Análise | League of Legends: Wild Rift é refinado, bonito e veio para ficar

Análise | League of Legends: Wild Rift é refinado, bonito e veio para ficar

Por Igor Almenara | Editado por Jones Oliveira | 06 de Abril de 2021 às 09h19
Riot/Divulgação

Em 29 de março, a Riot Games trouxe ao Brasil o League of Legends: Wild Rift, seu mais recente game mobile. A versão de bolso do famoso “LoL”, exclusivo para computador desde seu lançamento, promete ser uma adaptação fiel ao original, mas adaptado para as telinhas e controles sobre a tela.

Antes de destrinchar o game, é preciso esclarecer seu estágio de desenvolvimento: Wild Rift estreou no Brasil ainda em fase de testes, aberto para o público, então está sujeito a bugs e mudanças complexas até o lançamento da versão final — além de contar com um cronograma apertado para atualizações e introdução de novidades.

(Imagem: Riot/Divulgação)

Além disso, o game já estava disponível em outros continentes, como a Europa. Por lá, ele se encontra nessa mesma fase de testes, mas passou pelo período de recepção e prepara terreno para os primeiros campeonatos profissionais patrocinados pela Riot.

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Ainda assim, existem pontos que o jogo pode ser analisado, características que sinalizam que “vieram para ficar” e que farão parte das mecânicas principais do game. Além disso, o desempenho do jogo também é um assunto a ser tratado. Felizmente, o Canaltech foi convidado pela Riot para participar do acesso antecipado e irá se aprofundar em cada um desses tópicos nessas primeiras impressões sobre League of Legends: Wild Rift.

League of Legends dos pés à cabeça

Cumprindo suas promessas, a Riot entregou com surpreendente precisão uma experiência de League of Legends para celular. Para quem vem do PC, a semelhança é inquestionável. O jogo tem o mesmo mapa, monstros, objetivos, loja de itens, personagens e monetização. É o mesmo jogo, um Multiplayer Online Battle Arena (MOBA) com três diferentes rotas, uma floresta (conhecida como “Jungle”) com torres e o Nexus.

Tela de seleção foi modernizada em Wild Rift. (Imagem: Riot/Divulgação)

Para quem não conhece o gênero, MOBA reúne dois times de cinco jogadores para batalhar e destruir as estruturas defensivas do outro. LoL não é o único do seu tipo; na verdade, ele é apenas mais um entre vários outros títulos — inclusive no segmento mobile —, como Defense of the Ancients 2 (Dota 2), Smite e Arena of Valor.

Apesar de parecer simples, o dinamismo impõe maiores desafios para alcançar a vitória. Chegar ao Nexus inimigo exige trabalho em equipe, coordenação e planejamento, indo desde o jogo individual — na compra de itens, construção de árvores de runas e decisões durante as disputas —, quanto no nível da equipe, com intensa comunicação, supervisão de objetivos secundários e mais.

Wild Rift tem um mapa ligeiramente menor, pequenas tropas que digladiam pelo mapa rendem mais ouro, itens são mais baratos e tempos de recarga de habilidades são, obviamente, mais curtos. Jogar no celular é diferente de jogar no computador, e a Riot parece entender bem essa distinção. Embora as partidas não tenham um tempo limite, no celular tendem a ser mais curtas. Se as decisões corretas forem tomadas, o jogo pode acabar próximo dos 20 minutos, mas nada impede que um jogo passe de meia hora em cenários mais complicados.

Sistema de replay e de espectador já estão funcionais em Wild Rift. (Imagem: Riot/Divulgação)

Ainda assim, a experiência está longe de ser cansativa. O jogo trata, com precisão, a relação do jogador com o celular. Isso desde o sistema de monetização (que entraremos em detalhes mais adiante), à compra de itens na loja dentro das partidas.

Bem-vindo à Summoners Rift

Antes de jogar a primeira partida, toda conta que encara o Wild Rift pela primeira vez terá que completar uma série de tutoriais. Eles são puláveis, para alívio dos veteranos, mas introduzem mecânicas básicas do jogo e apresentam os controles para encarar o primeiro duelo contra a máquina.

Nessa parte, não há defeitos. O jogo faz bem em apresentar a interface e dar funções aos botões que lotam a tela durante a partida. Além disso, ensina como a inserção de sentinelas e pings foram adaptados para as telinhas, como o ataque básico se comporta e como soltar habilidades de forma rápida ou como ser mais cauteloso nos golpes.

(Imagem: Felipe Freitas/Canaltech)

Depois desse processo, você pode logo pular para a primeira partida contra a máquina ou continuar fazendo tutoriais — que oferecem recompensas pela conclusão. O processo é rápido, levando menos de 10 minutos, e mais conceitos fundamentais sobre o jogo são introduzidos. Contudo, há uma falha gritante nesse processo de aprendizagem.

São raras as ocasiões em que o Wild Rift explica cada uma das funções do time. Sim, as explicações existem por escrito de forma breve em um dos menus de tutoriais, mas nem mesmo o tutorial de suporte, por exemplo, apresenta de forma prática a função desse jogador para o restante do time — curiosamente, colocando-o na pele da Ashe, um personagem Atirador.

A ausência de um tutorial mais "mastigado" acentua a curva de aprendizado do LoL mobile, problema também existente no jogo para computador. Nada impede que a Riot amplie as missões introdutórias para aliviar os primeiros momentos, mas, por enquanto, o jogador recém-apresentado à Summoners Rift não entende a função de cada rota, tampouco qual postura deve adotar dentro do jogo.

Isso é notável, inclusive, nas primeiras partidas PvP no modo Normal, sem custo de ranques. O modo de seleção de personagens Escolha Livre faz com que cada um pegue o personagem que preferir, sem necessariamente se apegar à sua função. Isso é compreensível para os primeiros momentos com LoL, mas não há muitas informações dentro do jogo que mudam esse estado. O estudo do jogo deve ser feito por fora.

Fora esses princípios, o jogo faz bem em organizar uma árvore de runas para cada personagem e ter kits de itens preparados para o jogador só clicar no que for mais conveniente e fazer seu build, embora ela possa não ser a ideal para todas as situações. Nesse sentido, é uma introdução mais leve às dinâmicas mais profundas do jogo e não é uma urgência aprendê-los.

A maior das conquistas: os controles

Em League of Legends, o único método de entrada para comandos do jogo é por meio do mouse e teclado. O mouse, por sua vez, pode assumir todas as funções do jogo — mesmo que isso não seja tão prático quanto a combinação dos periféricos. Os ícones de habilidades são dispostos na tela, a mira para liberação de uma habilidade é feita pelo mouse, assim como pings, movimentação, compras na loja e mais.

Essa dependência do ponteiro é um grave problema para dispositivos com touchscreen. Nesses aparelhos, o mouse dá espaço para as combinações de toque, consideravelmente menos precisos do que o periférico convencional. Contudo, numa ideia genial, a Riot aproveitou controles conhecidos do segmento mobile e perfumou sobre eles a fragrância de League of Legends.

O resultado? Uma tela repleta de botões contextualizados, analógico virtual, ícones distribuídos pelas bordas da tela e um robusto sistema de seleção de alvo. Com o seletor de ataque básico, é possível priorizar um alvo, travar a mira em inimigos específicos, ignorar adversários e focar o dano na torre e outras minuciosas mecânicas — que fluem muito bem nas mãos de jogadores da antiga.

(Imagem: Felipe Freitas/Canaltech)

A loja existe em sua forma completa, com navegação entre guias, e também em forma reduzida, num atalho para a próxima compra pendente para a construção de itens melhores. O mapa, por outro lado, está todo disposto no canto superior esquerdo e aceita comandos de movimento direto dele — se habilitada uma configuração no menu —, e facilita a locomoção em longos percursos, como a ida da base para o meio da rota.

Habilidades e botões para ataque básico tomam o espaço da área direita da tela, distribuídos com seus devidos ícones e modelos de atuação — sejam ataques em área, golpes direcionados ou teleguiados. Qualquer um deles pode ser utilizado de forma rápida, focando no inimigo mais próximo ou ter uma ativação mais cautelosa, ao apertar e segurar para mirar.

O sistema guarda suas complexidades e abre espaço para jogatinas mais intensas. Por vezes enquanto jogava, utilizei as habilidades com o dedo indicador para ter maior agilidade e precisão com os botões; mas não foram raras as ocasiões que soltei um feitiço de invocador sem querer em momentos de desespero.

Performance e acessibilidade

No papel, Wild Rift pode ser jogado em uma vasta gama de celulares. A Riot fez um extenso trabalho para desenvolver o game de forma que fosse compatível com processadores de 32 ou 64 bits — uma das limitações de outros títulos da companhia, como o Teamfight Tactics. Ademais, os requisitos mínimos para Android e iOS são pouco exigentes para boa parte dos smartphones mais recentes do mercado.

Aqui no Canaltech, os primeiros dias de testes foram feitos num Galaxy M51, um modelo equipado pelo Qualcomm Snapdragon 730G, 6 GB de RAM e espaçosos 128 GB de armazenamento. O intermediário lidou bem com as demandas do Wild Rift, capaz, inclusive, de fazer gravações durante a jogatina sem grande impacto na taxa de quadros — que permanecia em torno de 55 e 60 FPS.

Opções gráficas são bem variadas e abrem espaço para frequências de tela de 90 e 120 Hz. (Imagem: Igor Almenara/Canaltech)

Numa consulta rápida com colegas, outros aparelhos Android também foram avaliados. Segundo os relatos, até mesmo o Galaxy J5 Prime, um lançamento de 2016, proporcionou uma boa experiência. O mesmo acontece em dispositivos Apple, avaliado a partir do iPhone 6S Plus, com boas respostas durante o game — mesmo que tenha adotado as configurações gráficas mais baixas.

Nos topos de linha mais recentes, não há o que reclamar. O Galaxy Note 10+ e o iPhone 11 não apresentam qualquer problema no LoL mobile. O mesmo acontece com outros intermediários, como o Redmi 9 de 4 GB, com o Helios G80 da MediaTek e no Xiaomi Mi A3, embalado com o Snapdragon 665.

(Imagem: Igor Almenara/Canaltech)

Apesar da performance não ser um problema, Wild Rift sofre significativamente com o tamanho inicial do download. Direto das lojas de aplicativo, o pacote a ser baixado ocupa cerca de 2 GB da memória interna; depois dos tutoriais, mais arquivos precisam ser baixados e resultam em assustadores 3,92 GB de “Espaço usado” no Galaxy M51.

Num cenário de fartura de armazenamento interno, esse valor ainda é tolerável, mas todo esse espaço inviabiliza a presença do Wild Rift em celulares com armazenamento mais limitado, principalmente nos modelos de 32 GB — cujas limitações já foram debatidas aqui no Canaltech.

Por se tratar de um período de Beta aberto, ainda há espaço para mudanças. A Riot pode remanejar o espaço de download, segmentar seus pacotes de gráficos para pacotes opcionais e reduzir o game por meio de otimizações. Nesse caso, só há como aguardar pelo melhor.

Monetização

A Riot deixou claro que seu plano para monetizar Wild Rift seguirá os princípios do jogo original. Em nenhum momento, compras feitas com dinheiro real farão diferença dentro das partidas. Toda partida é completamente nova e não há qualquer investimento que irá mudar status de personagem ou resultará em alguma vantagem. Além disso, não há limite de tempo para jogar e todas as aquisições por dinheiro real mudam apenas aspectos estéticos de jogo.

Passe de batalha terá recompensas gratuitas e pagas. (Imagem: Igor Almenara/Canaltech)

As opções para gastar dinheiro dentro de Wild Rift devem ser feitas através da aquisição de pacotes de Wild Cores, a moeda digital do jogo. A partir dela, o valor investido pode garantir acesso ao passe de batalha, comprar skins, emotes, ícones, animações de retorno, poses para a tela de vitória, ornamentos, emblemas de rift ou um Baú Poro, para receber uma recompensa aleatória.

Skins e os outros acessórios são semelhantes aos presentes no jogo original, mas nenhuma das skins das contas vinculadas será levada ao jogo mobile. São jogos do mesmo ecossistema e podem até ter as mesmas skins, mas as compras são totalmente paralelas.

Loja do jogo. (Imagem: Igor Almenara/Canaltech)

Personagens, por sua vez, são totalmente gratuitos. Os primeiros momentos com o jogo são marcados por uma enxurrada de recompensas ao fim de cada partida, mas esse ritmo de diminui com o tempo. Se você quiser adquirir um personagem depois desse período, precisará investir Ciscos Azuis em um novo herói, mas não se preocupe, os ciscos são obtidos ao fim de cada partida, sem qualquer custo adicional.

O que esperar de Wild Rift?

Por enquanto, longo período de suporte. Se considerar o histórico da Riot com League of Legends, seu MOBA de bolso terá muitos anos de suporte constante, conteúdo e personagens novos liberados constantemente e um ciclo constante das temporadas ranqueadas. Futuramente, é provável que a gigante invista num cenário competitivo dentro na região brasileira e, quem sabe, tentar competir pelo pódio do segmento portátil.

"Galio, o Colosso" chegou como parte da atualização 2.2.(Imagem: Igor Almenara/Canaltech)

League of Legends: Wild Rift é uma adaptação fiel de sua versão original, levada ao celular em sua forma refinada e prometendo bastante para toda a sua comunidade. O jogo poderá ir bem longe se continuar com a chegada de novos modos de jogo e inspirações nos eventos ocasionais do jogo para computador. No mais, resta aguardar para vislumbrar seu sucesso no Brasil. Wild Rift está disponível gratuitamente para Android e iOS e pode ser baixado a partir da Play Store e App Store.

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