WikiLeaks diz que embaixada do Equador espionou Julian Assange

Por Felipe Demartini | 10 de Abril de 2019 às 13h14
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O WikiLeaks está acusando a embaixada do Equador em Londres de promover uma grande operação de espionagem contra Julian Assange, que buscou asilo político no local em 2012. De acordo com Kristinn Hrafnsson, editor-chefe da plataforma, fotos, vídeos e áudios produzidos pelo delator teriam sido enviados ao governo dos Estados Unidos em uma tentativa de localizar argumentos que levassem ao fim do apoio a ele e sua posterior extradição.

Detalhes sobre o material obtido não foram revelados, mas Hrafnsson afirma que ele é composto de milhares de conteúdos produzidos durante os mais de seis anos de asilo de Assange no Reino Unido. O pacote teria sido obtido por hackers espanhóis, que demandaram € 3 milhões para não liberarem as imagens e áudios ao público.

Autoridades espanholas também estariam envolvidas no caso, que está sendo tratado como extorsão. Não se sabe como, nem se, o WikiLeaks obteve acesso aos dados. Seja como for, a operação foi categorizada pelo editor-chefe do serviço como uma “invasão total de privacidade” e uma clara tentativa dos governos dos Estados Unidos e Equador de garantir a extradição de Assange. Hrafnsson acredita que um trabalho de espionagem desse tamanho jamais seria possível sem a participação de agentes governamentais.

Desde o primeiro semestre de 2018 circulam informações de que o governo do Equador está insatisfeito com a postura do delator e estaria disposto a encerrar o asilo. A presença de Assange na embaixada já teria custado alguns milhões de dólares aos cofres do país, enquanto comentários públicos feitos por ele, bem como uma negligência com a higiene e alimentação de seu gato, levaram a atritos entre o governo equatoriano e o ex-editor do WikiLeaks, que chegou a ter seu acesso à internet cortado.

Assange está confinado em um escritório, transformado em quarto com banheiro, desde 2012, quando surgiram contra ele acusações de assédio sexual e estupro. Ele negou os casos, afirmando se tratarem de uma tentativa de garantir sua prisão e extradição para os Estados Unidos, onde ele responderia pelo crime de traição após a divulgação de materiais secretos do governo por meio do WikiLeaks.

Originalmente, ele poderia ser preso se pisasse fora da embaixada, mas as acusações contra ele acabaram sendo arquivadas anos depois. Ainda assim, Assange permanece fechado no local, no que o governo do Reino Unido chama de um exílio autoimposto, apesar de ainda pesar sobre ele um mandado de prisão pelo não comparecimento a audiências relacionadas às acusações de assédio. Mais uma vez, a ideia é que, se ele for capturado, sua extradição para os EUA é certa, enquanto o Equador, segundo ele, estaria praticando uma pressão velada para que ele abandone a embaixada.

Fonte: Reuters

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