais de desafio, mas com todas as habilidades, beneficiadores e skins que coletou na jogatina original. No menu principal, ainda é possível selecionar um capítulo específico para jogar novamente e buscar uma skin e colecionável que deixou para trás.

Prometi a mim mesma que não faria um review imenso, mas claramente não deu certo. Gostaria de passar mais tempo falando sobre como este jogo me surpreendeu e estou curiosa para saber a opinião de outras pessoas sobre a mais nova aventura dos Guardiões. Eu espero, do fundo do coração, que o game tenha o sucesso que merece, até porque já criei expectativas para uma sequência (que sequer foi anunciada, ok?). Como disse, já estou com saudades de Peter, Gamora, Drax, Rocky e Groot, e quero reencontrá-los no futuro.

O_O (Imagem: Captura de Tela/Bruna Penilhas/Canaltech)

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