Por que um lado do fone descarrega mais rápido que o outro?

Por que um lado do fone descarrega mais rápido que o outro?

Por Vinícius Moschen | Editado por Wallace Moté | 15 de Maio de 2022 às 19h00
Victor Carvalho/Canaltech

Mesmo que entreguem uma experiência mais prática em diversas situações, os fones de ouvido sem fio necessitam de uma bateria interna para funcionar, e isso pode virar uma dor de cabeça em vários momentos. Como exemplo, diversos usuários já perceberam diferenças na autonomia entre os dois lados do fone, e essa situação pode ser explicada por alguns motivos.

Desgaste da bateria

Baterias dos fones de ouvido passam por muitos ciclos de carga (Imagem: Rafael Damini/Canaltech)

De forma geral, os fones de ouvido possuem módulos de bateria semelhantes dos dois lados. Porém, estes componentes costumam sofrer desgastes de forma significativa, em especial se o produto já tem alguns anos de uso.

Caso o usuário costume usar apenas um lado dos fones, por períodos mais extensos, poderá haver uma dessincronia em relação aos ciclos de carga. Quando essa diferença chegar a dezenas ou centenas de ciclos, será possível perceber distinções bastante evidentes no tempo de uso em cada lado.

Não há uma forma objetiva para “consertar” este problema, além da utilização mais frequente do lado oposto dos fones — ou seja, aquele que possui uma bateria mais duradoura. Entretanto, o ideal é manter ações preventivas, especialmente o hábito de evitar a reprodução excessiva de músicas ou podcasts em apenas um lado.

Áudio estéreo

Fones de ouvido modernos são capazes de reproduzir conteúdos em áudio estéreo, ou seja, com uma diferenciação entre cada lado. Músicas geralmente são mixadas desta forma, para que o ouvinte tenha uma experiência mais dinâmica e imersiva.

Entretanto, isso significa que cada fone está, na prática, reproduzindo coisas diferentes que “conversam” entre si. Em outras palavras, há uma diferença na valorização das ondas mais graves ou agudas — entre diversos outros aspectos, como elementos vocais —, que podem exigir um gasto de energia maior ou menor em cada lado.

Em geral, esta distinção na bateria não é percebida no dia a dia. Porém, ela pode aparecer após várias horas de reprodução ininterrupta de conteúdos.

Pareamento

Mesmo que ambos os fones funcionem de forma sincronizada, é muito comum que a comunicação com o smartphone (ou outro dispositivo semelhante) aconteça de forma direta apenas com um lado. É por isso que, por exemplo, alguns modelos exigem que o primeiro pareamento aconteça com um lado específico, para que depois o fone oposto se conecte automaticamente.

Esse processo de troca de informações também pode representar uma diferença na quantidade de energia utilizada. Novamente, esta característica deve se agravar em produtos com muitos anos de uso.

O ciclo de vida limitado dos fones de ouvido

Componentes não são montados com substituições em mente (Imagem: YouTube/iFixit)

Independentemente de qual seja o motivo que causa problemas de bateria em fones de ouvido, não há como evitar que a autonomia seja reduzida ao longo do tempo. Assim como acontece com os smartphones, o desgaste destes componentes é inevitável e atrelado diretamente com a quantidade de ciclos realizados pelo dispositivo.

Pior: os fones de ouvido costumam ter um tempo de utilização bem mais curto antes da necessidade de uma recarga — enquanto os acessórios têm o tanque esgotado em apenas algumas horas, os smartphones podem durar um ou mais dias. Por isso, os ciclos passam de forma mais rápida, reduzindo a vida útil da bateria.

Dessa forma, é difícil evitar que os fones se tornem inutilizáveis depois de alguns anos. Em geral, baterias de dispositivos tão pequenos não são removíveis e/ou substituíveis, pois isso tornaria a construção bem menos compacta.

Mesmo os usuários que tenham algum conhecimento técnico não costumam conseguir a troca da bateria em casa. Até os processos mais cuidadosos podem danificar outros componentes internos essenciais, como drivers, cabos conectores ou sensores — os fones simplesmente são construídos dessa forma.

Possíveis soluções

Headphones apresentam maior autonomia (Imagem: Divulgação/Sony)

Caso o fone esteja com uma diferença muito perceptível na duração da bateria, é possível testar algumas alternativas de solução. Um reset total do produto pode ser realizado para que ele retorne às configurações de fábrica, por exemplo.

Cada modelo possui suas etapas para o reset, mas geralmente o processo é explicado no manual do dispositivo. A operação completa não deverá demorar mais que alguns minutos, e será necessário fazer um novo pareamento na sequência.

Se a duração de bateria do fone TWS não estiver satisfatória, uma alternativa é trocar pelos modelos tipo headphone, com construções maiores. Esses produtos costumam oferecer muitas horas de uso antes da necessidade de uma recarga, e sem diferenças entre a autonomia de cada lado.

Até mesmo os modelos mais básicos podem oferecer mais tempo útil, como o Philips UH202 que tem bateria interna para cerca de 15 horas. Entretanto, produtos mais avançados podem chegar a 40 horas ou mais — para efeito de comparação, até mesmo os TWS mais caros não costumam passar das 10 horas de uso sem precisar de uma energia extra do estojo de recarga.

De qualquer forma, a perda de autonomia dos fones TWS sequer pode ser considerada um defeito em muitos casos, já que é uma consequência natural do desgaste do produto ou do tipo de conexão adotada. Essa situação precisa ser levada em conta na hora de adquirir um dispositivo do tipo.

Fonte: iFixit

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