Análise | Ori and The Blind Forest tem versão perfeita no Switch

Por Wagner Wakka | 19 de Fevereiro de 2020 às 09h19
Wagner Wakka/Canaltech
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Ficha técnica

Quando foi lançado lá em 2015, Ori and The Blind Forest ainda era um game do bom momento de indies que chegava aos videogames. Veja bem, foi somente um ano após o início do desenvolvimento pela Moon Studios que a Microsoft anunciou que estava comprando a empresa. Assim, Ori chegou como uma boa opção na escassez de grandes indies para consoles na época, ainda mais como um exclusivo do Xbox One.

Em 2015, ele caminhava bem e solitário no mar de poucos metroidvanias e precursor de outros bons títulos que o seguiram: Hollow Knight, Celeste, Shovel Knight entre outros. Embora dessa lista seja o menos proeminente, o jogo galgou passos importantes há cinco anos.

Por exemplo, é possível ver referências importantíssimas a Ori em Hollow Knight. A começar pela profundidade da animação como elemento estético importante para contar a história daquele mundo. Ori é todo feito para parecer uma aquarela feita a mão. Segundo Thomas Manler, líder de desenvolvimento do título, cada árvore e elemento visto ao fundo são únicos. Ou seja, não existe um espaço duplicado no game.

A maior novidade trazida pelo jogo, contudo, foi a modificação da mecânica de save points típicos de metroidvanias. Aqui, é possível salvar o jogo quando quiser, desde que o jogador tenha uma chama de espírito para isso. Como o elemento também é usado para ataque, a ideia é que o jogador fique entre se proteger e combater.

Isso faz de Ori um game muito dinâmico, embora nenhum desafio seja exatamente dificílimo de passar. Ao encontrar um ponto desafiante, basta criar um save logo antes e pronto: você pode tentar e tentar sem que aquilo se torne entediante. O mesmo acontece em espaços com muitos desafios consecutivos. Ao passar pelo primeiro obstáculo, é possível salvar no meio do caminho para não precisar refazer tudo aquilo.

De certa forma, Ori and The Blind Forest traz oficialmente para dentro de sua gameplay o “save state”, a opção de se salvar quando quiser típica de emuladores.

É só isso? 

Ori tem uma mistura de quatro elementos que o fazem ser aclamado pela crítica. O primeiro, e mais claro, é a mecânica de salvamento já citada aqui. Junto disso, ele traz uma estética única, com direção de arte de cair o queixo.

Como também já citado, todo o mapa foi criado à mão em seus mínimos detalhes. Isso faz com que, embora se passe sempre no mesmo lugar, as regiões sejam bastante diferentes e únicas entre si.

Outro elemento forte do game é sua história tocante. Os produtores mergulharam em histórias como Rei Leão e Gigante de Ferro para dar carisma ao guardião de luz protagonista do game. Há ainda referências de produções de Hayao Miyazaki, com visual que, por vezes, lembra o estúdio Ghibli.

Jogo traz uma estética toda desenhada a mão (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

A narrativa gira em torno de uma floresta que perdeu sua luz por conta de um pássaro que roubou o núcleo espiritual dela. Controlando Ori, o jogador precisa restaurar essa luz.

O protagonista é acompanhado por Sein, um ponto de luz que é a força-guia do espírito da floresta. É por essa bolinha que acompanha o personagem principal que todos os golpes e habilidade se expressam. Vale reparar que isso torna o protagonista, em si, pacífico, já que todos os ataques são feitos através de Sein. Ou seja, o verdadeiro guerreiro é a própria floresta.

Por fim, o último elemento e mais importante é o aspecto metroidvania que ele carrega. O gênero é conhecido por colocar o jogador em um mapa grande, que deve ser explorado gradualmente. As limitações de direção acontecem também por limitações de habilidade. Ou seja, o jogador precisa ir até o ponto A, no qual consegue a habilidade X, que, então, permite que ele siga para o ponto B, antes inatingível.

Nesse sentido, o game é bem recheado de novos golpes, pulos e outras possibilidades. Assim, é natural que a cada ciclo de 20 a 30 minutos você ganhe algo novo para dar um alívio para a repetição da gameplay.

título trás uma sequência de habilidades para explorar o mundo (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Ao todo, são 11 habilidades diferentes que abrem portas, permitem acessar lugares mais altos e até debaixo d’água.

No Switch

A versão lançada para o console da Nintendo é a definitiva. Isso quer dizer que, em tese, é a que não conta com mais nenhum bug e com o maior polimento possível. Nesta versão, também há duas habilidades a mais para Ori, uma região extra no começo do jogo e dois diferentes níveis de dificuldade (mais difícil e mais fácil que o normal).

A expectativa de jogo mais bem polido se cumpre mesmo no Switch. Durante todos os testes do Canaltech, não houve nem sequer uma situação de bug ou travamento.

Pelo contrário, o game roda lisinho e é uma excelente pedida para o videogame. Como ele permite salvar a toda instante, é possível fazer aquele ciclo de jogar um pouquinho entre intervalos e momentos de espera, ideal para um console com características de portátil.

Edição adiciona teletransporte nas fontes (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Outra boa característica de Ori no Switch é a velocidade. Como um metroidvania com base em exploração e elementos fortes de plataforma, é possível que o jogador morra inúmeras vezes. Por exemplo, em 3 horas de gameplay, foram mais de 100 vezes nos testes do Canaltech.

Por isso, a velocidade com que o personagem retorna à tela é essencial para a próxima tentativa não se tornar pedante. De fato, o tempo de carregamento é bem baixo, não passando de um ou dois segundos. Isso estimula o risco, já que morrer não é exatamente uma punição gigante que não vale tentar um salto ou um ataque a mais.

Até mesmo para fazer cortes de caminho (uma novidade da versão definitiva) é rápido, compensando ir até as fontes de teletransporte para diminuir o tempo de andanças.

Outro ponto positivo é a imagem. O game funciona muito bem tanto na mão (em 720p), quanto na TV, onde roda em 1080p, ambos com 30 FPS. Como já citado, não há quedas de quadros em nenhum momento.

O único ponto negativo para o console permanece no controle. Como se trata de um título que exige precisão nos movimentos em grande parte do gameplay, os botões pequenos do Switch podem ser um empecilho. O jogador pode enfrentar dificuldades, principalmente em pulos repetidos na parede.

Mapa é grande todo feito também sob medida (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Vale a pena? 

A versão definitiva de Ori and The Blind Forest é realmente bem acabada e com bugs raros — praticamente inexistentes. Ainda, traz bons elementos que ajudam na qualidade da gameplay, como os pontos de transporte rápido pelo mapa.

A versão de Switch casa bem com o que o jogo propõe, com permissão para salvar e pausar o game sem perder o ritmo. Ainda, a execução no console da Nintendo está excelente, com manutenção da velocidade necessária de carregamento para garantir o bom ritmo de gameplay.

O único ponto negativo permanece nos controles difíceis do aparelho híbrido. Contudo, não é exatamente um impeditivo, mas somente um desconforto em se tratando de um game de plataforma. Contudo, é uma contrapartida válida para poder levar Ori para viagens e momentos de espera. Caso você tenha um controle Pro, a questão está resolvida.

Por fim, vale a pena pegar o jogo no Switch. Contudo, ainda é preciso colocar em perspectiva de preço. Ele custa R$ 99 no console da Nintendo, enquanto a mesma versão é vendida por perto de R$ 35 na loja da Microsoft para o Xbox One e na Steam. Vale lembrar ainda que Ori é um jogo que faz parte da biblioteca do Game Pass, serviço de assinaturas da Microsoft.

Ori and The Blind Forest foi desenvolvido pela Moon Studios e publicado pela Microsoft. No Switch, ele foi lançado em 29 de setembro de 2019.

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