Análise | Judgment é o puro suco de Yakuza — para o bem e para o mal

Análise | Judgment é o puro suco de Yakuza — para o bem e para o mal

Por Felipe Ribeiro | Editado por Jones Oliveira | 12 de Maio de 2021 às 09h30
Divulgação/SEGA

Quando foi anunciado no início de 2019, Judgment parecia não ter muita pretensão. Trata-se de um jogo extraído da franquia Yakuza, mas que traz uma abordagem diferente para o universo dos mafiosos japoneses. A primeira vista, parece que não vai funcionar, mas, depois de boas horas com o game, é possível extrair muita coisa boa da experiência.

Com seu lançamento para os consoles de nova geração, Judgment segue a cartilha dos games de Yakuza quando pensamos na jogabilidade e progressão, apresentando uma ótima opção de RPG oriental para o pessoal do Ocidente. Isso, porém, é feito com mais ajustes, que acabam tornando o jogo mais divertido do que Yakuza 6: The Song of Life, ou até mesmo do que Yakuza: Like a Dragon, que modificou os combates dentro da franquia para um RPG de turnos.

O diferencial que mais chama a atenção, porém, está no enredo. Ao invés de pegarmos a história sob a ótica de um yakuza, controlamos Takayuki Yagami, um ex-advogado que acabou se transformando em um investigador particular em Kamurocho, região fictícia conhecida da franquia. Mas, apesar de nunca ter se metido com os grandes mafiosos nipônicos, a vida desse cara mudou completamente devido ao seu novo cliente: um ex-yakuza que precisa provar sua inocência.

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Captura de tela: Felipe Ribeiro/Canaltech

Os caminhos para que esse caso seja solucionado, porém, estão diretamente ligados ao modo como o game trabalha em sua progressão e jogabilidade, mas sem deixar o DNA da franquia Yakuza de lado.

O Canaltech teve a oportunidade de testar o jogo e vai te contar em detalhes como isso tudo funciona.

Na surdina — mas nem sempre

Por mais que muitos elementos de Yakuza apareçam em Judgment, você perceberá que, durante a progressão do jogo, algumas diferenças irão surgir. A principal delas é que, como você agora está "dentro da lei", vai ter de correr atrás da bandidagem com mais propriedade. Sendo assim, elementos foram incluídos para destacar essa "mudança de lado".

Captura de tela: Felipe Ribeiro/ Canaltech

Como investigador, terão momentos de perseguição mais furtiva e outros em que a correria vai rolar solta pelas ruas de Kamurocho. Um drone será seu principal equipamento em determinadas situações e, quando nada disso der certo, esteja certo de que descer a porrada nos inimigos será bem-vindo.

E para isso, Judgment bebe da fonte dos games mais clássicos da franquia Yakuza, mas com algumas melhorias. Uma das mais legais é que agora temos à disposição dois estilos de combate, um focado em lutas com menos inimigos e outro mais direcionado para quando gangues inteiras vêm atrás de você. Repare que, nesse momento, os golpes mudam completamente. E, diferentemente de Like a Dragon, por exemplo, objetos podem ser utilizados para golpes especiais que arrancam muito mais dano dos inimigos.

Os combos são fáceis de serem realizados, independentemente do estilo de luta adotado. Além disso, a maneira como evoluímos o nosso personagem é bem intuitiva e fácil, já que colhemos dinheiro e pontos de experiência com muita facilidade, ao contrário de outros jogos de Yakuza.

Captura de tela: Felipe Ribeiro/ Canaltech

O gameplay fica mais recheado com as missões secundárias e interações com os NPCs, que são das mais variadas. Além disso, também é possível jogar alguns mini-games, que basicamente são outros jogos da Sega, como Virtua Fighter 5.

Depois de um tempo, fica cansativo

Se Judgment tem pontos positivos da franquia Yakuza, era natural que também tivesse os negativos. Depois de um tempo com um game e mais de 30 horas jogadas, fica bem cansativo entrar sempre nos mesmos tipos de combate o tempo todo. Há pouca variedade e, depois de evoluir bastante seu personagem — algo que é bem fácil, diga-se de passagem —, as missões ficam muito mais triviais.

Captura de tela: Felipe Ribeiro/ Canaltech

Mesmo com uma boa diversificação de missões secundárias, é necessário andar pelas ruas de Karamoucho, o que também não é tão divertido assim. Mesmo que os NPCs sejam inteligentes e a ambientação interessante, tal qual em Like a Dragon, parece haver uma limitação maior de navegação para explorar esse bairro.

Roda muito bem no Series S

Em nossa avaliação, feita em um Xbox Series S, a experiência técnica foi a melhor possível. Isso porque o console da Microsoft dá conta do recado ao entregar um jogo em 60 FPS cravados e resolução 1440p que, na ponta do lápis, o coloca à frente, por exemplo, de Like a Dragon. No Xbox Series X e PlayStation 5, porém, é possível jogar em resoluções maiores.

Captura de tela: Felipe Ribeiro/ Canaltech

Já na parte gráfica, Judgment mudou pouco com relação à versão de PlayStation 4. O jogo segue o padrão que já conhecemos de outros jogos da franquia, mas, ao que tudo indica, o pessoal da Ryu Ga Gotoku preferiu focar as melhorias de nova geração nos tempos de carregamento ínfimos e na taxa de quadros por segundo.

A localização do game, por enquanto, não contempla o português em nenhum aspecto, mas, tal qual aconteceu com Like a Dragon, as legendas e interface de usuário devem ganhar o nosso idioma em breve.

Veredicto

Judgment é um prato cheio quando pensamos em enredo e construção de uma história. Já no mercado há algum tempo, ele se tornou uma ótima opção para os fãs de Yakuza que querem aproveitar a jogabilidade e progressão da franquia sob uma ótica diferente.

Entretanto, gameplay repetitivo pode tornar o fator replay um tanto quanto trabalhoso. Por isso, tente fechar o jogo de uma vez, assim aproveitará o que ele tem de melhor.

Judgment está disponível para Xbox Series X|S, PlayStation 5, PlayStation 4 e Google Stadia.

No Canaltech, Judgment foi avaliado graças a uma cópia digital gentilmente cedida pela Sega.

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