Conheça o Lev, leitor digital da Saraiva que veio para bater os Kindles e Kobos

Por Pedro Cipoli

Já tivemos a oportunidade de testar todas as versões do Kindle (convencional e PaperWhite) e do Kobo (Mini, Touch e Glo), aqui no Brasil representado pela Livraria Saraiva. Ambos são os e-book readers mais famosos não só no Brasil, mas também no resto do mundo, gerando discussões polarizadas para os dois lados (assim como Mac vs PC, Android vs iOS, casar vs comprar uma bicicleta) e com uma base de leitores bastante fiéis.

Agora vamos conhecer mais um membro na disputa pelo posto de melhor do mercado: o Lev. Ele é resultado de uma parceria entre a Livraria Saraiva e a Bookeen SAS, empresa europeia especializada em tablets e e-readers. Será que ele pode brigar em pé de igualdade com os Kobos e Kindles? Melhor ainda: mesmo que ele esteja no mesmo nível dos concorrentes (ou até melhor), ele convencerá os usuários que já possuem um e-reader a trocar de aparelho? Vamos conhecer mais sobre ele nas próximas linhas.

Design e construção

Um ponto que nos chamou a atenção no hands-on que fizemos no dia do lançamento oficial do Lev, dia 05/08, é seu formato mais arredondado nas bordas, fugindo do design retangular tradicional tanto dos Kobos quanto dos Kindles (quer dizer, menos do Kobo Aura HD, que tem uma traseira mais confortável, simulando a pegada de uma revista). O material utilizado em sua construção é o plástico, mas trazendo uma camada emborrachada para que o gadget não escorregue das mãos (ainda que isso signifique um prato cheio para marcas de dedo).

Isso, aliado a bordas um pouco mais grossas do que estamos acostumados, garante uma pegada mais firme, em especial com apenas uma das mãos. O peso de 190 gramas é bastante similar ao dos concorrentes e praticamente metade do de um tablet médio, e a espessura máxima é de 0,9 cm, novamente na média da maioria dos e-readers (novamente, com exceção do Kobo Aura HD).

Na parte de baixo da tela, que é sensível ao toque, temos somente um botão circular de onde acessamos todas as opções de leitura e de controle do próprio aparelho, e não tivemos problemas para acessar nenhuma das opções, já que a maioria delas está a no máximo a 3 cliques a partir do botão Home.

Tela

Temos a tradicional tecnologia E-Ink, especialmente desenvolvida para leitura e que não agride tanto os olhos quanto uma tela LCD. A resolução de 758x1024 dividida em 6 polegadas dá a mesma sensação de leitura de um Kindle PaperWhite ou de Kobo Glo, já que a densidade de pixels dos três é bastante similar, contando com 213 pontos por polegada quadrada.

Comparamos com esses dois em especial pois ambos trazem um painel LCD retroiluminado, já que, fora isso, são basicamente idênticos ao Kindle convencional e ao Kobo Touch, respectivamente, assim como há uma versão do Lev sem essa tecnologia. A iluminação nos pareceu bastante confortável, lembrando mais a tecnologia ComfortLight do Kobo Glo do que a do PaperWhite, já que tende mais para o azul.

Há também uma proteção antirreflexo, o que faz a tela ficar um pouco fosca, mas nada que chegue a incomodar. Ela não elimina completamente os reflexos, mas dá uma boa ajuda em locais muito iluminados.

Processamento, autonomia e capacidade

Assim como os concorrentes, o Lev tem um processador single-core de 1 GHz, o suficiente apenas para uma leitura satisfatória de livros, mas apresentando algumas lentidões aqui e ali. Como armazenamento há 4 GB de memória interna, o suficiente para 4.000 livros, teoricamente, mas que na prática significa somente 2.500 livros no formato EPUB (o que ainda é um valor e tanto) contando com o espaço dedicado para o sistema operacional e os livros já inclusos, que no total são 15.

É possível expandir esse armazenamento para mais 32 GB com um cartão microSD, o que na prática é desnecessário, já que os livros atuais raramente passam de 100 KB cada um. Se o usuário pretender colocar arquivos em PDF, geralmente muito maiores do que o EPUB, é preciso adotar um certo gerenciamento de espaço.

No evento oficial de lançamento, a Saraiva disse que o Lev era capaz de ficar até 3 semanas fora da tomada, algo que achamos estranho, já que outros modelos como o Kindle podem aguentar até 8 semanas. Utilizamos o gadget por uma semana com bastante frequência, com a iluminação traseira ligada na maior parte das vezes, e a carga diminuiu somente uma barrinha. A Saraiva foi bastante conservadora ao dizer 3 semanas, já que estimamos pelo menos 6 semanas de uso frequente.

Formatos, fontes e Text Reflow

Além do catálogo de livros da Saraiva, que permite ao usuário baixar livros diretamente pelo Lev através da rede Wi-Fi, o aparelho suporta arquivos PDF e EPUB, mas infelizmente não o MOBI. Os dois são perfeitamente capazes de atender à maioria dos usuários, e ficamos bastante entusiasmados com a função Text Reflow anunciada pela Saraiva, recurso que aproveita muito mais o reduzido espaço de tela.

A ideia que tínhamos em mente do Text Reflow era que ele se comportaria no Lev como se comporta em apps como Moon Reader+ e ezPDF Reader, que rearranja as linhas de um texto PDF e permite a configuração de diferentes tamanhos e estilos de fontes. Mas não é assim: no Lev ele basicamente corta as margens (o que pouco ajuda em livros técnicos) e deixa a fonte ligeiramente maior, mas, ainda assim, pequena para leitura, já que PDFs são projetados para ter o tamanho de uma folha A4.

Um ponto que gostamos foi o suporte a um número maior de fontes do que o Kindle, uma estratégia semelhante à do Kobo Glo. A Saraiva colocou algumas que realmente ajudam na hora da leitura, fugindo do padrão utilizado há décadas em computação (Arial, Times New Roman, …) e colocando algumas mais novas, como a Myriad Pro.

Conclusão: ele tem o que é necessário para ser competitivo?

Para sermos sinceros, achamos estranho que a Saraiva tenha demorado tanto para ter um leitor de livros digitais. A Livraria Cultura trouxe o Kobo já há algum tempo, seguido pelo Kindle da Amazon, e, tendo o maior catálogo de livros digitais em português dos 3, por que demorou tanto? Até então, ela contava somente com apps para plataformas móveis e um leitor para PC, mas nenhum deles era capaz de ofercer a experiência de um e-book reader.

O Lev tem um preço sugerido de R$ 479 (com tela iluminada) em uma promoção por R$ 399 até o final do mês, modelo que é um concorrente direto do Kobo Glo e do Kindle PaperWhite. Há também uma versão mais básica idêntica em visual, mas sem a tela iluminada, por R$ 299, que concorre diretamente com o Kindle convencional e o Kobo Touch.

Ele é um aparelho de qualidade? Sim, e vem com alguns recursos extras bacanas. Porém, quem compra um leitor de livros dificilmente o trocará, a não ser que o aparelho quebre. Então, ele chega ao mercado com este problema: quem já comprou um e-reader, seja Kobo ou Kindle, não comprará outro tão cedo. Para novos usuários, o catálogo maior de livros em português pode ser um ponto decisivo, mas, ainda assim, o Lev terá problemas para fazer sucesso nos seus primeiros meses de vida.

Vantagens

  • Tela E-Ink pensada para leitores;
  • Catálogo Saraiva com um bom número de livros;
  • Boa ergonomia de uso e duração de bateria.

Desvantagens

  • Foi lançado muito tempo depois dos Kobos e Kindles;
  • O Text Reflow é uma boa ideia, mas ainda precisa ser melhorado.
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