Opinião: 25 anos de Super Nintendo, e por que ele é o melhor console da história

Por Fernando Telles | 26.08.2016 às 09:46

Há 25 anos o Super Nintendo, ou Super Famicon, como os japoneses gostavam de chamar, era lançado oficialmente no Japão. Embora tenha demorado quase três anos para chegar às terras brasileiras, o SNES chegou por aqui no ápice do seu sucesso, com jogos que já eram consagrados lá fora. Títulos como o inesquecível Super Mario World, o maior sucesso do console, vendendo mais de 20 milhões de cópias, ajudaram a Nintendo a vender mais de 49 milhões de unidades do eletrônico.

Embora seja difícil atribuir a um só sistema o título de "melhor videogame da história", muitos entusiastas, até mesmo fãs de outras companhias, afirmam que o SNES é definitivamente o melhor console que já existiu, comparando a revolução que ele trouxe para sua época. Fechando com chave de ouro a era 2D e dos 16-bits, o Super Nintendo se manteve popular até o início dos anos 2000, quando até mesmo a Nintendo partia para a era tridimensional de gráficos poligonais, com o Nintendo 64. Mas se tudo isso não te convence que ele é, até hoje, o suprassumo dos consoles, ajeite-se na cadeira porque vamos lhe contar um pouco de história.

A guerra dos 16-bits

O Super Nintendo surgiu em 1990 com uma proposta bastante simples: continuar o legado do NES, ou Nintendinho, como era conhecido por aqui. Embora o foco do console fosse muito bem definido, a tarefa de continuar o conceito de "jogatina em casa" criado pelo NES em resposta aos jogos de fliperama não seria simples. Além dos sistemas arcade contarem com uma comunidade de jogadores ativa, que permitia maior interação social aos jogos, o SNES encararia algo que o NES nunca teve: concorrentes. Mas isso não foi um problema, muito pelo contrário.

SNES, Super Nintendo

Apesar de não serem os únicos consoles da época, o SNES e o Mega Drive resumiam bastante a guerra dos 16-bit (Foto: Reprodução/Canaltech)

Claro, outros consoles surgiram quando o NES veio a público, mas eles eram apenas opções secundárias dentro dos games em 8-bit. Por outro lado, o Sega Genesis, vendido por aqui como Mega Drive, exigiu que o Super Nintendo se mantivesse competitivo, estimulando um modelo de mercado que se mantém até hoje: quem vende mais não é quem tem apenas o melhor hardware, mas também os melhores jogos. Não, não estamos afirmando que os jogos da Sega eram inferiores, mas o surgimento do Mega Drive forçou a Nintendo a ter um diferencial, e os games do SNES foram isso.

SNES, Super Nintendo

(Foto: Divulgação/Nintendo)

Como se tratava de um sistema concorrente, com novas franquias e novas histórias, o Mega Drive forçou a Nintendo a lançar mais que meras sequências e mudar radicalmente o que foi apresentado no NES, além de criar novos ícones, também. Certamente, não teríamos visto Donkey Kong usar modelos 3D em seus cenários, ou até mesmo os polígonos primitivos de títulos como Star Fox, se o Mega Drive não existisse como um parâmetro que o Super Nintendo sempre estava tentando superar.

É justamente nesse ponto que vemos como a competição é importante nos games — tanto para os jogadores quanto para as fabricantes — para garantir que esse seja um mercado em constante evolução. Por mais que seja um ponto em que ambos os consoles tenham sua importância, afinal, uma competição justa exige dois concorrentes páreos um para o outro, o que certamente os dois eram, acredita-se que o SNES apresentou de forma mais "polida" aquilo que vimos no Sega Genesis, até mesmo por ter sido lançado dois anos depois.

Os melhores jogos das franquias clássicas da Nintendo estão no SNES

Tudo bem, podemos estar entrando num ponto extremamente subjetivo, mas é inegável que quando se pensa em clássicos da Nintendo, os primeiros nomes a vir em mente são Mario, Zelda e Metroid, ao menos para a maioria dos fãs da japonesa. Todas essas três franquias têm games do Super Nintendo que, se não são os melhores de sua história, estão ao menos entre os melhores. De todos os games do Mario, por exemplo, aquele que envelheceu melhor foi Super Mario World, que mostrou ao mundo não só o quanto um jogo 16-bit poderia ser colorido e divertido, mas que também se tornou referência para toda a indústria subsequente.

SNES, Super Nintendo

Por mais clichê que seja, é impossível falar de SNES sem falar de Super Mario World (Foto: Reprodução/Video Game Obsession)

Em The Legend of Zelda: A Link to the Past também podemos ver isso. O título do SNES não só é um dos mais divertidos de toda a franquia (fãs de Ocarina of Time podem discordar), como também foi um dos primeiros a explorar dois mundos num só jogo: o conceito de mundos paralelos estreado pelo game é usado com frequência por jogos da atualidade, sem falar do espirito de exploração encorajado pelo título.

SNES, Super Nintendo

(Foto: Reprodução/It Hardware)

Por último, mas não menos importante: Super Metroid, ou Metroid 3, foi definitivamente um dos melhores jogos do SNES e de toda a história. Não estamos aqui apenas defendendo a história do jogo, que envolvia tudo que os jovens e as crianças dos anos 90 mais gostavam, mas também os aspectos técnicos que o título trouxe à realidade. Super Metroid pode não ter criado o conceito de inventário, por exemplo, mas unir isso a um mundo aberto, aliado a gráficos e efeitos sonoros de alta qualidade para a época, certamente o consagrou como um exemplo para games posteriores.

Muitos clássicos da Nintendo surgiram no SNES

Diferentemente dos três títulos que citamos acima, há muitos outros jogos que não só fizeram sucesso no SNES, como surgiram nele. Muitos destes eram spin-offs, como Super Mario Kart, um jogo tão bem-sucedido que teve uma versão para cada console lançado pela empresa, exceto o Virtual Boy, desde sua primeira aparição no Super Nintendo.

SNES, Super Nintendo

(Foto: Reprodução/Vignette3)

O mesmo console também foi onde a empresa explorou novos gêneros, como o RPG. Super Mario RPG, desenvolvido pela Square — que anos depois se tornaria Square Enix — em colaboração com a Nintendo, serviu de experimento para que algum tempo depois a companhia lançasse as séries Mario & Luigi e Paper Mário, que fez sucesso no Nintendo 64.

SNES, Super Nintendo

(Foto: Reprodução/Melbourne Console Repros)

Além dos novos gêneros explorados, o Super Nintendo foi o palco onde muitos personagens secundários ganharam sua fama em jogos próprios: Donkey Kong Country, por exemplo, deu não só ao DK, como também aos seus amigos, uma série de três importantes títulos. Sem falar em Super Mario World 2: Yoshi's Island, que colocou o parceiro dinossauro do Mario no centro de um dos games de plataforma mais populares da indústria.

Excelente suporte de outros desenvolvedores

Se hoje a Nintendo sofre para emplacar jogos de terceiros em seus consoles, na época do Super Nintendo a história era completamente diferente: além das ótimas franquias originais que atingiram o sucesso no SNES ou surgiram nele, boa parte dos games mais nostálgicos do console vieram de fora da companhia japonesa.

SNES, Super Nintendo

(Foto: Reprodução/YouTube)

Grandes franquias como Mega Man, da Capcom, ou Castlevania, da Konami, tiveram seu maior reconhecimento no Super Nintendo, com jogos como Mega Man X e Super Castlevania IV, que não só surgiram no Super Nintendo como se mantiveram fiéis à companhia desde então. A até então Square também lançou alguns de seus melhores RPGs para o sistema: Final Fantasy VI e Chrono Trigger são frutos mais que doces da parceria entre Square, Enix e Nintendo.

Até o lançamento de Chrono Trigger, Square e Enix eram empresas diferentes, e que pouco tempo depois se fundiram dando origem à companhia que temos hoje.

O SNES impulsionou a cultura dos games nos anos 90

Assim como o Mega Drive, o Super Nintendo sempre é lembrado como um dos maiores ícones dos anos 90. Diferentemente de consoles como o PlayStation, que sobrevivem até hoje, o SNES não é lembrado apenas pelos jogos fantásticos que teve, mas também pelo papel que desempenhou na vida da geração Y, aquela que nasceu entre os anos 80 e 2000 e hoje domina boa parte do público ativo da internet.

SNES, Super Nintendo

(Foto: Reprodução/SpeckyCDN)

Por causa desse papel, o SNES conseguiu superar suas desvantagens, que quase nunca eram falhas, e se mantém como um dos maiores pilares da Nintendo até hoje. Outros consoles foram marcantes também. Não podemos negar que o NES, o Nintendo 64 e o Game Cube moram na memória dos que hoje têm seus 20 e poucos anos, mas também não podemos dizer que o SNES está no mesmo patamar que esses outros sistemas. Precisamos admitir que ele está em algum lugar superior a isso, mesmo que para uns ou outros isso pareça impossível.

SNES, Super Nintendo

(Foto: Divulgação/Playtronic)

Não se trata apenas do SNES ser o melhor console da história, afinal, este é um conceito extremamente subjetivo, mas sim de ele ser o console mais revolucionário que vimos até hoje, não por questões técnicas, mas sim por causa do movimento cultural, neste caso os games, que ele ajudou a perpetuar em nós, crianças daquela época, jovens adultos de hoje.

No próximo dia 30 de agosto, o Super Nintendo completará 23 anos desde que foi lançado no Brasil.