Análise | Call of Duty Modern Warfare 2 Remastered mostra que game ainda é atual

Por Wagner Wakka | 09 de Abril de 2020 às 13h00
Activision

Quando a Activision lançou Call of Duty: Modern Warfare 2 lá em 2009, o game levantou uma série de debates. A começar, ficou conhecido como uma das melhores campanhas single player da franquia. E, talvez, isso seja exatamente o que motivou a empresa a fazer uma remasterização da história desse título.

Pouco mais de 10 anos depois, Call of Duty: Modern Warfare 2 chega remasterizado, adicionando um acabamento visual aprimorado à campanha que já era considerada excelente na época. O título foi lançado primeiro para PlayStation 4 e, no fim de abril, também chegará ao Xbox One e PC.

Como um remaster, Modern Warfare 2 tem pouquíssima mudança em narrativa e jogabilidade em relação à versão original. O grande aprimoramento aqui é gráfico. Dito isso, o game será analisado pelos aspectos técnicos de como essa melhoria foi feita, com menor foco na história e outros elementos do original.

Antes disso, vale uma breve contextualização. Call of Duty: Modern Warfare 2 coloca o jogador na pele de diferentes militares em pontos distintos do planeta, mas com uma trama que amarra todas as pontas. O jogador acompanha personagens clássicos da franquia como Ghost e Shepard, em uma trama de vingança contra inimigos russos.

Como o próprio nome sugere, a série traz a história para tempos modernos. Isso é, coloca o jogador em tempos atuais — no caso, 2009, quando se desenrolava uma forte disputa entre Estados Unidos e Rússia. Por isso, ele traz armas modernas, mas sem extrapolar com inventividades complexas.

Principais mudanças

Call of Duty: Modern Warfare 2 Remastered, claro, tem uma alta melhoria gráfica. Contudo, este é um termo muito obtuso para descrever o que foi feito. A Activison se aproveitou da Beenox, um estúdio interno que tem se especializado em fazer recriações e tem em seu currículo a “reimaginação” da franquia Crash.

Luzes do game também estão mais bem definidas (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Embora seja gráfico, o trabalho não traz somente uma melhoria de definição. Os desenvolvedores refizeram grande parte dos personagens principais, adicionando animações, além de mais traços e emoções. Em se tratando de uma campanha impactante, isso faz uma boa diferença na hora colocar o jogador no roteiro (afinal, estamos falando de um game em primeira pessoa).

Esta versão também está bem mais detalhada. Já na primeira parte, quando o seu personagem está treinando tiro e movimentação, o acampamento tem bem mais soldados e animações. No vídeo abaixo, em que há a comparação entre os dois ambientes (na versão original de PC e a remasterizada no PS4), é possível ver a diferença na qualidade e quantidade dos elementos.

O remaster também adiciona algumas cenas roteirizadas. Principalmente nos inícios de cada missão, há algumas novas animações para colocar o jogador no ambiente, antes de começar a correria. Isso faz bastante diferença, principalmente na segunda missão, em que há a queda de um prédio em frente ao pelotão. A cena de um edifício caindo lentamente e a fumaça subindo para tampar a visão do jogador oferece uma boa dose de imersão.

Por outro lado, por conta da maior quantidade de texturas, o jogo também é mais esfumaçado. A técnica aqui consiste em dificultar a visão do jogador à distância para exigir menos processamento do PlayStation 4, dando mais espaço para detalhar o que está próximo do jogador. O ambiente mais esfumaçado aparece, contudo, somente em fases mais amplas e abertas, incomodando em momentos bastante específicos apenas.

Nos ouvidos

A mudança visual é bastante clara, mas há outro detalhe do game que também chama atenção. Call of Duty: Modern Warfare 2 Remastered traz uma qualidade sonora muito mais limpa e geométrica. Isso quer dizer que, se você está jogando com fones de ouvido, tem uma noção mais clara de onde estão vindo as vozes e, mais importante, os tiros.

Principalmente na fase do Rio, que se passa em uma favela, saber de onde saem os gritos (em português brasileiro) ajuda bastante a encontrar os inimigos. Este posicionamento sonoro não estava presente na versão original e aparece como um bom complemento para esta versão.

Funciona? 

É preciso ter em mente que, embora remasterizado, ainda se trata de um game de 2009. Isso significa que ele traz ideias, roteiro, gameplay e o modo de fazer e pensar jogos de 10 anos atrás. Incrivelmente, as mecânicas funcionam muito bem ainda nos tempos de hoje. Ou seja, o remaster traz poucos momentos em que você percebe que está jogando um título com uma década de idade.

As novas animações ajudam a esconder a velhice muito bem, tirando aqueles momentos quebrados de movimentação artificial antiga. Entretanto, um olhar mais refinado permite perceber alguns traços antiquados (mesmo que menores).

Mecânica de radar na arma é uma boa ideia que ainda funciona (Foto: Wagner Wakka/canaltech)

Por exemplo, quando se fala com algum NPC, o personagem inicia uma animação que não acompanha a movimentação do jogador. Ou seja, se ele começa a falar com a cabeça em uma direção e você se movimenta, o personagem continua falando para o nada, sem acompanhar o ouvinte.

Claro que este detalhe não atrapalha exatamente a gameplay ou imersão, mas conota uma assinatura do fazer-videogame da década passada. No fim, é até um charme conservador dentro do remaster.

Novamente, a gameplay sem modificações em relação à versão original (fora refinamentos de velocidade e precisão) se encaixa muito bem em um título lançado em 2020. Enquanto isso é algo bastante positivo para o remaster, por outro lado revela como a franquia Call of Duty mudou pouco com o tempo.

Ou seja, é possível questionar se Call of Duty: Modern Warfare 2 é um título a frente de seu tempo ou se os jogos atuais da franquia é que se parecem muito com os lançados no passado. Essa é uma dúvida cuja resposta não cabe nesta análise.

Sim ajuda a se encontrar em ambientes bastante poluídos como nas favelas (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

O ponto é que, quem não é familiarizado com games de tiro, jogando os principais títulos dos últimos anos, poderia dizer que Modern Warfare 2 Remastered se trata de um game lançado originalmente em 2020. Diferente de outras remasterizações, ele funciona - e bem - em termos de gameplay para os dias atuais.

E a história? 

Quando a versão original foi lançada lá em 2009, não só ganhou os holofotes por causa de suas mecânicas inovadoras e uma boa trama. O título foi polêmico por pegar pesado nas cenas. Há massacres, torturas e outros momentos considerados violentos demais até para um jogo cujo objetivo é meter bala em todo mundo.

Por conta disso, esta versão traz um aviso logo que se inicia a trama. É possível pular as “cenas mais pesadas” caso você sinta que é sensível demais à violência. Essa é uma adição importante que mostra que os desenvolvedores reconhecem que podem ter passado um pouco do ponto, oferecendo esse filtro ao jogador.

Contudo, tais cenas são algumas poucas e contrastam com a violência inconsequente do resto da trama. Por exemplo, voltemos à belíssima cena do prédio bombardeado na segunda fase. Nela, um grupo de soldados se posiciona em uma ponte para ter uma visão melhor do prédio que está prestes a colapsar. O diálogo todo tem um ar cômico do que está por vir. Depois que a bomba explode, o edifício (visivelmente com gente em cima), há uma comemoração do pelotão e o “momento relax” acaba.

Momento icônico em que prédio é derrubado é comemorado por esquadrão (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Essa não é uma das cenas consideradas sensíveis na trama, que ainda envolve subir na favela e matar quase uma centena de personagens estereotipados como milícia (leia-se: população negra e pobre do Rio de Janeiro). Ou seja, ao permitir que você pule as cenas sensíveis, o jogo dá a entenderr que essas fases igualmente violentas não são tão sensíveis assim.

Embora seja atualizado em gameplay, a narrativa ainda traz uma visão atrasada do que é romantização da violência nos games, transformando a guerra em um pretexto para o prazer mecânico de atirar.

Vale a pena? 

Dito isso, é importante dizer que o trabalho gráfico feito em Call of Duty: Modern Warfare 2 Remastered é bastante cuidadoso e detalhado, transpondo um game de 2009 para os dias de hoje. Ele traz mecânicas bem interessantes e que funcionam bem ainda em 2020, como a arma-radar na fase com nevasca. Assim, pode ser uma boa pedida para reviver um dos games mais aclamados pelos fãs da série.

Contudo, se você está procurando uma trama profunda e que traga boas discussões para o gênero, Modern Warefare 2 Remastered não modifica nada neste sentido. Ou seja, este game não é para você.

Desenvolvido pela Beenox e publicado pela Activision, Call of Duty Modern Warefare 2 Remastered chegou para PlayStation 4 em 31 de março de 2020. Ele também será lançado para Xbox One e PC em 30 de abril. No Canaltech, esta análise foi feita com uma cópia para PlayStation 4 cedida gentilmente pela Activision.

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