Doom faz sua entrada épica no Nintendo Switch com grande maestria [Análise]

Por Eduardo Hayashi | 22 de Novembro de 2017 às 13h27
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Depois de uma experiência amarga deixada pelo Wii U e às vésperas do lançamento do Switch, recordo-me de questionar se a Nintendo realmente iria conseguir conquistar seu espaço no mercado com o seu híbrido em uma indústria dominada predominantemente pela presença de consoles cada vez mais poderosos.

Para a minha surpresa, e a de todos que acompanham a história da Big N, quase nove meses se passaram desde o lançamento do Switch. Depois desse tempo, é possível dizer com toda a segurança que a Nintendo conseguiu se provar mais uma vez com o seu mais recente console, que antes de completar o seu primeiro ano já está entre os videogames mais vendidos da atualidade e possui dois de seus títulos cotados como os melhores do ano: The Legend of Zelda: Breath of the Wild e o recente Mario Odyssey.

Para fechar o ano com chave de ouro, só restava saber se parceria com a Bethesda para representar as third parties no console traria bons frutos para ambas as partes. Agora, com Doom para Switch em mãos, temos a primeira oportunidade de ver um game de renome em um port para o híbrido. Mas será que a experiência vale a pena?

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O inferno que quase cabe no seu bolso

Vamos pensar no seguinte cenário: Doom foi lançado originalmente em 2016 para Playstation 4, Xbox One e PC, ou seja, em plataformas plenamente capazes de rodar todo deleite visual de um dos jogos de tiro em primeira pessoa mais intensos dos últimos tempos. Tendo isso em mente, seria praticamente impossível trazer a mesma experiência frenética e alucinante para o Nintendo Switch, certo? Errado.

Com muita competência e diferente do que muita gente imaginava, o estúdio Panic Button, encarregado pelo port de Doom para o Switch, trouxe a experiência completa do game para o console da Nintendo, incluindo todos os DLCs e modos adicionais.

E tudo isso fica ainda mais impressionante se levarmos em conta o quanto de trabalho de otimização a desenvolvedora teve de investir para não comprometer a jogabilidade frenética e rápida do game, nem dar espaço para as temidas quedas na taxa de quadros por segundo. Afinal, quem quer ser interrompido no meio de uma autêntica caça aos monstros mais grotescos do purgatório?

O desempenho bom tem um preço

Recorrendo aos números, temos uma resolução 720p adaptável, sendo que ela pode variar um pouco para baixo em situações de alta demanda de processamento gráfico. No que diz respeito à taxa de quadros por segundo, podemos jogar a 30 fps cravados, com uma pequena queda em raros momentos

Tais especificações técnicas se traduzem em uma experiência de jogo satisfatória, que, de forma geral, não fica devendo em nada para as versões originais de consoles de mesa. E isso só foi possível devido ao trabalho árduo da desenvolvedora, que provavelmente teve de torcer e revirar o Switch incansáveis vezes para chegar a um equilíbrio entre performance e qualidade visual.

É claro, o bom desempenho de Doom no Switch não vem sem um custo, e, neste aspecto, é possível notar visíveis reduções de qualidade nas texturas de alguns elementos dos cenários. Para maquiar um pouco a ausência de detalhamento, o jogo faz um ótimo uso do motion blur, efeito que causa um borrado proposital para dar naturalidade às cenas de grande movimentação.

No modo portátil, o downgrade fica bem menos visível, chegando a ser praticamente imperceptível em boa parte do tempo. Em contrapartida, se você estiver jogando em sua TV com o console encaixado no dock, as poucas texturas borradas ficam muito mais perceptíveis, bem como algumas quedas de quadro quando os demônios se aglomeram para te fazer lembrar que o inferno não é um lugar tão amigável.

Outra questão um pouco incômoda é que, como o game foi projetado originalmente para ser exibido em uma televisão ou monitor, no modo portátil do Switch as legendas e algumas informações ficam praticamente ilegíveis, algo que não ocorre com o aparelho no dock.

O que é possível dizer depois de algumas boas horas de jogo é que nenhuma dessas ressalvas prejudicam a jornada para além dos portões do inferno. Seja no portátil ou no modo dock, Doom roda com toda a fluidez, mantendo a velocidade intensa da série, e o melhor: você pode jogar em qualquer lugar e da forma que lhe for mais conveniente!

Para aqueles que não gostam dos analógicos reduzidos dos Joy-Cons, a recomendação é usar o Pro Controller, que proporciona um layout muito mais próximo dos controles convencionais. Outra boa indicação é explorar as configurações de jogabilidade e de vídeo, que também se fazem presente na versão do console híbrido e podem ser úteis para ajustes de sensibilidade do controle e de exibição de elementos visuais na tela.

Veredito

Embora tenha os seus devidos downgrades gráficos, Doom para o Nintendo Switch consegue entregar a mesma experiência brutal do game original, não deixando a peteca cair seja em aspectos de desempenho, qualidade gráfica ou jogabilidade. Todos os conteúdos do game, incluindo armas, modos de jogo, DLCs e modo multiplayer, estão presentes no port, sendo uma ótima pedida para aqueles que ainda não jogaram o título ou uma boa desculpa para aqueles que querem revisitar o game com a portabilidade que o Switch possui.

Também é impossível não notar o quão promissora esta parceria entre a Bethesda e a Nintendo pode ser para o mercado dos games nos próximos anos, principalmente porque a companhia japonesa sempre foi conhecida por adotar um posicionamento mais rigoroso com títulos third party.

O próximo passo agora é ver o que a Bethesda tem a oferecer com The Elder Scrolls V: Skyrim para o Switch. Fique atento(a), pois em breve teremos a análise do game no Canaltech.

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