Hands-on | Project xCloud é promissor e indica como pode ser o futuro dos games

Por Felipe Ribeiro | 06 de Dezembro de 2020 às 14h00
Captura de Tela/ Felipe Ribeiro

Anunciado durante a conferência da Microsoft na E3 2019, o Project xCloud era a resposta da gigante de Redmond para o então badalado Google Stadia. A proposta do serviço era entregar uma experiência de jogo por meio do streaming em quaisquer dispositivos móveis com conexão à internet.

De lá para cá, muito se questionou sobre a viabilidade do serviço e como a Microsoft pretendia formatá-lo. Em 2020, em plena pandemia da COVID-19, a empresa começou a fazer alguns testes em mercados férteis para o produto, como os Estados Unidos e países da Europa. O que foi percebido é que, se bem trabalhado, o Project xCloud pode ser um vislumbre do futuro dos games.

Mais um tempo se passou, a nova geração de videogames chegou e o Project xCloud finalmente ganhou corpo, modelo de negócio aprimorado e, enfim, mais locais para testes — incluindo o Brasil. A Microsoft decidiu atrelar sua plataforma de jogos por streaming ao que hoje é um dos melhores serviços de entretenimento do mundo e o melhor, disparadamente, no mercado de games: o Xbox Game Pass. Assinantes da categoria Ultimate, que agrega, também, a Xbox Live Gold, poderão jogar toda a biblioteca presente no Game Pass diretamente dos seus dispositivos Android, seja pelos controles de toque ou com um controle de Xbox pareado via Bluetooth.

Captura de Tela: Felipe Ribeiro/Canaltech

No Brasil, o anúncio de que o serviço logo passaria por um período de beta fechado veio logo e, tal qual ocorrera em outros países, testes exaustivos seriam feitos para aferir a eficiência por aqui.

O Canaltech, claro, foi convidado a ter acesso antecipado ao Project xCloud e está testando o serviço há alguns dias. As impressões foram as melhores possíveis e, de fato, há aqui um produto que pode nos dar alguma ideia do que será o mundo dos videogames no futuro.

Confiram os detalhes!

Nota da redação: Para uma experiência completa, recomendamos uma boa base para o controle e uma distância menor para o dispositivo, dependendo do apoio utilizado.

 Sem burocracia

Para iniciar a jogatina no XCloud algumas coisas são necessárias e, tão logo o serviço esteja aberto para todos, esses passos precisam ser seguidos. A primeira delas, claro, é ter um dispositivo compatível o que, neste caso, é um aparelho Android com versão 6.0 ou superior. A Apple, como todos sabem, tem normas específicas que impedem que serviços como este atuem em suas plataformas. Portanto, tão logo isso seja resolvido, é possível que vejamos o xCloud na Maçã.

Com seu dispositivo em mãos, é hora de checar sua assinatura do Xbox Game Pass Ultimate. Hoje, no Brasil, existem quatro planos: mensal, trimestral, semestral e anual, que custam R$ 44,90, R$134,99, R$269,99 e R$539,99, respectivamente. Tudo em ordem? Hora de baixar o aplicativo Streaming (Beta), já disponível na Play Store.

(Captura de Tela: Felipe Ribeiro/Canaltech

Ao fazer o login, tudo se dá de modo muito fácil, uma vez que a interface é bem semelhante ao Xbox One, Xbox Series X|S e ao app do Xbox para smartphones. Não é preciso instalar nada e, uma vez dentro da plataforma do xCloud, com poucos toques na tela já é possível começar a jogatina, que pode ser feita na própria tela, com comandos sensíveis ao toque, ou com um controle Bluetooth pareado com seu aparelho. No nosso caso, utilizamos um de Xbox Series X|S, mas o de Xbox One e outros modelos no mercado são compatíveis.

Se você foi um dos felizardos que foram sorteados pela Microsoft para o período de testes, basta seguir essas instruções para iniciar a brincadeira. É bom lembrar que, caso você já tenha um progresso do game feito pelo console, ele será automaticamente transferido para o xCloud.

Experiência única

Com tudo pronto, hora de jogar. Como vocês devem saber, o xCloud funciona por meio da nuvem, ou seja, não é necessário instalar qualquer jogo para fazê-lo rodar. Basta, claro, seguir tudo o que passamos acima e ter uma boa conexão com a internet. Para sentir o que a plataforma nos oferece por aqui, fizemos alguns experimentos utilizando três conexões diferentes: o 4G da operadora Claro, banda larga de 2.4Ghz e banda larga de 5GHz.

 Captura de Tela: Felipe Ribeiro/Canaltech

No 4G da Claro, mesmo em jogos pesados como Gears 5 e Devil May Cry, a latência não atrapalha e a imagem, na maior parte do tempo, aparece sem maiores problemas. Alguns engasgos ocorrem, é verdade, mas nada que chegue a irritar. Quando passamos para a banda larga 2.4GHz, a experiência torna-se sofrível, sendo quase impossível de jogar.

 Captura de Tela: Felipe Ribeiro/Canaltech

A Microsoft indica que a conexão recomendada seja mesmo a de 5GHz e aqui, claro, tudo flui beirando a perfeição. Comandos com latência excelente, imagens mais bem renderizadas e diversão semelhante ao que temos nos consoles, só que em uma tela bem menor. É bom salientar que, como tudo acontece na nuvem, o que acaba mandando mais por aqui é a qualidade de sua conexão e o bom funcionamento dos servidores da Microsoft. Quanto aos aparelhos, evidente que, quanto melhor a tela, melhor o jogo vai aparentar, mas em termos de desempenho, isso acaba se tornando indiferente.

Sobre a utilização de banda, a métrica pode variar de jogo para jogo. No caso de um game como Gears 5, uma hora de jogatina intensa no online nos consumiu perto de 1GB da franquia. Já no offline, um pouco menos, algo na casa dos 800MB. Dependendo do seu plano 4G, pode ser um problema, por isso é recomendado o uso em casa com banda larga fixa.

Escolhido o 5GHz...

Vivenciar o xCloud é empolgante. É como ter um portátil mega parrudo em mãos, rodando games que estamos acostumados a ver nas telas grandes com os consoles. A biblioteca para os testes não ostenta todos os jogos presentes no Xbox Game Pass, mas existem títulos o suficiente para experimentarmos o serviço com exaustão, com jogos de corrida, luta, tiro e aventura, de todos os estilos e abordagens

Imagem, em alguns momentos, não fica tão boa assim (Captura de Tela: Felipe Ribeiro/Canaltech)

A grande preocupação era mesmo com o desempenho dos jogos. Aqui, como a Microsoft já deixou claro, as versões que estão rodando são a de Xbox One padrão. Ou seja, dependendo do jogo, poderemos ter, ou não, taxa de quadros por segundo a 30 ou 60 FPS. Em nossos testes, Forza Horizon 4, por exemplo, é executado com bom detalhamento de imagem, mas a 30FPS cravados, sem engasgos. Já em Gears 5, o modo campanha é jogado em 30 FPS e o online com variações entre 50/60 FPS. Por aqui, a latência também é um ponto positivo e não nos trouxe nenhum problema, mas em termos de imagem, em alguns momentos, nem tudo apareceu da melhor maneira na tela.

Forza Horizon 4 consegue manter boa qualidade visual no streaming (Captura de Tela: Felipe Ribeiro/Canaltech)

Jogos mais escuros, como Devil May Cry 5, por exemplo, apresentam serrilhados e granulados além do normal. Algo que, claro, deve ser corrigido nas versões definitivas do aplicativo e do serviço. Isso revela que, ao menos no início, a prioridade da Microsoft era de deixar os jogos rodando de maneira mais fluída em detrimento de imagens com resoluções mais altas, por isso, talvez, a escolha por deixar as versões de Xbox One padrão. Em um futuro, talvez, possamos ver as versões dos videogames de nova geração.

Multiplayer

A experiência com o xCloud é tão completa que até mesmo os modos online correram bem. Para esses testes, focamos em Gears 5 e Tekken 7 que, sabidamente, estão com seus servidores cheios, mas o desempenho, aqui, foi bem distinto.

Captura de Tela: Felipe Ribeiro/Canaltech

Em Gears 5, a jogatina rolou sem maiores problemas, com a conexão sendo bem administrada e sem engasgos, o que nos proporcionou momentos de diversão como se fosse no console. Já no game de luta da Bandai, totalmente o oposto. Se por um lado, no offline, Tekken 7 é executado com perfeição, quando conectamos com outro jogador, tudo fica bem complicado.

Imagem: Felipe Ribeiro/Canaltech

Em nossos testes, pelo menos por enquanto, não foi possível realizar a jogatina com dois jogadores no mesmo dispositivo. Mas é algo que pode ser pensado para o futuro.

Veredicto

O Project xCloud é um vislumbre do que pode ser o futuro dos games. Aqui no Brasil, mesmo com as dificuldades de conexão, é possível ter uma jogatina fluida e sem maiores problemas. O serviço, aliás, é mais um bom motivo para assinar o Xbox Game Pass e, quando estiver com a biblioteca completa, será possível avaliar com mais precisão o impacto que isso pode trazer ao mercado brasileiro.

Para se inscrever para o período de testes do Project xCloud no Brasil, basta visitar a página oficial.

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