PS2 ou Switch: qual console revolucionou mais a indústria dos games?
Por Diego Corumba • Editado por Jones Oliveira |

O Nintendo Switch já desbancou o DS, mas agora encara o 'chefe final': o PlayStation 2, com as suas 160 milhões de unidades vendidas.
No entanto, vendas representam impacto cultural e o quanto um videogame de fato moldou toda uma geração? Neste caso, quem venceria: o pequeno gigante da Big N ou um dos colossos mais emblemáticos da Sony?
Aqui no Canaltech vamos explorar estas questões e te dizer quem mais deixou a sua marca no público e em toda a indústria dos jogos: Switch ou o PS2. Confira abaixo:
PlayStation 2 e a Revolução Multimídia
Não há como negar o impacto da geração PlayStation 2 e de seus títulos. Kingdom Hearts, Devil May Cry, God of War e outros alavancaram um sucesso absoluto — assim como sequências de franquias como GTA, Silent Hill, Resident Evil, Metal Gear Solid e outros receberam ainda mais destaque.
Ainda assim, o console da Sony nunca foi “só isso”. Acima das experiências emblemáticas, do efeito que a pirataria teve e outros aspectos, é importante lembrar que o PS2 era o DVD Player mais barato de todo o mercado nos anos 2000.
Desta forma, ele era mais do que um “brinquedo”. Era um dispositivo que permitia a famílias assistirem Matrix ou O Senhor dos Anéis com uma boa qualidade de imagem e sem os altos custos de um leitor próprio para estas mídias.
Com um preço mais acessível e uma proposta multimídia, o PlayStation 2 se estabeleceu como uma central de entretenimento. As “crianças” podiam jogar. Os “pais” poderiam ver séries e filmes. Tudo em um único pacote.
Além disso, apesar de não ter sido a primeira tentativa na indústria de jogos, o console da Sony foi o primeiro a ser bem-sucedido com experiências multiplayer online. O hardware possuía uma porta ethernet que permitia a conexão para curtir com os seus amigos — e sem custos adicionais.
Resident Evil Outbreak, Tony Hawk’s Pro Skater 4, Star Wars: Battlefront e Final Fantasy XI estiveram entre os grandes sucessos deste modelo, responsáveis por abrir as portas para a produção de diversos outros que chegariam nas gerações PS3, PS4 e PS5.
Foi a “Era PlayStation 2” que também determinou o padrão cinematográfico que os games adotariam. Metal Gear Solid 3, Silent Hill 2, God of War e outros criaram momentos que viraram uma experiência coletiva —- aquele em que seus pais ou responsáveis sentam e comentam: “que filme é esse?”.
O salto gráfico impressionava, assim como o poder da plataforma e todas as suas possibilidades. Vale lembrar que o design de “mundo aberto” como conhecemos hoje deu saltos largos em jogos como GTA III, The Simpsons: Hit & Run e Shadow of the Colossus.
Todos estes aspectos marcaram os fãs e até quem não conhecia nada sobre o videogame, mas não perdia um filme na locadora para assistir nele. Apesar da pirataria ter um forte apelo nesse desempenho, não era um fator popular em todos os países como foi no Brasil, por exemplo.
Nintendo Switch e a Revolução do Estilo de Vida
Por décadas, os videogames eram divididos entre os consoles e portáteis. Por um lado, eram entregues gráficos potentes na TV com o Super Nintendo, PS1, PlayStation 2, Xbox 360 e outros. Por outro, a portabilidade trazia conveniência pixelada através do Game Boy, Nintendo DS, PSP e mais.
Ainda que o teste do Wii U de levar as duas telas dos seus portáteis para a plataforma não tenha dado certo, a Big N insistiu na sua ideia de unificar o que era visto nestes dois universos através do Nintendo Switch. Uma proposta antes impensável e arriscada. Porém, bem-sucedida.
Deste modo, os jogadores não precisavam mais escolher entre imagens de qualidade e portabilidade. Era possível jogar The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Mario Kart 8 Deluxe na sua TV, assim como de carona no carro ou até naquela pausa para o almoço no trabalho.
Além disso, ele trouxe de volta o conceito dos controles por movimento, tela com touch e várias facilidades que as pessoas tinham de analisar friamente e de forma separada para escolher o seu dispositivo. Ele conseguiu o que poucos tiveram êxito antes: mudar a rotina dos jogadores. Seu videogame te acompanharia.
Outro aspecto positivo é que ele reviveu os títulos de exercício — que fizeram sucesso na época do Wii. Fitness Boxing, Ring Fit Adventure, Nintendo Switch Sports, Zumba: Burn it Up! trouxeram os “bons tempos” em que víamos a disputa entre o console da Big N e o Kinect do Xbox 360.
No entanto, não teve um mercado onde ele tenha se destacado tanto quanto no de jogos independentes. Com uma plataforma de fácil acesso, ele se tornou o lar oficial de experiências como Hades, Hollow Knight, Stardew Valley e outros — o que ajudou a salvar muitos destes estúdios ao longo dos anos.
Impacto na Indústria
Depois de vermos tudo isso, entre o Switch e o PS2, qual foi o melhor modelo de negócios e revolucionou mais o mercado? Pois é, esta é a pergunta de um milhão de reais.
O console de mesa da Sony, por exemplo, introduziu o conceito de “exclusivos AAA” — com games estelares, com um alto investimento e que usa todo o poder dos seus videogames.
Outro ponto para o PlayStation 2 foi em reforçar a escolha da companhia por mídias físicas mais baratas, modelo que a companhia mantém até hoje. Seu poder foi tamanho que derrubou a SEGA e o Dreamcast, assim como forçou a Microsoft a entrar com o Xbox nesta competição.
Do lado oposto, o Nintendo Switch trouxe diversas formas inovadoras para jogar, mas nenhuma se compara ao fato de que ele fez nascer os PCs portáteis. Sim, sem o seu conceito, Steam Deck, ASUS ROG Ally, Lenovo Legion Go sequer existiriam para venda.
E vale se atentar que, apesar de copiarem o formato, muitos deles sequer alcançaram o que a Big N fez em 2017. Mesmo com poder computacional em alta, nenhum possui controles por movimento, muitos sequer usam tela touch e seguem um nível abaixo do sucesso que o console híbrido teve.
Diferentes Eras, Diferentes Revoluções
O PlayStation 2 literalmente democratizou o acesso, seja pelos jogos em mídia mais barata do que a concorrência ou por ser o DVD Player mais em conta disponível no mercado.
Em países emergentes, como o Brasil, ele ganhou forças e popularidade ainda maiores devido à facilidade da pirataria e preços. Foi deste modo que ele se transformou em cultura pop de massa.
Já o Nintendo Switch salvou a sua fabricante do fundo do poço que foram jogados após o Wii U, com uma verdadeira redefinição da forma como jogamos. Eles provaram não apenas que gráficos 4K não são tudo, mas também que era possível fazer muito mais com menos.
No fim, o Switch conseguiu revolucionar a história dos hardwares — seja pelo seu formato híbrido, por inspirar os PCs portáteis e ser um verdadeiro lar para os jogos independentes. Porém, o PlayStation 2 revolucionou a cultura global e mostrou que ele podia ser mais que um “brinquedo”.
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