Análise | Wolfenstein II funciona bem no Switch, apesar do controle limitado

Wolfenstein II: The New Colossus chegou no final de 2017 com uma obrigação muito clara: dar continuidade profunda ao universo criado com o primeiro jogo, ambientado em um mundo no qual os nazistas ganharam a Segunda Guerra Mundial.

De fato, ele faz isso muito bem. Agora, é preciso viver uma história de sangue, revolução e luta contra o exército de Hitler nos Estados Unidos tomado pelos alemães. Uma narrativa ousada e muito bem contada com toques de non-sense da franquia e que rendeu o prêmio de melhor jogo de ação da The Game Awards daquele ano.

Junto dele, quase que no mesmo período, um outro personagem começaria a ganhar os noticiários em meados de 2017. Era o Nintendo Switch, o novo console híbrido que teria um dos melhores números em vendas no primeiro ano na história dos games.

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O sucesso do novo videogame foi o suficiente para convencer a Bethesda a ser uma das primeiras grandes publicadoras a apostar na novidade da Nintendo. Em outubro de 2017, um mês antes mesmo do lançamento para PlayStation 4, Xbox One e PC, a Bethesda anunciou a versão de Switch de Wolfenstein II: The New Colossus. Junto com este game, estava em produção também um port de Doom para o console da Nintendo.

É importante salientar que esses dois jogos da Bethesda não só foram anunciados juntos para o mais recente console da Big N, como também foram portados quase que ao mesmo tempo para a nova plataforma. Isso quer dizer que grande parte dos traços que Doom tem para o Switch, será repetida também no port de Wolfenstein II: The New Colossus.

Antes de prosseguir nesta análise, vale um alerta metalinguístico: este texto tem o objetivo de avaliar as mudanças de Wolfenstein II: The New Colossus para o Switch, sendo que aspectos que se mantêm intactos, como narrativa, impacto social e outros itens não serão debatidos aqui.

Saiba mais: Wolfenstein 2: The New Colossus é um mar de autoritarismo, insanidade e sangue

Produção

Wolfenstein II: The New Colossus, assim como Doom, foi essencialmente produzido pela Machine Games, mas portado para o Switch pelas mãos da Panic Button. A desenvolvedora é uma veterana das adaptações, sobretudo para a Nintendo. Foi uma das primeiras, lá em 2007, que pegou a mão em como produzir jogos e portá-los para o Wii, um console muito diferente dos padrões do Xbox e PlayStation.

Com essa experiência, a Panic Button se consagrou na construção de versões de jogos para plataformas diferentes das originais de lançamento. Assim, foi ela que levou Swords para o Wii, Rocket League para Xbox One e PlayStation 4, Injustice para o PS Vita, To the Top para o PS VR e, agora, Doom e Wolfenstein II: The New Colossus para o Switch.

Vale o destaque para uma empresa com habilidade de trabalhar com tantas plataformas diferentes, sem que este trabalho caia em adaptações ruins.

Diferenças e semelhanças

Se temos o mesmo jogo no console, o que ficou do original? Bom, Wolfenstein II: The New Colossus é basicamente o mesmo game lançado para as outras plataformas. Assim sendo, ele não tem nenhum conteúdo essencialmente extra que não apareça nas outras versões. Ele ainda continua sendo feito no motor gráfico Id Tech 6 e com o desenvolvimento da Machine Games.

A mudança aqui está exatamente na adaptação para o console que tem duas características complicadas: a menor capacidade gráfica e controles e tela adaptados para o portátil. Vamos por partes.

Gráficos

Assim como Doom, Wolfenstein II: The New Colossus precisou de um downgrade para caber no Switch. Vale aqui uma separação de jogabilidade no dock e na mão.

Quando se está sendo jogado na versão portátil, a queda visual é menos perceptível. Isso porque a tela do console tem capacidade máxima de 720p, o que, somado ao menor tamanho da tela, torna difícil identificar os detalhes.

Se por um lado a telinha do Switch faz o jogo “parecer mais bonito”, por outro atrapalha, e muito, na visualização dos inimigos na fase. Essa é uma característica do complicado level design até mesmo nas versões originais de PlayStation 4, Xbox One e PC. Entretanto, fica até mais aguçada a dificuldade de encontrar os inimigos pelos ambientes cheios de detalhes do jogo.

Já no dock, em uma tela grande, esse problema se torna bem menor. Por outro lado, ficam mais evidentes as quedas de gráfico e os cortes de imagem que a Panic Button precisou fazer.

Wolfenstein II: The New Colossus é um jogo de gameplay acelerada e que prioriza movimentação. Isso quer dizer que, diferente de outros jogos de tiro, se mexer o tempo todo pelos cantos da fase ajuda a evitar mortes.

Com isso em mente, um detalhe gráfico da versão de Switch atrapalha bastante. Para dar conta de tudo em tela, a Panic Button tornou o visual de movimento da câmera de Wolfenstein II: The New Colossus em algo mais borrado. Assim, principalmente quando se gira a tela, o efeito de blur dificulta um pouco mais a identificação de inimigos pelo ambiente. Algo que fica mais evidente, contudo, com o console no dock.

Todavia, isso são detalhes adaptáveis com boas horas de gameplay.

Controles

Este talvez seja o ponto mais problemático do Switch. Primeiro, é importante destacar que esta análise foi feita com os Joy-Cons e não com o Pro Controler da Nintendo.

Assim sendo, fica evidente que os dois joysticks do console não foram feitos para a precisão exigida em um jogo de tiro em primeira pessoa. A posição do analógico direito, mais para baixo, mas ainda alinhado com os quatro botões de ação, não dá o refinamento nem velocidade necessários para acertar aquela bala na cabeça que pode definir vida e morte nos modos mais difíceis.

A utilização dos dois Joy-Cons em separado, com a tela apoiada, ainda dá um conforto extra, pois tira do jogador a necessidade de segurar o Switch enquanto controla o personagem.

Importante perceber que este é um problema mais de ergonomia do console do que do jogo em si. Para além disso, a Panic Button ainda fez algumas adaptações que melhoram a qualidade de vida do jogador.

A primeira delas é a assistência de tiro muito mais aguçada que nas versões originais. Caso você já esteja minimamente apontando para o inimigo, a mira automática centraliza o alvo e facilita os tiros.

Entretanto, se você prefere não ter essa moleza na vida, há aqui a utilização de sensor de movimento para o controle de câmera. Embora ele não pareça assim tão interessante sozinho como mira, funciona muito bem como um ajuste fino aliado aos analógicos do Switch. Ou seja, uma decisão acertada para o FPS e uma demonstração de que a Panic Button reconheceu o problema do console e tentou contornar as deficiências de forma elegante.

Vale jogar no Switch?

Uma das grandes belezas de se jogar Wolfenstein II: The New Colossus no console da Nintendo é a praticidade e a sensação deliciosa de se divertir com um completo AAA onde você quiser. O game está bem otimizado para a plataforma, sendo que a bateria do Switch deve ter uma duração semelhante a jogar o Zelda: Breath of Wild, próximo a oito horas ininterruptas.

No mais, caso queira uma experiência hadcore no Switch, com o jogo nas versões mais difíceis, vale investir também em um Pro Controller, já que os Joy-Cons não funcionam assim tão bem para o jogo de tiro, que exige velocidade e precisão.

Entretanto, caso você tenha um outro console como PlayStation 4 ou Xbox One e até um potente PC, vale optar por essas plataformas para retirar todo potencial gráfico e de gameplay que Wolfenstein II: The New Colossus oferece.

Por fim, fica o aviso: o game ocupa 23 GB do armazenamento limitado do Switch. Assim, vale pegar um cartão SD externo, ou estar preparado para sair apagando outros games do console.

Wolfenstein II: The New Colossus está muito bem portado e confortável para se jogar no Switch, apesar das limitações do aparelho. Caso você queira uma experiência portátil, a compra aqui é mais que válida. Entretanto, se você tem um outro console desta geração, a recomendação é jogar nestas outras plataformas. Até porque, mesmo lançado já há quase um ano, o game se mantém na faixa dos R$ 200 reais em todas as plataformas, incluindo o Steam.

Wolfenstein II: The New Colossus foi analisado com cópia digital para Switch cedida gentilmente ao Canaltech pela Bethesda.

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